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quarta-feira, 18 de março de 2009

Inês e Policena

XI

Episódio de Inês de Castro - linguagem e estilo

- das estrofes 131 a 135

Estas estrofes constituem os dois termos de uma longa comparação em que o poeta compara o assassínio de Inês pelos "brutos matadores" com a morte violenta de Policena, filha de Aquiles, sacrificada pelo "duro Pirro" sobre o túmulo do pai dela. Com esta aproximação do "caso triste" de Inês com o bárbaro assassínio da "linda moça Policena", o poeta pretende realçar a brutalidade do assassínio "daquela que depois de morta foi rainha". Repara nos pontos de contacto que existem entre os dois casos: à "linda Inês", "fraca dama delicada", corresponde a "linda moça Policena", "paciente e mansa ovelha"; os "brutos matadores" igualam a ferocidade do "duro Pirro"; a solidão dos filhos de Inês e do seu marido compara-se à solidão da mãe de Policena; a causa da morte de Inês não está nela própria, mas noutras razões, como a causa da morte de Policena não está nela, mas na "sombra" do pai Aquiles. Observa também que, no paralelo estabelecido entre as mortes trágicas de Policena e Inês, a nota mais terna e comovente se encontra nos olhos das duas infelizes Senhoras: "os olhos com que o ar serena / (...) na mísera mãe postos" (Policena); "as brancas flores / que ela de seus olhos regadas tinha" (Inês). Nos retratos clássicos de mulheres, os olhos são um dos poucos elementos físicos que aparecem, porque eles representam mais as características psicológicas do que físicas, o que está de acordo com o tipo de mulher espiritualizada, mulher deusa, habitual nas literaturas clássicas. Os olhos de Policena, como os de Inês, simbolizam a beleza, a ternura, a inocência, a saudade, a súplica dolorosa..
No segundo termo de comparação (estrofe 132), revela-se o apreço do poeta por Inês e a sua reprovação em relação ao brutal assassínio. Os "brutos matadores" (é assim que ele denomina os assassinos de Inês) "se encarniçavam férvidos e irosos" (é assim que o poeta caracteriza a cruel acção), "No colo de alabastro que sustinha / As obras com que Amor matou de amores / Aquele que depois a fez rainha,/ As espadas banhando e as brancas flores..." (é assim que ele sugere a elegância e beleza extraordinárias próprias de rainha), a única culpa que ela tinha era a de ter cativado (matou de amores) o seu Pedro. Inês surge-nos aqui, pela mão do poeta, revestida da nobre elegância de rainha, bem adequada a uma personagem da tragédia clássica, vítima inocente do Amor. Repara na antítese entre espadas (objecto de suplício manejado pelos carrascos) e "brancas flores / que ela dos seus olhos regadas tinha" (símbolo da inocência de Inês, vítima do cruel destino). Conclui-se, pois, daqui o que o poeta já tinha referido na introdução: "Tu, só tu, puro Amor, com força crua, / deste causa à molesta morte sua". O Amor (personificado) confunde-se aqui com o Fado, o Destino, constituindo-se no grande agente da tragédia que vitimou Inês. E esse amor teve origem na sua beleza; Inês foi vítima do amor, isto é, vítima de si própria, da sua própria beleza: a sua única culpa estava em ser bela. Tudo isto sensibilizou o coração do poeta, fazendo com que utilizasse arrojadas personificações, apóstrofes e comparações, numa linguagem rica de imagens, adaptada a realçar a brutalidade do assassínio da "fraca dama delicada": "Bem puderas, ó Sol, da vida destes, / teus raios apartar, aquele dia, / como da seva mesa de Tiestes", "Vós, ó côncavos vales...". A reprovação emocional do triste caso, é-nos dada ainda pelo poeta, quando, na estrofe 134, compara a pálida donzela, morta, à bonina (florzinha) que perde o perfume e a cor, ao ser cortada antes do tempo e maltratada pelas mãos traquinas de uma menina. Repara também na expressividade dos adjectivos: cândida e bela, lascivas (atenta na antítese entre a bonina cândida e bela e as mãos lascivas), pálida, branca e viva, doce. A emoção do poeta perante a morte de Inês revela-se também, na estrofe 135, mediante o comovente treno das "filhas do Mondego, que a morte escura / longo tempo chorando memoraram" (nota a expressividade da expressão morte escura e o aspecto durativo do gerúndio chorando), e mediante a evocação das lágrimas lendárias da fonte dos amores cuja memória ainda hoje perdura.

- da fala de Inês (de 126 a 129), salientando as marcas do discurso apelativo

As marcas do discurso apelativo são visíveis no uso da 2.ª pessoa (ó tu, tens, te, sabes, to, viste) e do imperativo (tem respeito, mova-te, sabe, põe-me). Na função apelativa da linguagem, a mensagem centra-se no receptor (aqui D. Afonso IV); daí a insistência da 2.ª pessoa (tu, te, to). O imperativo, modo dominante deste discurso, traduz o essencial desta função da linguagem: imperar, apelar, suplicar. O vocativo (ó tu) é também próprio das duas funções quase sempre interligadas: a função fática e apelativa.
Repara que no discurso de Inês não encontramos a linguagem familiar, coloquial, que seria natural entre duas pessoas que, apesar de tudo, eram familiares. Há neste discurso a mesma solenidade clássica que encontramos nos discursos de Camões, de júpiter, de Baco, de Marte, do Velho do Restelo. Os longos períodos com predominância da ordem inversa das palavras (hipérbatos), a colocação das orações subordinadas antes das subordinantes, o uso frequente de palavras eruditas (natura, intento, maura, mísero), a referência a factos lendários da antiguidade não são marcas da linguagem coloquial, familiar. Esta linguagem clássica e solene pertence ao poeta, este nunca se despersonaliza, esta linguagem tem a marca de um humanista - a sua própria marca. Além disso, este tom solene e grave da fala de Inês não destoa num discurso apelativo, pois é dirigido à realeza, a um sogro austero, num discurso trágico.

A Mena na cozinha

Coelho com feijão e cogumelos

1 coelho
2 dentes de alho
azeite
1 cebola
500 g de cogumelos sortidos (laminados, portobello, pleurotos)
1 tomate maduro ou concentrado de tomate
feijão branco ou manteiga
sal
pimenta
raminhos de tomilho fresco

Marinada:

1 colher de sopa de azeite
1,5 dl de vinho tinto
2 dentes de alho às rodelas
louro
tomilho
sal

Corte o coelho em pedaços e deixe-o a marinar cerca de três horas.
Aloure os alhos esborrachados ou cortados em pedaços em azeite (2 colheres de sopa). Junte o coelho bem escorrido da marinada e aloure-o. Adicione a cebola picada e refresque com metade da marinada. Deixe cozinhar lentamente. Se necessário junte o resto da marinada.

Junte os cogumelos lavados e cortados grosseiramente, assim como o tomate aos pedaços. Deixe cozer mais um pouco.
Adicione o feijão cozido que considere necessário (para 800 g de coelho, eu junto cerca de 500 g de feijão cozido e escorrido). Tempere com sal e pimenta. Se gostar, adicione os raminhos de tomilho e envolva.

Bom apetite!




Trabalhinho:
Bandolete


Desafio

Recebi este desafio da Sónia, já há algum tempo, mas ainda não tinha tido um momento livre para procurar uma foto para publicar. Hoje, tirei um tempinho e seleccionei não uma, mas duas fotografias, testemunhos de uma época da minha vida.

Digam lá se eu era ou não um bebé lindo?

Aqui, estou sentada ao colo de uma estátua (sempre gostei e ainda gosto de colo!) , no Parque desta cidade onde vivo. Quando não tínhamos aulas, era aqui que passávamos bons momentos. Bons tempos estes de menina do liceu!

Regras:

O desafio consiste em postar uma foto à nossa escolha;

Divulgar o nome da pessoa que te desafiou: está acima.

Passar para 8 blogueiras, ei-las:

- Paula
- Estela
- Eunice
- Mary
- artes_romao
- Chocolate

- Sabrina

- Elsa



Recado para a Estelinha

Troquinha: Enviei e recebi a troca Pandorfimo que efectuei com a Estela. Estelinha, gostei de tudo, tudo, mas não tirei fotografia, pois a máquina estava com um probleminha. Se fotografaste e se colocares no teu blogue, eu passarei por lá e trá-la-ei para aqui. A minha filhota roubou-me os doces todos, praticamente nem os vi. Olha, também me esqueci de fotografar a minha parte, por isso quem quiser ver o que eu enviei, passem por aqui e vejam em - "Um novo dia, com miminhos entregues e recebidos!"
Um beijinho grande, amiga!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Tu, só tu, puro Amor...

IX
Episódio de Inês de Castro - linguagem e estilo

- das estrofes 119 - 121

A estrofe 119 apresenta-nos o Amor personificado como causa não só deste caso triste, mas também de todos os males. Assim, o poeta dirige-se ao Amor (personificação e apóstrofe), caracterizando-o antiteticamente: "Tu, só tu, puro Amor, com força crua / Que os corações humanos tanto obriga, / Deste causa à molesta morte sua / ... áspero e tirano..." ( repara na antítese: por um lado, o Amor é puro, atrai irresistivelmente o coração humano, mas por outro, age com força crua, é fero Amor, áspero e tirano). Por meio destas antíteses, o poeta pretendeu apresentar o amor como um sentimento contraditório, continuamente a seduzir (que os corações tanto obriga), mas sempre pronto a gerar as maiores tragédias (tuas aras banhar em sangue humano).
O poeta apresenta aqui o Amor mais do que personificado: é uma autêntica divindade sedutora que oferece com uma mão o prazer, mas com a outra, a tragédia da dor e do sofrimento. Esta estrofe é uma poetização da causa da tragédia de Inês: tudo sucedeu por causa do amor. Daí a insistência dos vocativos (apóstrofes), atacando o amor: Tu, só tu, puro Amor... fero Amor, áspero e tirano...
Passamos agora às estofes 120 e 121. O poeta apresenta-no Inês, linda, jovem, apaixonada e saudosa, o que é sugerido nos adjectivos e expressões: "linda Inês", "de teus anos colhendo doce fruito", "naquele engano de alma ledo e cego" ( dupla adjectivação e antítese), "nos saudosos campos do Mondego", "de teus formosos olhos nunca enxuito" (a persistência das lágrimas, mas apenas de saudade), "as lembranças que na alma lhe moravam" (o verbo morar - verbo expressivo - sugere a persistência das lembranças), "doces sonhos que mentiam" (a antítese entre os sonhos que eram doces, mas mentiam), "pensamentos que voavam" (metáfora, sugerindo a facilidade com que a sua imaginação se transportava até ao príncipe). Os dois últimos versos desta estrofe (120) são muito expressivos: "Aos montes ensinando e às ervinhas / O nome que no peito escrito tinhas". Esta bela imagem, em que a natureza nos aparece personificada (como confidente) a ouvir as confidências de Inês, sugere que a causa dos únicos cuidados e saudades que toldavam um pouco a sua felicidade era conhecida até pelos montes e ervinhas: o amor do seu príncipe bem gravado no coração.
Mas as duas estrofes que estamos a analisar dão-nos ainda a imagem de uma mulher apaixonada e feliz, embora essa felicidade fosse já toldada pelas saudades do príncipe, tantas vezes ausente. Esta felicidade, ainda um tanto despreocupada de Inês (ela estava longe de prever a fatalidade que a esperava) é sugerida sobretudo pelas expressões: linda Inês, colhendo o doce fruito de teus anos e quanto enfim cuidava e quanto via /Eram tudo memórias de alegria. Esta felicidade despreocupada de Inês é posta antecipadamente, no texto, como contraste com a infelicidade inesperada que sobre ela se vai abater. Ela não sabia das intrigas que contra ela se moviam. Quando a tragédia sobre ela se abater, o poeta tem o ambiente preparado para a fazer surgir como vítima inocente. Além disso, a imagem que o poeta nos dá de Inês, em que a felicidade aparece um tanto toldada pela saudade da ausência, reveste-se de um encanto de tonalidades românticas, que a tornam mais sedutora e revelam a exaltação emocional posta por Camões no tratamento desta mísera e mesquinha, que depois de morta foi rainha.
Mas se é verdade que nestas duas estrofes (120 e 121) se observa ainda uma certa felicidade despreocupada de Inês, surgem aqui já expressões premonitórias, ou presságios da tragédia iminente: Naquele engano de alma, ledo e cego, / que a fortuna não deixa durar muito. Aquela felicidade de Inês era afinal um engano de alma, ledo e cego (antítese) que o destino (a fortuna) não deixará durar muito. Significado premonitório de mau presságio tem ainda a expressão doces sonhos que mentiam (a felicidade era enganadora).
Como características estilísticas, nota ainda o uso persistente do imperfeito do indicativo e do gerúndio, tornando a narração-descrição mais visualista (estavas, colhendo, ensinando, tinhas, respondiam, moravam, traziam, etc.) e a frequente inversão da ordem das palavras (hipérbato), o que se verifica nos versos 2 e 3 da estrofe 120 e nos quatro primeiros versos da estrofe 121.

