domingo, 11 de janeiro de 2015

Meo Arena


Fotos e selfies, música e dança, perfume e lança perfume... Foi uma festa fantástica!
Cristina Ferreira e Mickael Carreira, uma simpatia!




Parte da equipa maravilha - LR Wellness team...




















segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

De mão dada!


Levantei-me cedo. Decidi lavar os vidros do quarto. O Zé estranhou. Era Domingo. Cinco de Janeiro. Estava sol, mas frio. O sol batia na janela e eu limpava as vidraças com energia. Que raio! Os vidros estão assim tão sujos? Perguntava-me entre divertido e alarmado. Ignorei. Deu-me para aquilo, podia dar-me para pior! A gravidez estava quase no fim. A criança, segundo as contas do médico, nasceria dia oito. Limpei muito bem os vidros e a seguir fui fazer o almoço: pastéis de bacalhau com arroz de tomate. Tocaram a campainha. Um amigo do Zé, chegado do Canadá, vinha visitar-nos. Não ficou para almoçar. Ia a um restaurante com a mulher e a filha. Almoçámos os dois, depois de eu fazer a salada e de ele pôr a mesa.
A casa era habitada nas férias, nos fins de semana e nos feriados. O resto do tempo ficava vazia e sozinha à nossa espera. O Zé ia para Lisboa trabalhar e eu para casa dos meus pais, para a escola e para a faculdade. Era um namoro permanente. Nunca me senti uma mulher casada. Senti-me sempre namorada.

Depois de almoço, fomos dar um passeio à Foz. O sol estava lindo, a paisagem aprazível. Não me sentia muito bem! Tinha umas dorzitas que teimavam em não me deixar em paz. Iam e vinham. Eram quase dezoito horas. Um frio danado. Vamos à missa, disse-lhe. E lá fomos. Não quis sentar-me. Ficámos ao fundo da igreja. Não estava bem. Não ouvi nada do que o padre disse. Vamos passear. Vamos andar a pé um bocado. Está muito frio, vais ficar doente! Não me parece nada uma boa ideia! Saímos da igreja, encaminhámo-nos para a rua das montras. Tinha o nariz gelado. De vez em quando, era assaltada por uma ou outra dor. Tentava não ligar. A meio do percurso, decidi que queria ir para casa da minha mãe. Regressámos ao carro. Chegámos. A minha mãe não estranhou. Nós jantávamos quase sempre com eles no fim-de-semana... nem era preciso avisar! Não lhe falei nas dores. Pus a mesa. Não sei o que jantámos. Acho que não jantei. Lembro-me de me contorcer com dores. E a minha mãe, desde quando estás com dores?, não sei, há um bocado. O bebé vai nascer. Não vai nada, é no dia oito. A minha mãe riu-se. Eles não nascem com dia marcado! O médico é que disse que era dia oito. Pois sim, dia oito! É hoje e já não deve faltar muito. Lembrei-me da preparação para o parto, da respiração... começava a respirar à cão ou sei lá a quê... vinha uma dor e esquecia-me de respirar e só me apetecia correr, correr, correr... Fui para a casa de jantar, que é grande e tem uma mesa enorme, e dei não sei quantas voltas à mesa, devagar, depressa, quase a correr... Eles iam jantando e perguntavam-me se estava bem. Deviam estar a gozar, quem é que pode estar bem com dores... Pior, como é que ia estar bem se as dores começaram a cinco e o médico disse que a criança só ia nascer a oito... Faltavam três dias! Caramba, será que ia ter três dias de dores? Para mim, as palavras do médico eram sagradas e eu nunca liguei muito ao que me diziam sobre as dores e o tempo que decorria entre elas... Quando chegasse o dia, ela nascia e pronto! E era dia oito. Eu queria que fosse dia oito. Eu estava preparada para o grande acontecimento... mas só no dia oito. A meio da centésima volta à mesa, rebentaram-me as águas. Fiquei um bocado à toa, acho que não percebi bem o que se tinha passado. A minha mãe disse que estava na hora de telefonar ao médico e de irmos para o Montepio. Não sei quem fez o telefonema. O Zé estava a ver o Domingo Desportivo e perguntou: “Não posso acabar de ver isto?”. Essa tem muita graça! Hoje, rimo-nos a bom rir desta situação caricata: eu aflita, a minha mãe aflita, o meu pai aflito, a criança a querer nascer e o pai do meu filho que só queria acabar de ver o programa, para ver os resultados da bola. Chegámos ao mesmo tempo, o médico, a minha mãe, o Zé e eu. O médico subiu connosco, disse que me ia observar, e que como era o meu primeiro filho, que ia ainda dormir um bocado e depois voltaria ainda a tempo de me fazer o parto... Afinal, enganei-me, o parto é para já. Levaram-me para a sala de partos, vestiram uma bata ao Zé que estava meio indeciso... Não sei se vá, não sei se fique! Se não tiver coragem vai a avó, anunciou o médico. Agradou-me a ideia de ter a minha mãe ao meu lado. Eu vou!, exclamou resoluto. A criança vinha a caminho, o médico cortou-me para facilitar a saída do bebé. O Zé ia desmaiando. O médico ficou sem saber a quem acudir primeiro. O médico pôs-me o meu filho em cima da barriga. O médico começou a cozer-me. O Zé estava mais branco do que a parede. O menino era lindo, tinha o cabelo comprido e escuro. Era grande! O médico ficou espantado: onde é que trazia metida esta criancinha? Nunca tive uma barriga grande, nunca usei roupa de grávida. Aumentei unicamente nove quilos. O médico dizia-me sempre que me ia nascer um ratinho esfolado. O meu filho nasceu às 23 horas e 20 minutos, com 3,580 kg e 52 cm. Lembro-me de adormecer e acordar de mão dada com o meu filhote. Recordo-me do médico dizer que nunca tinha visto um quadro tão lindo como aquele: nós de mão dada, sempre. Não sei como acontecia isso. Mas cada vez que alguém entrava, dizia o mesmo: tu e o teu filho, acordados ou despertos, estão sempre de mão dada!

