E até do que hoje sou
No entardecer da terra
O sopro do longo Outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve, e revolve,
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
E o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
Amanhã direi, "quem dera
Volver a sê-lo!... Mais frio
O vento vago voltou.
Fernando Pessoa
O assunto do poema é a passagem do tempo e as transformações que esta provoca.
O sujeito poético começa por referir o Outono e os seus efeitos sobre a natureza, salientando o carácter triste desta estação, dado provocar o amarelecimento, o vento que agita as folhas e não as deixa sossegar, culminando na expiração.
Na última estrofe, aponta-se o estado de espírito do sujeito lírico que constata que também ele mudou e emite o desejo de voltar a ser o que fora, embora verifique a impossibilidade de ser o que já fora, porque o frio que se acentuara lá fora se assemelhava ao que interiormente sentia.
O sujeito lírico sugere uma imagem do real que associa a "um sonho mau num sono", é a terra no seu fim, onde o chão "amareleceu" com "o sopro do longo Outono", isto é, a terra "foi varrida" por ventos, aqui sinónimo de conflitos, que fazem dela um lugar vazio, onde o homem não sente prazer em viver. E tal como a terra se encontra em definhamento, e observando a luta que as folhas empreendem contra a força destruidora do vento, sem, contudo, conseguirem vencer as contrariedades naturais, também o sujeito poético se sente frustrado e triste, por não conseguir a estabilidade emocional que outrora teve, nem mesmo combater a solidão que nele se instalou.
Os sons nasais (m, n, ão) presentes no poema sugerem melancolia e tristeza; a revolta está expressa nos sons v e s que remetem para o tumulto, para a intranquilidade presente na natureza e no estado de espírito do sujeito lírico.
Neste poema encontramos o tom confessional, o carácter embalatório, a solidão interior, a impossibilidade de viver a vida, temas do gosto dos românticos e que nos permitem estabelecer um paralelismo entre Fernando Pessoa e os movimentos anteriores, e até com o simbolismo e o saudosismo, aqui em evidência pelas características da natureza em tumulto, a simbolizar a inquietação do sujeito poético, e pelo desejo de voltar atrás. O poema, a nível formal, tem estrofes e métrica regulares, versos curtos e o ritmo é lento e embalatório.
Na última estrofe, aponta-se o estado de espírito do sujeito lírico que constata que também ele mudou e emite o desejo de voltar a ser o que fora, embora verifique a impossibilidade de ser o que já fora, porque o frio que se acentuara lá fora se assemelhava ao que interiormente sentia.
O sujeito lírico sugere uma imagem do real que associa a "um sonho mau num sono", é a terra no seu fim, onde o chão "amareleceu" com "o sopro do longo Outono", isto é, a terra "foi varrida" por ventos, aqui sinónimo de conflitos, que fazem dela um lugar vazio, onde o homem não sente prazer em viver. E tal como a terra se encontra em definhamento, e observando a luta que as folhas empreendem contra a força destruidora do vento, sem, contudo, conseguirem vencer as contrariedades naturais, também o sujeito poético se sente frustrado e triste, por não conseguir a estabilidade emocional que outrora teve, nem mesmo combater a solidão que nele se instalou.
Os sons nasais (m, n, ão) presentes no poema sugerem melancolia e tristeza; a revolta está expressa nos sons v e s que remetem para o tumulto, para a intranquilidade presente na natureza e no estado de espírito do sujeito lírico.
Neste poema encontramos o tom confessional, o carácter embalatório, a solidão interior, a impossibilidade de viver a vida, temas do gosto dos românticos e que nos permitem estabelecer um paralelismo entre Fernando Pessoa e os movimentos anteriores, e até com o simbolismo e o saudosismo, aqui em evidência pelas características da natureza em tumulto, a simbolizar a inquietação do sujeito poético, e pelo desejo de voltar atrás. O poema, a nível formal, tem estrofes e métrica regulares, versos curtos e o ritmo é lento e embalatório.
A Mena na cozinha
Sorvete de alfazema
Sorvete de alfazema
4 a 6 flores de alfazema
6 dl de natas
casca de limão
150 g de açúcar
4 gemas de ovo
6 dl de natas
casca de limão
150 g de açúcar
4 gemas de ovo
Trabalhinho: