Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
Este líquido é água. Quando pura é inodora, insípida e incolor. Reduzida a vapor, sob tensão e a alta temperatura, move os êmbolos das máquinas que, por isso, se denominam máquinas de vapor.
É um bom dissolvente. Embora com excepções mas de um modo geral, dissolve tudo bem, bases e sais. Congela a zero graus centesimais e ferve a 100, quando à pressão normal.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão, sob um luar gomoso e branco de camélia, apareceu a boiar o cadáver de Ofélia com um nenúfar na mão.
António Gedeão
Antigamente, até ao início do século XIX não havia agências de publicidade. Eram os escritores, principalmente os poetas, que faziam os anúncios.
Um amigo de Olavo Bilac pretendia vender a sua propriedade e pediu ao poeta um reclame para pôr à venda o seu sítio. O poeta visitou o lugar e, depois, escreveu:
“Vende-se uma encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso e frondoso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na bela varanda”.
Dias depois, soube o poeta que o amigo desistira da venda da propriedade. O sujeito, ao ler o reclame, “descobriu” a beleza, a maravilha que era o sítio, para ele, até então, apenas um terreno, uma casa velha e umas árvores, coisas que só lhe davam prejuízo.
Ah! quem nos dera que isto, como outrora, Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera Que inda juntos pudéssemos agora Ver o desabrochar da primavera! Saíamos com os pássaros e a aurora. E, no chão, sobre os troncos cheios de hera, Sentavas-te sorrindo, de hora em hora: "Beijemo-nos! amemo-nos! espera!" E esse corpo de rosa recendia, E aos meus beijos de fogo palpitava, Alquebrado de amor e de cansaço. A alma da terra gorjeava e ria... Nascia a primavera... E eu te levava, Primavera de carne, pelo braço!
Olavo Bilac
Eu era a Eva Criada para a felicidade de Adão Mais tarde fui Maria Dando à luz aquele Que traria a salvação Mas isso não bastaria Para eu encontrar perdão. Passei a ser Amélia A mulher de verdade Para a sociedade Não tinha a menor vaidade Mas sonhava com a igualdade. Muito tempo depois decidi: Não dá mais! Quero minha dignidade Tenho meus ideais! Hoje não sou só mulher ou filha Sou pai, mãe, guardiã da família Sou camionista, taxista, Piloto de avião, policia, Operária de construção... Ao mundo peço licença Para actuar onde quiser Meu sobrenome é COMPETÊNCIA E meu nome é MULHER!!!
Ainda a propósito de estrelas, aqui ficam os poemas que analisei este ano com os meus alunos na sequência do estudo do conto de Vergílio Ferreira "A Estrela".
O mais lindo poema sobre estrelas
«“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Olavo Bilac
MADRIGAL A UMA ESTRELA De histórias de estrelas Ninguém quer saber. Não conto, não conto… Quem é que te quer, História da estrela Que fica por cima Da minha janela? Tão bela, tão bela! Comigo te guardo Na vida e na morte. Será um segredo… Será uma estrela Que eu leve a meu lado Na vida que leve… Escura que seja – que vida tão clara! Que noite tão branca A noite que eu durma (debaixo da terra) Debaixo da estrela! Não conto. Não digo. Comigo te guardo. Assim tu, ó estrela, Me guardes contigo…
Sebastião da Gama
O SONHO
Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão
E a estrela ia subindo azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Miguel Torga
Eu vejo do meu quarto de dormir Uma estrelinha Miudinha A luzir... Mas se o sol é tão grande E tanto brilha A estrelinha Miudinha É certamente sua filha. E enquanto o Pai Sol Enorme Dorme, Ela vai passear Todas as noites... Quando o Pai Sol acordar, A estrelinha Miudinha ............ Vai-se logo deitar.
Sidónio Muralha
Miminhos
Estes miminhos foram-me oferecidos pela Sonia Facion e pela Ana. Aqui ficam, levem-nos!
A Mena na cozinha
Carne à Brás com soja
400 g de carne picada
1 chávena de soja granulada
1 cebola
1 dente de alho
3 colheres de sopa de concentrado de tomate
1 dl de vinho branco
6 ovos
500 g de batata palha
azeite
sal
pimenta
noz moscada
Ponha a soja de molho. Faça um refogado com o azeite, a cebola e o alho picados. Junte a carne picada e deixe cozinhar. Quando estiver meia cozida, adicione a soja bem escorrida e deixe apurar um pouco.
Deite as colheres de concentrado de tomate, o vinho branco e deixe cozer.
Entretanto bata os ovos e reserve.
Junte ao preparado as batatas pallha, envolva bem e deite os ovos batidos, mexendo sempre.
Tempere com sal, pimenta e noz moscada.
Sirva com salada.
Bom apetite!
Trabalhito:
Saco reciclado: este saquinho, que eu forrei com tecido, levou, até à aniversariante, a gargantilha que vos apresentei na sessão anterior.