Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
300 g de farinha de trigo integral
50 g de sémola de trigo
2 colheres (sobremesa) de fermento em pó
10 colheres (sopa) de açúcar
1 dl de leite de soja
1 dl de azeite
5 colheres (sopa) de mel
6 ovos inteiros
2 chávenas de miolo de noz
Ligue o forno e pré-aqueça a 180º.
Unte a forma (redonda) com cerca de 22 cm de diâmetro com margarina e polvilhe com farinha.
Coloque a farinha, a sémola, o açúcar e o fermento, numa tigela, e misture bem.
Adicione o leite, o azeite, o mel e os ovos e mexa com uma colher de pau até ficar tudo bem ligado. Pique grosseiramente o miolo de noz e misture-o na massa.
Deite na forma e leve ao forno.
Desenforme e delicie-se!
A estrofe 119 apresenta-nos o Amor personificado como causa não só deste caso triste, mas também de todos os males. Assim, o poeta dirige-se ao Amor (personificação e apóstrofe), caracterizando-o antiteticamente: "Tu, só tu, puro Amor, com força crua / Que os corações humanos tanto obriga, / Deste causa à molesta morte sua / ... áspero e tirano..." ( repara na antítese: por um lado, o Amor é puro, atrai irresistivelmente o coração humano, mas por outro, age com força crua, é fero Amor, áspero e tirano). Por meio destas antíteses, o poeta pretendeu apresentar o amor como um sentimento contraditório, continuamente a seduzir (que os corações tanto obriga), mas sempre pronto a gerar as maiores tragédias (tuas aras banhar em sangue humano).
O poeta apresenta aqui o Amor mais do que personificado: é uma autêntica divindade sedutora que oferece com uma mão o prazer, mas com a outra, a tragédia da dor e do sofrimento. Esta estrofe é uma poetização da causa da tragédia de Inês: tudo sucedeu por causa do amor. Daí a insistência dos vocativos (apóstrofes), atacando o amor: Tu, só tu, puro Amor... fero Amor, áspero e tirano... Passamos agora às estofes 120 e 121. O poeta apresenta-no Inês, linda, jovem, apaixonada e saudosa, o que é sugerido nos adjectivos e expressões: "linda Inês", "de teus anos colhendo doce fruito", "naquele engano de alma ledo e cego" ( dupla adjectivação e antítese), "nos saudosos campos do Mondego", "de teus formosos olhos nunca enxuito" (a persistência das lágrimas, mas apenas de saudade), "as lembranças que na alma lhe moravam" (o verbo morar - verbo expressivo - sugere a persistência das lembranças), "doces sonhos que mentiam" (a antítese entre os sonhos que eram doces, mas mentiam), "pensamentos que voavam" (metáfora, sugerindo a facilidade com que a sua imaginação se transportava até ao príncipe). Os dois últimos versos desta estrofe (120) são muito expressivos: "Aos montes ensinando e às ervinhas / O nome que no peito escrito tinhas". Esta bela imagem, em que a natureza nos aparece personificada (como confidente) a ouvir as confidências de Inês, sugere que a causa dos únicos cuidados e saudades que toldavam um pouco a sua felicidade era conhecida até pelos montes e ervinhas: o amor do seu príncipe bem gravado no coração.
Mas as duas estrofes que estamos a analisar dão-nos ainda a imagem de uma mulher apaixonada e feliz, embora essa felicidade fosse já toldada pelas saudades do príncipe, tantas vezes ausente. Esta felicidade, ainda um tanto despreocupada de Inês (ela estava longe de prever a fatalidade que a esperava) é sugerida sobretudo pelas expressões: linda Inês, colhendo o doce fruito de teus anos e quanto enfim cuidava e quanto via /Eram tudo memórias de alegria. Esta felicidade despreocupada de Inês é posta antecipadamente, no texto, como contraste com a infelicidade inesperada que sobre ela se vai abater. Ela não sabia das intrigas que contra ela se moviam. Quando a tragédia sobre ela se abater, o poeta tem o ambiente preparado para a fazer surgir como vítima inocente. Além disso, a imagem que o poeta nos dá de Inês, em que a felicidade aparece um tanto toldada pela saudade da ausência, reveste-se de um encanto de tonalidades românticas, que a tornam mais sedutora e revelam a exaltação emocional posta por Camões no tratamento desta mísera e mesquinha, que depois de morta foi rainha.
Mas se é verdade que nestas duas estrofes (120 e 121) se observa ainda uma certa felicidade despreocupada de Inês, surgem aqui já expressões premonitórias, ou presságios da tragédia iminente: Naquele engano de alma, ledo e cego, / que a fortuna não deixa durar muito. Aquela felicidade de Inês era afinal um engano de alma, ledo e cego (antítese) que o destino (a fortuna) não deixará durar muito. Significado premonitório de mau presságio tem ainda a expressão doces sonhos que mentiam (a felicidade era enganadora).
Como características estilísticas, nota ainda o uso persistente do imperfeito do indicativo e do gerúndio, tornando a narração-descrição mais visualista (estavas, colhendo, ensinando, tinhas, respondiam, moravam, traziam, etc.) e a frequente inversão da ordem das palavras (hipérbato), o que se verifica nos versos 2 e 3 da estrofe 120 e nos quatro primeiros versos da estrofe 121.
X
Fenómenos fonéticos
SONORIZAÇÃO - É a passagem de uma consoante surda a sonora. Isto só acontece se a consoante surda estiver em posição intervocálica:
- de p para b:
capio > caibo
lupu > lobo
sapui > soube
- de t para d:
civiate > cidade
citu > cedo
maritu > marido
- de c para g:
pacare > pagar
aqua > água
aquila > águia
- de c (+e, +i) para z:
acetu > azedo
vicinu > vizinho
facere > fazer
- de f para v:
profectu > proveito
aurifice > ourives
A passagem de b para v tem o nome de DEGENERAÇÃO:
- de b para v:
caballu > cavalo
faba > fava
populu > pobo > povo
PALATALIZAÇÃO - A Palatalização consiste na transformação de um ou mais fonemas numa palatal. Geralmente isto acontece com:
- n + vogal (e, i) > NH:
vinea > vinha
aranea > aranha
seniore > senhor
junio > Junho
- l + vogal (e, i) > LH:
palea > palha
folia > folha
juliu > Julho
- d + vogal (e, i) > J:
video > vejo
hodie > hoje
invidia > inveja
- pl, cl, fl > CH:
pluvia > chuva
implere > encher
clave > chave
masculu > masclu > macho
flamma > chama
inflare > inchar
- cl, pl, gl > LH:
oculu > oclo > olho
apicula > apecla > abelha
scopulu > scoplo > escolho
tegula > tegla > telha
- sc, ss (i, e) > X:
pisce > peixe
passione > paixão
miscere > mexer
russeu > roxo
- s (i) > J:
cerevisia > cerveja
basiu > beijo
ecclesia > igreja
DITONGAÇÃO - É esta a denominação correspondente à passagem de um hiato, ou de uma vogal, a ditongo:
malo > mao > mau
sto > estou
do > dou
arena > area > areia
A Mena na cozinha
Bolo de nozes
5 ovos
125 g de açúcar
2 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de mel
200 g de miolo de noz
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de erva-doce em pó
200 g de farinha
1 colher de chá bem cheia de fermento em pó
Aqueça o forno a 180º . Bata as gemas com o açúcar até ficar um creme fofo e esbranquiçado. Adicione o azeite e o mel, continuando a bater. Misture as nozes picadas, a canela e a erva-doce. Bata as claras em castelo e no fim junte-lhe as duas colheres de açúcar, continuando a bater até ficarem bem firmes. Junte ao preparado, envolvendo bem, sem bater. Misture o fermento com a farinha e adicione ao preparado anterior, sem bater, até ficar bem incorporada. Deite numa forma untada com margarina ou pincelada com azeite, polvilhe com farinha e leve ao forno cerca de 30 minutos. Quando estiver quase cozido, enfeite com meias nozes. Este bolo é uma delícia e muito perfumado.
Bom apetite!