Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

No meu mundo!



Uma aula diferente

Hoje, entrámos todos muito bem dispostos na aula. Alguns alunos estavam mascarados e a primeira coisa que fizeram foi pespegarem-me um beijo na cara, um de cada lado: um beijo negro, outro vermelho.

O David (não há quem pare este rapaz!) pegou-me ao colo e não me largou, enquanto não registassem o momento. "Stora, é Carnaval, ninguém leva a mal!"

A aula continuou na Biblioteca. Os alunos, primeiro, não acharam muita graça à minha proposta... Esta actividade tinha a ver com o Dia de São Valentim, mas não pôde ser feita nessa data, por causa da conferência Com Tito de Morais.

Distribui o material: lápis de cor, tesouras, furador, folhas de shrinkles... Expliquei o que tinham de fazer... Alguns torceram o nariz, mas não tiveram outro remédio...

De vez em quando, fazia-se uma pausa para a fotografia da praxe!

Entretanto, todos abraçaram a ideia e puseram-se ao trabalho...

O David fez uns chinelos, mas como é muito apressado, recortou tudo "às três pancadas"!
Ao tentar remediar a coisa, o pior aconteceu...

A Sónia fez uns ténis...

Mais um sorriso para a objectiva...

A Carolina fez um lindo coração!

Agora é só furar e levar ao forno para cozer!


Mais uma voltinha, mais uma fotografia!

Depois de desenharmos e de pintarmos os trabalhinhos feitos com a folha de shrinkles e antes de os levarmos a cozer no forno, faz-se um furo com um furador.

É só um bocadinho, Maitri, já te passo o furador!

E agora, tudo para o forno...

Depois de cozidos, os trabalhos colocam-se dentro de um livro até arrefecerem...

Cá está um trabalhinho cozido...

Para termos os porta-chaves prontos, só falta colocar a argola...

Cá estão eles nas mãos dos seus autores...

- Ah, e eu é que tenho muito estilo!

Mais uma foto...

Enquanto uns terminam os trabalhinhos, outros lêem...

E outros tiram fotografias...

Cá estão alguns dos trabalhos!

E pronto, afinal todos gostaram!

No fim até perguntaram se podiam ter mais aulas assim!

let's play a while... Dia XVII - Water

Não pode faltar água à nossa mesa!
Esta menina é a minha filhota!

Olhar a água do mar faz-me bem, tranquiliza-me... E que bom é ouvir o marulhar das ondas!

O orvalho da manhã: uma quantidade infinita de gotículas dos mais variados tamanhos e formas... Que belos espectáculos nos prepara a natureza!

A água da piscina com mil reflexos...

A água que corre em todas as nossas torneiras! Esta é da sogrinha!

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

lamento para a língua portuguesa



não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.
mostras por ti o que lhe vais fazer:
vai-se por cá mingando e desistindo,
e desde ti nos deitas a perder
e fazes com que fuja o teu poder
enquanto o mundo vai de nós fugindo:
ruiu a casa que és do nosso ser
e este anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nós já falamos nem sequer fingindo
que só ruínas vamos repetindo.
talvez seja o processo ou o desnorte
que mostra como é realidade
a relação da língua com a morte,
o nó que faz com ela e que entrecorte
a corrente da vida na cidade.
mais valia que fossem de outra sorte
em cada um a força da vontade
e tão filosofais melancolias
nessa escusada busca da verdade,
e que a ti nos prendesse melhor grade.
bem que ao longo do tempo ensurdecias,
nublando-se entre nós os teus cristais,
e entre gentes remotas descobrias
o que não eram notas tropicais
mas coisas tuas que não tinhas mais,
perdidas no enredar das nossas vias
por desvairados, lúgubres sinais,
mísera sorte, estranha condição,
mas cá e lá do que eras tu te esvais,
por ser combate de armas desiguais.
matam-te a casa, a escola, a profissão,
a técnica, a ciência, a propaganda,
o discurso político, a paixão
de estranhas novidades, a ciranda
de violência alvar que não abranda
entre rádios, jornais, televisão.
e toda a gente o diz, mesmo essa que anda
por tal degradação tão mais feliz
que o repete por luxo e não comanda,
com o bafo de hienas dos covis,
mais que uma vela vã nos ventos panda
cheia do podre cheiro a que tresanda.
foste memória, música e matriz
de um áspero combate: apreender
e dominar o mundo e as mais subtis
equações em que é igual a xis
qualquer das dimensões do conhecer,
dizer de amor e morte, e a quem quis
e soube utilizar-te, do viver,
do mais simples viver quotidiano,
de ilusões e silêncios, desengano,
sombras e luz, risadas e prazer
e dor e sofrimento, e de ano a ano,
passarem aves, ceifas, estações,
o trabalho, o sossego, o tempo insano
do sobressalto a vir a todo o pano,
e bonanças também e tais razões
que no mundo costumam suceder
e deslumbram na só variedade
de seu modo, lugar e qualidade,
e coisas certas, inexactidões,
venturas, infortúnios, cativeiros,
e paisagens e luas e monções,
e os caminhos da terra a percorrer,
e arados, atrelagens e veleiros,
pedacinhos de conchas, verde jade,
doces luminescências e luzeiros,
que podias dizer e desdizer
no teu corpo de tempo e liberdade.
agora que és refugo e cicatriz
esperança nenhuma hás-de manter:
o teu próprio domínio foi proscrito,
laje de lousa gasta em que algum giz
se esborratou informe em borrões vis.
de assim acontecer, ficou-te o mito
de haver milhões que te uivam triunfantes
na raiva e na oração, no amor, no grito
de desespero, mas foi noutro atrito
que tu partiste até as próprias jantes
nos estradões da história: estava escrito
que iam desconjuntar-te os teus falantes
na terra em que nasceste, eu acredito
que te fizeram avaria grossa.
não rodarás nas rotas como dantes,
quer murmures, escrevas, fales, cantes,
mas apesar de tudo ainda és nossa,
e crescemos em ti. nem imaginas
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, vãs aspirinas,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vidas novas repentinas.
enredada em vilezas, ódios, troça,
no teu próprio país te contaminas
e é dele essa miséria que te roça.
mas com o que te resta me iluminas.

Vasco Graça Moura

let's play a while... Dia XVI - Morning


Hoje, quando me levantei, o sol já estava bem acordado!
Quando abri a porta para sair, o sol espreitava-me já através dos pinheiros. O céu estava azul e cheirava a Primavera, até o frio foi passear para outro lado e tive vontade de cantar e de dançar ao som do louco chilreado dos pardais que teimam vir, com ou sem frio, todos os dias, dar-me os bons-dias. Bom-dia Sol, bom-dia árvores, bom-dia passarinhos, bom-dia, bom-dia... e rodopio na ponta dos pés para abarcar toda a beleza, cor e movimento que me rodeia...

BOM-DIA!


Não Basta

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.



Alberto Caeiro

No meu mundo!




Com estilo!

Os meus alunos, agora, deram para dizer que eu tenho muito estilo, que sou a professora com mais estilo da escola. Perguntei-lhes o que entendiam por estilo. Ficaram a olhar-me por segundos, desconfiados, e foi uma aluna que respondeu assim:

- Não esteja já com esse olhar (os alunos dizem que eu falo mais com os olhos do que com a boca, que lhes basta olhar para os meus olhos para verem a minha alma toda a nu: está zangada, está divertida, está prestes a explodir, está contente, não está a gostar de alguma coisa, está com um olhar de malandra, está desconfiada...). Professora, uma pessoa com estilo é uma pessoa diferente das outras, mas para melhor! A professora veste-se bem, anda sempre muito bem arranjada, mas não anda toda empiriquitada, está a ver? Sabe conjugar as coisas, as suas bijutarias são diferentes, ninguém tem igual... É como se fosse uma pessoa única, não há no mundo outra igual a si!

Pronto, já entendi, atirei-lhes para rematar a conversa. Numa palavra "Sou gira e ando gira" disse a rir.

- Ó professora, está sempre a levar tudo para a brincadeira.

- Bem, meninos, vamos lá para a aula, chega de conversa, vejam lá se me fazem perder o estilo...

E lá fomos.


A palavra estilo, do latim stilu(m), designava originalmente uma pequena haste usada para escrever, uma espécie de caneta...

A palavra estilo sofreu alterações de acordo com o desenvolvimento da sociedade...


Vejamos o significado de estilo:

1. forma particular de falar ou escrever: o estilo de um orador, de um escritor...

2. características de um objecto que correspondem a uma época ou lugar: um móvel de e

3. forma de se vestir ou comportar: ter um estilo descontraído, por exemplo.



Fim do euro, recomendações práticas


Informação – por Pedro Braz Teixeira


A saída do euro pode ocorrer de forma muito caótica, podendo levar ao colapso temporário do sistema de pagamentos e de distribuição

O risco de saída de Portugal do euro tem associados múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros activos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, acções e imobiliário, entre outros).

