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sábado, 26 de julho de 2008

Arabescos com emoções

Portugal dos Pequenitos (Coimbra)





Falar com riscos

Ver uma criança a desenhar, dá-nos a noção da seriedade com que ela está a realizar o seu trabalho, coisa que não poderia acontecer se ela estivesse simplesmente a rabiscar sem uma intenção determinada. Desenhar para a criança é uma atitude consciente e emocional. Pode ser até reflexo do seu estado de espírito naquele momento, ou pode também estar a ajudar a criar ou a intensificar um estado de espírito que já exista.
Quando uma criança está a desenhar, há uma quantidade enorme de coisas que está a aprender intuitivamente acerca do acto em si e também dos materiais que está a utilizar (Coquet, 2002).

O desenho infantil expressa o mundo interno da criança, a sua personalidade. Através dele, podemos conhecer os seus pensamentos, desejos, fantasias, medos e ansiedades. Pelo desenho constata-se como ela percebe e compreende o mundo, revelando a expressão de aspectos afectivos e cognitivos da sua personalidade. Além disso, podemos, através da análise do desenho, constatar o nível de maturidade intelectual da criança.

Ao desenhar, a criança exprime o que conhece de um objecto, a representação mental que faz dele no momento em que desenha. Cada desenho tem um significado pessoal, assim como a sua expressão. Todo o símbolo analisado deve ser visto dentro do contexto da história pessoal do autor do desenho, pois pode ter um significado diferente para outra pessoa. Ao analisarmos vários desenhos dos nossos filhos ao longo de um período, é possível visualizar as mudanças que ocorrem e a consequente evolução do desenho.

Como identificar os vários estados emocionais do seu filho?

A criança demonstra satisfação e alegria quando desenha curvas. Pode ser apenas um leve ou simples movimento de rotação ou um traço que dá várias voltas.

A ansiedade reflecte-se através de linhas rectas, bem marcadas e também nos desenhos com formas angulares. Manifesta-se também pela necessidade de preencher toda a folha.

A criança é perfeccionista quando tem necessidade de apagar muito e de usar réguas para traçar as linhas. Parece que nunca está satisfeita com o resultado, quer sempre que os seus desenhos atinjam a excelência (no seu ponto de vista, claro!).

Devido à tensão, a criança pode chegar a rasgar a folha com o bico do lápis, isto anuncia depressão.

O uso de cores muito sumidas mostra inibição.

Quando a criança desenha objectos completamente desadequados ao ambiente que quer retratar, muito diferentes em relação à realidade e/ou representa predominantemente, nos seus desenhos, personagens sobrenaturais, revela inadaptação, desajustamento da criança à realidade.

A presença de elementos que designam agressividade (personagens e acções) nos desenhos permite perceber que a criança tem medo.


Coelho à minha moda

Esta receita está aqui.

Corte o coelho em pedaços e tempere-o com sal, pimenta em grão, dentes de alhos às rodelas finas e folhas de louro.

Na panela de pressão ou numa caçarola, coloque o azeite e leve a lume brando. Quando estiver quente, adicione o coelho, os alhos laminados e os grãos de pimenta (não junte aquele molho que o coelho costuma ganhar). Tape a panela e deixe estufar, lentamente, durante 20 minutos. De vez em quando, agite a panela.


Entretanto, descasque as batatinhas e passado o tempo indicado, junte-as ao coelho, salpicando-as com o sal e o tomilho. Adicione também os cogumelos, volte a tapar a panela e deixe cozinhar por mais 15 minutos. (Desta vez, a pedido da minha filha, não pus cogumelos. Fica óptimo com ou sem cogumelos). Não esqueça de agitar, de vez em quando, a panela para não se pegar.


Sirva com uma boa salada mista e delicie-se.

Trabalhinhos:

Esta toalha foi feita em parceria com a minha mãe. Quando era miúda, a minha mãe ensinou-me a fazer croché e estas rosetas foram o meu segundo trabalho com linhas. Eram para fazer uma toalha, mas seria preciso dar ao dedo muitas vezes até conseguir ter o número suficiente de rosetas. Então, está-se mesmo a ver, desisti! E as rosetas andaram por ali... A minha mãe dizia-me para ir fazendo... Eu dizia que sim... Mas nada... Pensei, pensei... Até que engendrei uma maneira de utilizar unicamente as rosetas que tinha... Propus à minha mãe este projecto: colocar as rosetas de modo a fazer um centro, bordar uns desenhos e colocar à volta uma rendinha. A minha mãe viu logo que eu não tinha qualquer intenção de fazer mais rosetas e abraçou o meu projecto... Quanto a mim, a toalha ficou muito mais bonita do que se fosse totalmente confeccionada com rosetas. E, no final, a minha mãe concordou comigo. Ah! As rosetas e a rendinha foram feitas por mim, o bordado ficou a cargo da minha mãe.




Travessão: Sol de Outono



quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ai flores, ai flores do verde pino

Flores de feltro em castanho e laranja com botões em fimo.
Bonequinhas em fimo para colocar em porta-chaves, flor em feltro, coração em tecido às riscas debruado a rosa e outras peças em fimo.

Vou propor-vos um desafio: estas flores de feltro foram confeccionadas com que fim? Dêem uma resposta, deixando um comentário e o contacto. Quem acertar, receberá um presente mym. Boa sorte! Participem.
Na próxima sessão eu darei a resposta correcta e revelarei o vencedor do desafio.
Colar para menina com várias peças em fimo, cordão branco e corrente prateada.
Porta-chaves


Olá!
Cá estou outra vez!

Hoje não vos vou propor qualquer passeio. O dia não está nada agradável! Está muito vento, pelo menos por aqui.

Então, decidi escrever sobre o dia-a-dia, algo do tipo "ficar por casa!…”

Eu costumo dizer, às vezes, que os meus dias deveriam ter pelo menos mais umas seis horas. Para quê? Perguntam. Para fazer tudo aquilo de que gosto: dar aulas, ler, conversar com os alunos sobre outras coisas, ler, cuidar das plantas, ler, bordar, ler, moldar, ler, cozinhar, ler, passear, ler, estar com os amigos, ler, passar mais tempo com a família, ler… De facto, não tenho tido muito tempo para ler e é por isso que o repeti uma centena de vezes.

Hoje, quando cheguei da escola, estava a pensar no que havia de fazer para o jantar, tinha de ser algo do agrado de todos. Eu gosto de cozinhar, às vezes, mas não pratos simples e sem graça, gosto de enriquecer os meus cozinhados, de inventar, de misturar ingredientes e cada prato é, muitas vezes ou quase sempre, uma surpresa para todos. Até já perguntam “O que é que inventaste desta vez para o jantar”. Hoje, porém, não inventei nada de novo, porque vou fazer um coelho que fiz outro dia, quando convidei uma amiga. E imaginem o que ela disse! “Já te conheço há uns anitos e nunca pensei que fosses tão boa cozinheira!”. Claro que o meu marido replicou logo que eu era uma caixinha de surpresas, que a maior parte das pessoas desconhecia os meus dotes, bla-bla-bla.

Ora bem, decidi dar-vos a receita do coelho à minha moda, é fácil e muitíssimo apetitoso. Depois, digam se é ou não como eu digo.


Ingredientes:

1 coelho

4 dentes de alho

2,5 dl de azeite

Batatas pequenas

200 g de cogumelos inteiros

Tomilho

Sal

Pimenta em grão

Louro

Corte o coelho em pedaços e tempere-o com sal, pimenta em grão, dentes de alhos às rodelas finas e folhas de louro.

Na panela de pressão ou numa caçarola, coloque o azeite e leve a lume brando. Quando estiver quente, adicione o coelho, os alhos laminados e os grãos de pimenta (não junte aquele molho que o coelho costuma ganhar). Tape a panela e deixe estufar, lentamente, durante 20 minutos. De vez em quando, agite a panela.

Entretanto, descasque as batatinhas e passado o tempo indicado, junte-as ao coelho, salpicando-as com o sal e o tomilho. Adicione também os cogumelos, volte a tapar a panela e deixe cozinhar por mais 15 minutos. Não esqueça de agitar de vez em quando a panela para não se pegar. Sirva com uma boa salada mista e delicie-se.


E como “nem só de comer vive o homem”, vou mostrar-vos as plantas e flores que tenho no meu jardim. Noutra altura, mostrar-vos-ei as plantas de interior. E na Primavera, voltarei ao tema, porque há flores que só nessa época florescem. Espero que gostem!






Bem, não imaginam onde está esta planta: junto ao poste da luz, dentro do espaço que deixaram no passeio para a colocação do candeeiro.

O meu alecrim está carregadinho de flores brancas. Lindo!



A minha oliveira está a ficar cada vez mais bonita!

A cameleira veio da outra casa, estava num local abrigado e estava linda, trouxe-a comigo e uma outra de flores brancas que não resistiu ao vento que se sente por aqui. Esta esteve muito feia, completamente depenada, mas este ano já deu flor, já se habituou ao nosso amigo vento.

Como o tema foram as flores e as plantas do meu jardim, aqui fica um poema de D. Dinis, uma cantiga de amigo.

-Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?

Ai, flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pos comigo!
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado
aquel que mentiu do que mi ha jurado!
Ai Deus, e u é?

-Vós me preguntades polo voss'amigo,
e eu ben vos digo que é san'e vivo.
Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades polo voss'amado,
e eu ben vos digo que é viv'e sano.
Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é san'e vivo
e seerá vosc'ant'o prazo saído.
Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é viv'e sano
e seerá vosc'ant'o prazo passado.
Ai Deus, e u é?

pino: pinheiro

novas: notícias

e u é?: e onde ele está?

do que pôs comigo: sobre aquilo que combinou comigo (isto é, o encontro sob os pinheiros)

preguntades: perguntais

polo: pelo

que é san’e vivo: que está são (com saúde e vivo)

e seera vosc’ant’o prazo saído (passado): e estará convosco antes de terminar o prazo combinado

Este tipo de cantiga teve origem na Península Ibérica. Nela, o sujeito poético é uma donzela (mas o autor era um homem, devido à sociedade feudal e ao restrito acesso ao conhecimento na época), que canta seu amor pelo amigo (amigo = namorado), muitas vezes em ambiente natural. A figura feminina que as cantigas de amigo desenham é, pois, a da jovem que se inicia no universo do amor, lamentando, por vezes, a ausência do amado, outras vezes cantando a sua alegria pelo próximo encontro. Aqui, nesta cantiga, a donzela pergunta às flores dos pinheiros (elementos personificados) notícias do seu amado, por onde andará ele? Ele ter-lhe-á mentido, isto é, teria marcado um encontro, ao qual ainda não compareceu. Os pinheiros respondem à donzela que o seu amado está bem de saúde e vivo e que se encontrará com ela antes de terminar o prazo combinado.