Bacalhau na cataplana
Miminho
Ganhei esse lindo prémio da minha querida amiga, Andrea Cris. Obrigada, amiga, fiquei muito Feliz!

E, agora, ofereço a todas as amigas que me visitam!
A agitação da vida urbana fomenta o individualismo, o isolamento e a indiferença por aqueles que mais próximo de nós residem. Não conhecemos os nossos vizinhos e não estimulamos as relações interpessoais.
Convidar os vizinhos para beber um copo ou partilhar uma refeição pode não resolver os problemas sociais, mas este simples gesto pode ser um princípio. Conhecer os vizinhos ajuda à coesão social, a uma melhor vida em conjunto e cria novos laços de solidariedade entre as pessoas.
Quando casei, fui viver para um apartamento e aí permaneci 6 anos. Era um bloco de 4 andares e em cada um havia 6 apartamentos. Ao todo, viviam ali 24 famílias. No andar em que morava, apenas conheci uma família: a Odete, o marido e dois filhos. Cruzava-me várias vezes com outras pessoas, mas, para dizer a verdade, só as conhecia de vista, do Bom Dia! Boa Tarde! Boa Noite! Como está? E a conversa ficava por aqui.
O meu filho era pequeno, nós habitávamos o quarto andar, não havia elevador no prédio... Cada vez que íamos às compras, tínhamos de carregar tudo lá para cima... Era um sobe e desce constante e havia também uma criança pequena para levar ao colo. Logo que foi possível, vendemos o apartamento e comprámos um dúplex no mesmo bairro, onde permanecemos 10 anos. Aí, éramos oito famílias. Cruzávamo-nos muitas vezes e foi possível fazer amizade com três das famílias.
Entretanto, vendemos o dúplex e construímos a casa em que vivemos agora. Vivemos já há cinco anos aqui e é com alguma tristeza que vos digo que mal conheço os meus vizinhos. A casa está situada numa pequena aldeia muito perto da cidade, nesta rua há apenas 6 vivendas. Conheço alguns vizinhos de vista, por quem passo de carro e em vez do tradicional Bom Dia, passámos a levantar a mão, a acenar, um pequeno cumprimento, um simples gesto de cortesia. Mas há os vizinhos do lado, com quem falamos, a quem batemos à porta de vez em quando e que encontramos mais vezes no supermercado do que aqui. Engraçado, não é?
Um dia destes, a vizinha tocou à campainha, vinha trazer-me uma taça cheia de nêsperas e um cestinho com limões. A taça e o cesto ficaram por aqui algum tempo, porque eu queria retribuir a gentileza. Talvez faça um bolo para os vizinhos, disse ao meu marido, ou um doce. A vida é um corre-corre e fui adiando, adiando, por falta de tempo, disposição... Este fim-de-semana, a minha filha pediu-me Arroz Doce Tropical e sugeriu que levasse um pratinho aos vizinhos, pois "talvez eles ainda não tenham provado este doce", disse ela. Assim foi, fiz o arroz, convidei o meu marido para me acompanhar e lá fomos levar a taça, o cestinho e o pratinho de Arroz Doce Tropical. Tocámos e surgiu a vizinha que logo nos convidou a entrar, pois estava ali o seu filho mais novo, o Gonçalo, a tocar violoncelo. São todos muito simpáticos e o Gonçalo além de tocar muito bem, é dono de uns olhos lindos!... Os homens logo se meteram à conversa e a vizinha mostrou-me os bordados que fizera quando andava a estudar, a sua mini-horta, muito bem cuidada, as suas flores... Apanhámos coentros e ela presenteou-me com estas orquídeas que eu coloquei neste pequeno aquário com algumas canas. Ficou bonito o arranjo, não ficou?
Mais um trabalhinho: colar a vermelho e preto.

