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sábado, 24 de abril de 2010

Abril sempre


A escola continua em festa! Montam-se e desmontam-se exposições, a azáfama é grande, os alunos vibram e contam e recontam que são os autores dos muitos trabalhos. Estão orgulhosos das suas obras!
Assinalou-se o Dia do Livro, 23 de Abril, com a leitura dos poemas premiados (actividade já aqui relatada - Concurso de Poesia), seguida da entrega dos prémios. Todos os que requisitaram livros, receberam uma rosa vermelha. Muitas rosas saíram felizes e a sorrir da nossa Biblioteca!

Comemorou-se o 25 de Abril no átrio da escola com este trabalho pleno de simbolismo, realizado pelos alunos na aula de Área de Projecto: os 36 vasos com cravos representam os anos que decorreram desde 1974, cada cravo proclama o que concedeu a revolução ao povo português, vítima de opressão (40 anos): liberdade de expressão, campanhas eleitorais livres, democracia, fim da polícia política, criação de sindicatos, liberdade religiosa, igualdade de oportunidades, defesa dos direitos humanos, direito à greve...

Do tecto pende um balde de zinco com um ralo de rega de onde escorrem 36 fios de nylon, simbolizando a água que irriga os cravos. Assim como as flores, também a democracia tem de ser "regada e adubada" para crescer saudável e não murchar nem morrer. A democracia é uma flor única, linda, e a liberdade é o néctar que dela colhemos cada dia. Viva a liberdade! Viva o 25 de Abril!

Perto deste trabalho, juntaram-se alguns alunos para cantar a liberdade. As suas vozes infantis entoavam timidamente uma canção alusiva ao 25 de Abril. De repente, as vozes multiplicaram-se e o átrio foi ficando inundado de alunos...

E o grupo crescia, crescia, e as vozes soavam agora fortes, determinadas...

A canção já não era só de uma ou de duas turmas, era uma escola a cantar!

Recordou-se também José Afonso, figura central da canção de intervenção em Portugal e um compositor notável que soube conciliar a música popular portuguesa e os temas tradicionais com a palavra de protesto.


A lírica camoniana

A separação da mulher amada


Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada

Saía, dando ao mundo claridade,

Viu apartar-se d’ua outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que d’uns e d’outros olhos derivadas
S’acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.


O sujeito poético, neste soneto, afirma que nunca mais quer ver esquecida aquela madrugada, pois foi ela a única testemunha que assistiu à cena dramática e dolorosa que o separou da sua amada.

Este poema pode dividir-se em três partes lógicas. Na primeira parte (primeira quadra), o sujeito lírico enuncia o desejo de nunca mais ver esquecida a madrugada em que se deu a separação. A segunda parte (segunda quadra) constitui a justificação do desejo expresso na primeira parte: o sujeito poético deseja recordar sempre essa madrugada porque foi ela a única testemunha da separação. Na terceira parte (dois tercetos) há uma concretização dos fenómenos presenciados: a separação dos dois amantes, as lágrimas em fio, as palavras magoadas. Verifica-se que há no poema uma estruturação lógica das ideias: há um caminhar do mundo interior para o mundo exterior, do mais geral para o mais particular.

O sentimento fundamental que o eu lírico pretende exprimir é a profunda tristeza da separação. O soneto abre logo com a antítese “triste e leda madrugada”. A madrugada é objectivamente alegre porque é cheia de luz, de cor, de movimento, é subjectivamente triste porque ela própria sente (personificação) a dor dos namorados que se separam. O sentido do adjectivo “triste” é continuado e caracterizado pela expressão “cheia toda de mágoa e piedade”, que aponta mais para uma tristeza tranquila e resignada, sem deixar de ser profunda. Da mesma forma a alegria traduzida pelo adjectivo “leda” é mais claramente objectivada pela oração subordinada temporal “quando amena e marchetada / saía, dando ao mundo claridade”.