Considero que todos os portugueses devem “subscrever” seguros contra estes riscos, tal como fazem um seguro contra o incêndio da sua própria casa. Quando se compra este seguro, o que nos move não é a expectativa de que a nossa casa sofra um incêndio nos meses seguintes, um acontecimento com uma probabilidade muito baixa, mas sim a perda gigantesca que sofreríamos se a nossa habitação ardesse.

Quais são as consequências imediatas de Portugal sair do euro? A nova moeda portuguesa (o luso?) sofreria uma desvalorização face ao euro de, pelo menos, 20%. Todos os depósitos bancários seriam imediatamente transformados em lusos, perdendo, pelo menos, 20% em valor. Todos os depósitos ficariam imediatamente indisponíveis durante algum tempo (dias? semanas?) e não haveria notas e moedas de lusos, porque o nosso governo e o Banco de Portugal não consideram necessário estarmos preparados para essa eventualidade.

O mais provável é que a saída do euro fosse anunciada numa sexta-feira à tarde, havendo apenas o fim de semana para tratar da mudança de moeda. Logo, na sexta-feira os bancos retirariam todas as notas de euros das máquinas de Multibanco e quem não tivesse euros em casa ou na carteira ficaria sem qualquer meio de pagamento.

Durante algumas semanas (ou mais tempo) teríamos um colapso do sistema de pagamentos e, provavelmente, também um corte nos fornecimentos. As mercearias e os supermercados ficariam incapazes de se reabastecer, devido às dificuldades associadas à troca de moeda.

Estes “seguros” de que falo, contra este cenário catastrófico, não podem ser comprados em nenhuma companhia de seguros, mas podem ser construídos por todos os portugueses, estando ao alcance de todos, adaptados à sua realidade pessoal.

O que recomendo é algo muito simples que – todos – podem fazer. Ter em casa dinheiro vivo num montante da ordem de um mês de rendimento e a despensa cheia para um mês. Esta ideia de um mês de prevenção é indicativa e pode ser adaptada à realidade de cada família.

Não recomendo que façam isso de forma abrupta, mas lentamente e também em função das notícias que forem saindo. De cada vez que levantarem dinheiro, levantem um pouco mais que de costume e guardem a diferença. De cada vez que fizerem compras tragam mais alguns produtos para a despensa de reserva. Aconselho que procurem produtos com fim de validade em 2013 ou posterior, mas, nos casos em que isso não seja possível, vão gastando os produtos de reserva e trocando-os por outros com validade mais tardia. Desta forma, sem qualquer ruptura, vão construindo calmamente os vossos seguros contra o fim do euro.

Quanto custará este seguro? Pouquíssimo. Em relação ao dinheiro de reserva, o custo é deixarem de receber os juros de depósito à ordem, que ou são nulos ou são baixíssimos. Em relação aos produtos na despensa de reserva, é dinheiro empatado, que também deixa de render juros insignificantes.

Quais são os benefícios deste seguro? Se o euro acabar em 2012, como prevejo, o dinheiro em casa não se desvaloriza, mas o dinheiro no banco perderá, no mínimo, 20% do seu valor. Além disso terá o benefício de poder fazer pagamentos no período de transição, que se prevê extremamente caótico. A despensa também pode prevenir contra qualquer provável ruptura de fornecimentos, garantindo a alimentação essencial no período terrível de transição entre moedas. Parece-me que o benefício de não passar fome é significativo.

E se, por um inverosímil acaso, a crise do euro se resolver em 2012 e chegarmos a 2013 com o euro mais seguro do que nunca? Nesse caso – altamente improvável – a resposta não podia ser mais simples: basta depositar no banco o dinheiro que tem em casa e ir gastando os produtos na despensa à medida das suas necessidades.

Investigador do NECEP da Universidade Católica

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Parabéns, PAI!






Olha, pai

O teu colo era o meu refúgio,
E ainda é, por vezes...
Ainda sorris, como quando era pequenita
Quando me sento, ao de leve, no teu colo.
O teu sorriso é uma brisa, o suave respirar do vento
As tuas mãos suaves corriam pelos meus cabelos louros
E enleavam-se nos meus caracóis...
Sussurrávamos pequenas frases e ríamos...
O teu sorriso tão leve, torna doce o teu rosto
E é doce o teu olhar e macio o teu cabelo...

O teu colo era o meu barco encalhado
Na areia quente da tua ternura, em tardes de sol
O teu colo é ainda o meu castelo, a minha torre
E eu sou a princesa, sentada num trono
Feito de um amor esculpido em rocha
que nem o tempo pode abalar
E era no teu colo aberto ao mar
que voava, e que voo ainda...



Obrigada, pai, pelo que és e pelo que fizeste e fazes por mim e de mim!