Episódio de Inês de Castro - linguagem e estilo
No segundo termo de comparação (estrofe 132), revela-se o apreço do poeta por Inês e a sua reprovação em relação ao brutal assassínio. Os "brutos matadores" (é assim que ele denomina os assassinos de Inês) "se encarniçavam férvidos e irosos" (é assim que o poeta caracteriza a cruel acção), "No colo de alabastro que sustinha / As obras com que Amor matou de amores / Aquele que depois a fez rainha,/ As espadas banhando e as brancas flores..." (é assim que ele sugere a elegância e beleza extraordinárias próprias de rainha), a única culpa que ela tinha era a de ter cativado (matou de amores) o seu Pedro. Inês surge-nos aqui, pela mão do poeta, revestida da nobre elegância de rainha, bem adequada a uma personagem da tragédia clássica, vítima inocente do Amor. Repara na antítese entre espadas (objecto de suplício manejado pelos carrascos) e "brancas flores / que ela dos seus olhos regadas tinha" (símbolo da inocência de Inês, vítima do cruel destino). Conclui-se, pois, daqui o que o poeta já tinha referido na introdução: "Tu, só tu, puro Amor, com força crua, / deste causa à molesta morte sua". O Amor (personificado) confunde-se aqui com o Fado, o Destino, constituindo-se no grande agente da tragédia que vitimou Inês. E esse amor teve origem na sua beleza; Inês foi vítima do amor, isto é, vítima de si própria, da sua própria beleza: a sua única culpa estava em ser bela. Tudo isto sensibilizou o coração do poeta, fazendo com que utilizasse arrojadas personificações, apóstrofes e comparações, numa linguagem rica de imagens, adaptada a realçar a brutalidade do assassínio da "fraca dama delicada": "Bem puderas, ó Sol, da vida destes, / teus raios apartar, aquele dia, / como da seva mesa de Tiestes", "Vós, ó côncavos vales...". A reprovação emocional do triste caso, é-nos dada ainda pelo poeta, quando, na estrofe 134, compara a pálida donzela, morta, à bonina (florzinha) que perde o perfume e a cor, ao ser cortada antes do tempo e maltratada pelas mãos traquinas de uma menina. Repara também na expressividade dos adjectivos: cândida e bela, lascivas (atenta na antítese entre a bonina cândida e bela e as mãos lascivas), pálida, branca e viva, doce. A emoção do poeta perante a morte de Inês revela-se também, na estrofe 135, mediante o comovente treno das "filhas do Mondego, que a morte escura / longo tempo chorando memoraram" (nota a expressividade da expressão morte escura e o aspecto durativo do gerúndio chorando), e mediante a evocação das lágrimas lendárias da fonte dos amores cuja memória ainda hoje perdura.
- da fala de Inês (de 126 a 129), salientando as marcas do discurso apelativo
As marcas do discurso apelativo são visíveis no uso da 2.ª pessoa (ó tu, tens, te, sabes, to, viste) e do imperativo (tem respeito, mova-te, sabe, põe-me). Na função apelativa da linguagem, a mensagem centra-se no receptor (aqui D. Afonso IV); daí a insistência da 2.ª pessoa (tu, te, to). O imperativo, modo dominante deste discurso, traduz o essencial desta função da linguagem: imperar, apelar, suplicar. O vocativo (ó tu) é também próprio das duas funções quase sempre interligadas: a função fática e apelativa.
Repara que no discurso de Inês não encontramos a linguagem familiar, coloquial, que seria natural entre duas pessoas que, apesar de tudo, eram familiares. Há neste discurso a mesma solenidade clássica que encontramos nos discursos de Camões, de júpiter, de Baco, de Marte, do Velho do Restelo. Os longos períodos com predominância da ordem inversa das palavras (hipérbatos), a colocação das orações subordinadas antes das subordinantes, o uso frequente de palavras eruditas (natura, intento, maura, mísero), a referência a factos lendários da antiguidade não são marcas da linguagem coloquial, familiar. Esta linguagem clássica e solene pertence ao poeta, este nunca se despersonaliza, esta linguagem tem a marca de um humanista - a sua própria marca. Além disso, este tom solene e grave da fala de Inês não destoa num discurso apelativo, pois é dirigido à realeza, a um sogro austero, num discurso trágico.
A Mena na cozinha
Coelho com feijão e cogumelos
2 dentes de alho
azeite
1 cebola
500 g de cogumelos sortidos (laminados, portobello, pleurotos)
1 tomate maduro ou concentrado de tomate
feijão branco ou manteiga
sal
pimenta
raminhos de tomilho fresco
Marinada:
1 colher de sopa de azeite
1,5 dl de vinho tinto
2 dentes de alho às rodelas
louro
tomilho
sal
Aloure os alhos esborrachados ou cortados em pedaços em azeite (2 colheres de sopa). Junte o coelho bem escorrido da marinada e aloure-o. Adicione a cebola picada e refresque com metade da marinada. Deixe cozinhar lentamente. Se necessário junte o resto da marinada.
Adicione o feijão cozido que considere necessário (para 800 g de coelho, eu junto cerca de 500 g de feijão cozido e escorrido). Tempere com sal e pimenta. Se gostar, adicione os raminhos de tomilho e envolva.
Trabalhinho:
Desafio
Recebi este desafio da Sónia, já há algum tempo, mas ainda não tinha tido um momento livre para procurar uma foto para publicar. Hoje, tirei um tempinho e seleccionei não uma, mas duas fotografias, testemunhos de uma época da minha vida.
Regras:
O desafio consiste em postar uma foto à nossa escolha;
Divulgar o nome da pessoa que te desafiou: está acima.
Passar para 8 blogueiras, ei-las:
- Paula
- Estela
- Eunice
- Mary
- artes_romao
- Chocolate
Troquinha: Enviei e recebi a troca Pandorfimo que efectuei com a Estela. Estelinha, gostei de tudo, tudo, mas não tirei fotografia, pois a máquina estava com um probleminha. Se fotografaste e se colocares no teu blogue, eu passarei por lá e trá-la-ei para aqui. A minha filhota roubou-me os doces todos, praticamente nem os vi. Olha, também me esqueci de fotografar a minha parte, por isso quem quiser ver o que eu enviei, passem por aqui e vejam em - "Um novo dia, com miminhos entregues e recebidos!"
Um beijinho grande, amiga!