Na relação estabelecida entre a tristeza dos amantes separados e a alegria objectiva da natureza é evidente a intenção da antítese: realçar a profunda tristeza da separação. Mas quando o sujeito poético vê a natureza também triste, fazendo-a solidarizar com a tristeza dos dois amantes (personificação ou animização), a antítese transferiu-se da oposição namorados tristes / natureza alegre, para a oposição natureza triste / natureza alegre. A personificação da madrugada (natureza) repete-se a jeito de anáfora: "Ela só, viu", " Ela só viu", "ela viu" (ouviu). A intenção desta reiteração consiste em realçar que a natureza foi a única testemunha de tal separação, ela só assistiu, embora passivamente, a uma imensa dor.

Com o fim de intensificar o profundo sofrimento da separação, são ainda de realçar as hipérboles: "as lágrimas em fio", "que... juntando-se, formaram grande rio", "palavras magoadas que puderam tornar o fogo frio, e dar descanso às almas condenadas".

De notar também o paradoxo "tornar o fogo frio" para exprimir um sofrimento desumano, acima do que é normal aguentar-se, maior do que o próprio sofrimento do inferno.

Além do adjectivo triste (em relação antitética com leda), há ainda um vocabulário especialmente escolhido para caracterizar a dor da separação: mágoa, piedade, lágrimas, palavras magoadas. O verbo acrescentar (se acrescentaram em grande e largo rio) sugere não só a persistência das lágrimas, mas também a sua grande quantidade que vai e vai aumentando. Os tempos verbais sugerem que a saudade do sujeito poético é sentida no presente ("quero"), se projecta no futuro ("que seja sempre celebrada, enquanto houver no mundo saudade") e, como sempre, vem do passado ("ela só viu").

Parece haver uma aparente falta de lógica na afirmação "Ela viu as palavras magoadas", as palavras não se vêem, ouvem-se. É intencional, no entanto, a escolha do vocábulo viu. Viu sugere não apenas o acto de ouvir, mas também o acto de observar os gestos, as atitudes, a fisionomia triste dos namorados.

O poema é um soneto constituído por duas quadras e dois tercetos: soneto. Os versos são decassílabos, com os acentos rítmicos na sexta e na décima sílaba. A s rimas são interploada, emparelhada e cruzada, segundo o esquema rimático ABBA ABBA CDC DCD.

O soneto é uma forma poética adequada à expressão de um sentimento que domina o texto, a dor da separação.




Trabalhinho:



A Mena na cozinha

Pataniscas de bacalhau

1 boa posta de bacalhau cozido
1 cebola picada

200g de farinha de trigo
1 colher de sopa de azeite
0,5dl de água
3 ovos
salsa picada
azeite ou óleo para fritar
sal

Deite a farinha numa tigela, abra uma cavidade no meio e deite o azeite, o sal e os ovos. Comece a mexer no centro com uma colher de pau até envolver toda a farinha. Depois, sem parar de mexer, junte a água em fio até obter uma massa leve.
Junte o bacalhau desfiado, a salsa e a cebola picadas. Mexa tudo muito bem. Deite azeite ou óleo numa frigideira e aqueça-o.
Com uma colher de sopa, coloque porções separadas e vire logo que fiquem douradas.

Quando estiverem douradinhas dos dois lados, retire-as da frigideira e coloque-as sobre papel absorvente para tirar o excesso de azeite. Depois de bem escorridinhas, enfeite-as com um raminho de salsa.

Sirva com arroz de feijão verde.
Bom apetite!


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dias negros, nevoeiro cerrrado

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece o que a alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Fernando Pessoa


A morte saiu à rua num dia assim

Naquele lugar sem nome para qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai

E um rio de sangue de um peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial

E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu

Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual

Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina, à morte que te matou

Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim

Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas de uma nação

José Afonso


Estou triste, desiludida e muito revoltada. Abril caiu ou está em ruínas, completamente desmoronado e dificilmente se erguerá. O respeito pela democracia desapareceu completamente. Neste momento vale tudo, é o desgoverno total! Não se olham a meios para se atingirem os fins. Quanto mais corruptos melhor! A injustiça grassa por todo o lado! E teria muito, muito mais que falar, mas fico por aqui. Mas antes, convido-vos a clicar aqui e a ler os seguintes textos: Monção, Encalhados e Vidrado. E se estiverem interessados em saber mais, é só dar uma volta por aqui.
Agora já sabem a razão da minha revolta.


Conhecer Zeca Afonso

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, filho de um juiz e de uma professora primária, nasceu, em Aveiro, em 2 de Agosto de 1929, tendo passado os primeiros anos de vida entre a terra natal, Angola e Moçambique.

"Bicho-cantor" , a alcunha que lhe deram no liceu, por cantar serenatas durante as praxes. Nesta altura conhece a vida boémia e os fados tradicionais de Coimbra.
Entre 1946 e 1948, enquanto terminou o liceu, conheceu a costureira Maria Amália de Oliveira, com quem casou às escondidas, devido à oposição dos pais.
Quando, em 1949, ingressou no curso de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras, revisitou Angola e Moçambique, integrado numa comitiva do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra.
Em 1953, nasceu o primeiro filho, José Manuel, e, enquanto dava explicações e fazia revisões no "Diário de Coimbra", viu os primeiros discos serem editados.
Em 1963, concluiu o curso, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre.
A senha para o início da Revolução de Abril, "Grândola Vila Morena", nasceu após Zeca Afonso se ter inspirado numa actuação na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em Maio de 1964.
O único disco editado pela Valentim de Carvalho, "Cantares de José Afonso", é desse ano, altura em que regressou a Moçambique, onde viveu e leccionou durante três anos.
O regresso a Portugal deveu-se à oposição de José Afonso ao sistema colonial . O destino, desta vez, foi Setúbal, onde foi colocado como professor, tendo sofrido uma grave crise de saúde que o forçou ao internamento hospitalar durante vinte dias. Quando recuperou, ficou a saber que tinha sido expulso do ensino oficial, passando a viver de explicações.
O PCP chegou a convidá-lo, por esta altura, a entrar para o partido, mas José Afonso recusou alegando a sua condição de classe.
O álbum "Contos Velhos Rumos Novos" e o single "Menina dos Olhos Tristes", que contem a canção popular "Canta Camarada", são editados em 1969.
Seguem-se "Traz Outro Amigo Também", em 1970, gravado em Londres, "Cantigas do Maio", em 1971, gravado em Paris, e, no ano seguinte, "Eu Vou Ser Como a Toupeira", editado em Madrid.
Em Abril de 1973, foi preso, passando vinte dias em Caxias, e no Natal desse ano gravou, em Paris, "Venham Mais Cinco", com a colaboração musical de José Mário Branco, então exilado na capital francesa.
Muitas outras canções, espectáculos e prémios surgiram nos anos posteriores à revolução e, em 1982, os primeiros sintomas da doença que lhe causou a morte, uma esclerose lateral amiotrófica, começaram a manifestar-se.
No último álbum, "Galinhas do Mato", editado em 1985, Zeca Afonso já não conseguiu cantar todos os temas, sendo substituído por muitos cantores portugueses, como Luís Represas e Janita Salomé.
Dois anos mais tarde, no dia 23 de Fevereiro, às 3:00 h, José Afonso morreu, no Hospital de S. Bernardo, em Setúbal.



A Mena na cozinha

Bacalhau à moda do Porto

900 g de bacalhau
800 g de batatas
2 cebolas
2 dentes de alho
2 cabeças de cravinho
azeite
1 ramo de salsa
sal
pimenta

Corte as batatas e as cebolas às rodelas. Desfie o bacalhau (cru). Ponha um fio de azeite no fundo do tacho e disponha sobre o azeite em camadas as batatas, a cebola e o bacalhau.

Entre as camadas, tempere com o alho às rodelas, o sal, a pimenta e o cravinho.

Junte a salsa e por fim o azeite.

Tape o tacho e deixe cozer, em lume brando. Agite-o várias vezes, durante a cozedura para não pegar.

Sirva decorado com a salsa e com uma boa salada.
Bom apetite!


Para desnuviar, vamos contar carneirinhos?



Trabalhinhos:

Pulseiras em Fimo acabadinhas de cozer. Só falta envernizar!

Estas já estão envernizadas!


Este selinho foi-me oferecido pela Soninha. Obrigada, amiga!
Já agora sugiro uma visitinha ao blogue da Soninha, ela tem coisinhas lindas! Vão lá espreitar!


Vou estar ausente uma semaninha! Espero voltar e escrever sobre dias alegres!
Dou um miminho a quem adivinhar o meu destino. Beijinho grande para todo o mundo!