A lírica camoniana
A mudança
A mudança
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Podes encontrar outra análise deste soneto aqui!
A mudança
Este soneto tem como tema um motivo tipicamente renascentista, de raiz greco-latina, a mudança. Repara nos vocábulos que remetem para a ideia de mudança: formas verbais (se muda, mudam-se, muda-se, mudar-se, converte); nomes (novidades, mudança); adjectivos (diferentes, novas).
A ideia de mudança contínua e irreversível é sugerida através de mecanismos, como:
- a repetição do verbo "mudar" e de palavras suas cognatas (aquelas que apresentam o mesmo radical);
- a estrutura paralelística ("Mudam-se..., mudam-se..., /muda-se..., muda-se...,);
- o vocabulário relacionado com a mudança.
A UNIVERSALIDADE
A mudança é apresentada como uma característica universal e, para provar esta universalidade, o sujeito poético refere os vários domínios por ela afectados:
no Mundo
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
no Homem
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
na Natureza
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
no sujeito poético
e, em mim, converte em choro o doce canto.
O PESSIMISMOA ideia de mudança contínua e irreversível é sugerida através de mecanismos, como:
- a repetição do verbo "mudar" e de palavras suas cognatas (aquelas que apresentam o mesmo radical);
- a estrutura paralelística ("Mudam-se..., mudam-se..., /muda-se..., muda-se...,);
- o vocabulário relacionado com a mudança.
A UNIVERSALIDADE
A mudança é apresentada como uma característica universal e, para provar esta universalidade, o sujeito poético refere os vários domínios por ela afectados:
no Mundo
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
no Homem
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
na Natureza
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
no sujeito poético
e, em mim, converte em choro o doce canto.
Nas duas quadras e no primeiro terceto há uma referência à mudança no Mundo, no Homem, na Natureza e no próprio sujeito poético.
Podemos considerar que o sujeito poético perspectiva quase toda a mudança no sentido: bem -> mal.
Para o sujeito lírico as mudanças no Mundo, no Homem e no "eu" lírico encaminham-se para um estado mais negativo, pois nelas o mal permanece e intensifica-se, prolongando-se no espaço e no tempo, ao passo que o bem desaparece.
Ao contrário destas, a mudança que se opera na Natureza é a única que se encaminha para um estado positivo.
Ao contrário destas, a mudança que se opera na Natureza é a única que se encaminha para um estado positivo.
A mudança
A mudança processa-se de modo diferente na Natureza e no Homem e mais concretamente no sujeito poético, estando intimamente relacionada com o conceito de tempo. Assim, podemos distinguir o Tempo natural do Tempo humano. O tempo natural, cujos mecanismos de mudança operam ciclicamente, ao mal sucede o bem, ao Inverno sucede sempre a Primavera, contribui para uma certa estabilidade e permanência. Em contrapartida, o tempo humano, linear e irreversível, caracteriza-se pela instabilidade, pelo absurdo e pelo caos e caminha apenas num sentido, para pior.
No último terceto, apresenta-se uma outra mudança que vai constituir a chave de ouro do soneto: a inesperada mudança da própria mudança.
A conjunção copulativa "e" e a preposição "afora" (além de) acrescentam mais uma mudança, que consiste na mudança da própria mudança. Esta última vem acentuar o tom pessimista de todo o soneto, intensificando o desânimo e angústia do sujeito poético que se sente manipulado pelo Destino e pela Fatalidade.
Tudo é foi
Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.
Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.
Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.
Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.
Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.
No último terceto, apresenta-se uma outra mudança que vai constituir a chave de ouro do soneto: a inesperada mudança da própria mudança.
A conjunção copulativa "e" e a preposição "afora" (além de) acrescentam mais uma mudança, que consiste na mudança da própria mudança. Esta última vem acentuar o tom pessimista de todo o soneto, intensificando o desânimo e angústia do sujeito poético que se sente manipulado pelo Destino e pela Fatalidade.
Tudo é foi
Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.
Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.
Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.
Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.
Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.
António Gedeão
Após a leitura do poema de António Gedeão, verificamos semelhanças entre este poema e o soneto camoniano anteriormente analisado.
O último verso do poema de António Gedeão, "Tudo é foi. Nada acontece.", sugere o pessimismo que o sujeito poético sente em relação à mudança.
Também para o sujeito poético de "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" existe uma atitude pessimista em relação à mudança, pois também esta "não se muda já como soía".
Tempere a solha com sal, alho picado, pimenta e sumo de limão. Deixe a marinar durante 1 hora. Faça uma cama com a cebola cortada às rodelas, três tomates aos pedaços e os pimentos às tiras.
Disponha as postas de solha sobre a caminha.
Regue tudo com o molho da marinada e com um pouco de azeite. Corte o tomate reservado às meias-luas e coloque sobre o peixe e leve ao forno.
Sirva com batatinhas bravas!
Bom apetite!
Trabalhinho:

O último verso do poema de António Gedeão, "Tudo é foi. Nada acontece.", sugere o pessimismo que o sujeito poético sente em relação à mudança.
Também para o sujeito poético de "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" existe uma atitude pessimista em relação à mudança, pois também esta "não se muda já como soía".
A Mena na cozinha
Solha no forno
Solha no forno
8 postas de solha
1 cebola
4 tomates
1 pimento verde
1 pimento
laranja
2 dentes de alho
azeite
sal
pimenta
azeite
1 cebola
4 tomates
1 pimento verde
1 pimento
laranja
2 dentes de alho
azeite
sal
pimenta
azeite
Bom apetite!
Trabalhinho: