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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dedicatória (d'Os Lusíadas)

Do Padrão dos Descobrimentos, vislumbrava-se uma paisagem difusa, a neblina descia sobre tudo como uma cortina que teimava esconder a beleza circundante. Conta a lenda que D. Sebastião tornará um dia, numa manhã, como esta, de nevoeiro!




Dedicatória


A dedicatória é uma parte facultativa da estrutura da epopeia. Camões inclui-a n’ Os Lusíadas ao dedicar a sua obra ao rei D. Sebastião.

Nessa altura, D. Sebastião era ainda muito jovem e por isso era visto como a esperança da pátria portuguesa na continuação da difusão da fé e do império.

D. Sebastião, rei de Portugal de 1568 a 1578, foi o penúltimo rei antes do domínio espanhol (1580-1640). O seu prematuro desaparecimento numa manhã de nevoeiro na batalha de Alcácer Quibir deu origem ao mito sebastianista, um sentimento muito português, que nasceu de uma lenda e que tem povoado o imaginário colectivo do nosso povo, ao longo dos séculos.

A lenda sebastianista continua envolta numa rede de incertezas e mitos. Realmente, não é incontestável afirmar que D. Sebastião morreu na batalha de Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578, ainda que essa seja a versão mais pacífica. O médico Mário Saraiva, por exemplo, publicou um estudo intitulado Dom Sebastião - Na História e na Lenda, no qual advoga que o rei não morreu nessa data, apoiando-se em documentos, nos quais se vêem escritas frases como esta: «Era um facto que ninguém vira morrer o rei». De acordo com a investigação de Mário Saraiva, D. Sebastião foi batalhar em Alcácer Quibir por ter sido vítima de uma cilada por parte de Espanha, no fito de levarem o jovem rei à morte, o que abriria caminho à dominação filipina em Portugal, a qual acabou por se concretizar.

Segundo Mário Saraiva, a corte filipina chegou a intervir no sentido de os portugueses perderem a batalha de Alcácer Quibir, tentando matar D. Sebastião quando este pelejava em Marrocos. A cilada montada por Espanha não resultou e o rei refugiou-se num ermitério, após a batalha. Quando se apercebeu que tinha sido destronado, apelou ao Vaticano e fugiu para Vicenza, de onde foi expulso em 16 de Dezembro de 1600. Posteriormente, alojou-se em Nápoles, onde foi acolhido pelo conde de Lemos.

De acordo com a investigação de Mário Saraiva, a prova está numa directiva do Papa Urbano VIII, de 20 de Outubro de 1630, onde se pode ler: «Fazemos saber que por parte do nosso filho D. Sebastião, rei de Portugal, nos foram apresentadas pessoalmente no Castelo de Santo Ângelo duas sentenças de Clemente VIII e Paulo V, nossos antecessores (...), em que constava estar justificado largamente ser o próprio rei e nesta conformidade estava sentenciado para lhe largar (o trono) Filipe III, rei de Espanha, ao que (este) não quis nunca satisfazer, pedindo-nos agora (que) tornássemos a examinar os processos (...)»

Sem dúvida uma versão fascinante, que vem pôr em causa as teses que até agora vigoraram.


Metáfora

O elogio ao rei está presente em toda a dedicatória, mas é desde logo visível nas primeiras três estrofes, salientando-se as várias metáforas, nomeadamente: “Vós, tenro e novo ramo florescente”, que realça a jovialidade do rei.

A metáfora é um recurso estilístico que permite estabelecer uma relação de semelhança sem o uso de elementos específicos de comparação (“como”, “equivalente”, “parecido”, “semelhante”, “igual”).

Aposto

O aposto é uma expressão que vem imediatamente a seguir a outra, normalmente entre vírgulas e que surge como uma caracterização ou explicação complementar.

A expressão “poderoso rei” exerce a função de aposto, pois surge a seguir ao pronome “Vós”, adicionando-lhe uma informação que o torna mais completo.

Sinédoque

Na caracterização de D. Sebastião, o poeta usa frequentemente a sinédoque – figura de estilo em que se troca a palavra que indica o todo de um ser por outra que indica apenas uma parte dele:

“Vós, ó novo temor da Maura lança,”

Embora só se refira à lança, o poeta pretende designar todo o exército de mouros.


Linguagem argumentativa


Para além do elogio ao rei, Camões pretende convencê-lo a aceitar o seu canto, por isso recorre a uma linguagem argumentativa, sendo a função de linguagem predominante a apelativa. O poeta recorre a numerosos vocativos, apóstrofes e ao uso frequente do modo imperativo. Há quem considere que o discurso da Dedicatória segue a estrutura própria do género oratório.

O poeta chama constantemente a atenção do seu destinatário, D. Sebastião, para o que o poema vai celebrar.

Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido e explicado de forma a persuadir o ouvinte/leitor. Por isso, é necessário que apresentemos um raciocínio coerente e convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levando-o a pensar/agir em conformidade com os nossos objectivos.

Há três fases na produção de um texto argumentativo: na primeira trabalha-se sobre textos diversos com a intenção de criar um estado de opinião, na segunda, recolhe-se de forma individual informação variada sobre o tema; na terceira realizam-se trabalhos de escrita e aperfeiçoamento textual.

O texto argumentativo deve começar por uma introdução que ocupa normalmente um parágrafo; segue-se o desenvolvimento, em parágrafos que contêm os argumentos e os contra-argumentos, seguidos de exemplos; finalmente, uma conclusão, de parágrafo único, que retoma a afirmação inicial provada ou contrariada. Os vários parágrafos devem estar encadeados uns nos outros pelos articuladores (conjunções e locuções coordenativas e subordinativas) do discurso ou conectores lógicos (de causa-efeito-consequência, hipótese-solução, etc.).




Fui ver um concerto desta menina ao CCC e foi simplesmente maravilhoso. Depois do espectáculo, a Rita deu beijinhos e autógrafos e tirou milhares de fotos, sempre com o maior dos sorrisos a bailar-lhe nos lábios, uma simpatia.


A Mena na cozinha


Salada de duas caras


feijão frade cozido
ovos cozidos
atum
tomate
canónigos
queijo em fios
sal
pimenta
azeite
vinagre

Coza o feijão e os ovos. Numa saladeira, misture todos os ingredientes: o feijão, os ovos e o tomate cortados aos pedaços, os canónigos e o atum. Tempere com sal, pimenta, azeite e vinagre.

Sirva salpicado com queijo em fios.
Bom apetite!

Trabalhito:

Colar em trapilho