X


Fenómenos fonéticos


SONORIZAÇÃO - É a passagem de uma consoante surda a sonora. Isto só acontece se a consoante surda estiver em posição intervocálica:


- de p para b:


capio > caibo

lupu > lobo

sapui > soube


- de t para d:


civiate > cidade

citu > cedo

maritu > marido


- de c para g:


pacare > pagar

aqua > água

aquila > águia


- de c (+e, +i) para z:


acetu > azedo

vicinu > vizinho

facere > fazer


- de f para v:


profectu > proveito

aurifice > ourives


A passagem de b para v tem o nome de DEGENERAÇÃO:


- de b para v:


caballu > cavalo

faba > fava

populu > pobo > povo


PALATALIZAÇÃO - A Palatalização consiste na transformação de um ou mais fonemas numa palatal. Geralmente isto acontece com:


- n + vogal (e, i) > NH:


vinea > vinha

aranea > aranha

seniore > senhor

junio > Junho


- l + vogal (e, i) > LH:


palea > palha

folia > folha

juliu > Julho


- d + vogal (e, i) > J:


video > vejo

hodie > hoje

invidia > inveja


- pl, cl, fl > CH:


pluvia > chuva

implere > encher

clave > chave

masculu > masclu > macho

flamma > chama

inflare > inchar


- cl, pl, gl > LH:


oculu > oclo > olho

apicula > apecla > abelha

scopulu > scoplo > escolho

tegula > tegla > telha


- sc, ss (i, e) > X:


pisce > peixe

passione > paixão

miscere > mexer

russeu > roxo


- s (i) > J:


cerevisia > cerveja

basiu > beijo

ecclesia > igreja


DITONGAÇÃO - É esta a denominação correspondente à passagem de um hiato, ou de uma vogal, a ditongo:


malo > mao > mau

sto > estou

do > dou

arena > area > areia

A Mena na cozinha

Bolo de nozes

5 ovos
125 g de açúcar
2 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de mel
200 g de miolo de noz
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de erva-doce em pó
200 g de farinha
1 colher de chá bem cheia de fermento em pó


Aqueça o forno a 180º . Bata as gemas com o açúcar até ficar um creme fofo e esbranquiçado. Adicione o azeite e o mel, continuando a bater. Misture as nozes picadas, a canela e a erva-doce. Bata as claras em castelo e no fim junte-lhe as duas colheres de açúcar, continuando a bater até ficarem bem firmes. Junte ao preparado, envolvendo bem, sem bater. Misture o fermento com a farinha e adicione ao preparado anterior, sem bater, até ficar bem incorporada. Deite numa forma untada com margarina ou pincelada com azeite, polvilhe com farinha e leve ao forno cerca de 30 minutos. Quando estiver quase cozido, enfeite com meias nozes. Este bolo é uma delícia e muito perfumado.
Bom apetite!



Trabalhinho:

Pregadeira / Alfinete



Desafio do Nome


Recebi esse desafio da Sabrith e da Sónia e adorei! Achei bem interessante...

Regras:
Copie as perguntas e apague as minhas respostas, porque você deverá responder de acordo com a primeira letra do seu nome.


- Qual é o seu nome: Filomena
- Uma palavra com 9 letras: Fatuidade

- Um nome de menina: Fátima
- Um nome de menino: Francisco

- Uma profissão: Farmacêutico

- Uma cor: Ferrugem
- Algo de vestir: Fato
- Uma bebida: Fanta

- Uma comida: Frango
- Algo que encontramos no banheiro: Frascos
- Um lugar: França

- Algo que se grita: Fogo!

Repasso para as cinco primeiras pessoas que comentarem e quiserem levar o desafio.