domingo, 4 de janeiro de 2015

A bruxa má



O meu irmão por pouco não nasceu no táxi. Já vos tinha dito! O meu pai chamou o carro somente, quando a minha mãe achou que era a hora... A minha mãe devia ter o relógio avariado... Errou completamente nas horas. O táxi chegou. Só que o meu irmão decidiu nascer um pouco antes. Não esteve para esperar. O táxi deveria levar a minha mãe para casa da minha avó. Assim, foi buscar a avó às Caldas, à Estrada de Tornada. O meu pai teve de fazer de parteiro. O meu pai desempenhou muito bem o papel. A parteira foi chamada, pelo sim... pelo não. 
Eu acordei com um pequenino choro de bebé.  O meu irmão foi uma espécie de presente, pois eu tinha acabado de fazer dois anos.
O meu pai levou-me a ver o menino. Era tão pequenino! Tinha umas mãozinhas minúsculas e rechonchudas que mal saíam das mangas da camisola. O meu pai deixou-me dar beijinhos ao bebé. Parecia um bonequinho! Ele agarrou-me um dedo e não mo queria largar...
Os meus avós e tios chegaram para ver o menino. Os vizinhos também apareceram para ver o recém-nascido. Até o padre veio.  O padre viu a criança. Pegou-me ao colo e quis logo saber quando se celebraria o baptizado.
A minha mãe parecia cansada, mas sorria e falava com toda a gente. Eu queria estar ao pé do meu irmãozinho e aquela gente nunca mais se ia embora. A Fernanda, uma amiga dos meus pais, disse-me que ia levar o bebé com ela e eu comecei a chorar. Rica amiga! O bebé não é teu! Vai-te embora! Tu és má. Ela ria-se e eu chorava aflita e desconsolada. A minha avó acudiu e disse que ela não levaria o meu mano para lado nenhum. Enxugou-me as lágrimas com os dedos e deu-me um beijo enorme na bochecha rosada. A Fernanda insistiu com aquela história de levar o meu irmão, e a minha avó acabou por ralhar com ela. Que prazer tinha em fazer uma criança chorar? O meu pai olhou-a também com cara de poucos amigos e ela foi-se embora. Puseram-me na cama ao pé da criancinha pequenina e da minha mãe e eu, descansada, acabei por adormecer.
O bebé mamava e dormia. Eu comia, dormia e ficava a olhar para o bebé no resto do tempo.
A minha avó continuava por ali para ajudar no que fosse preciso. Afinal, eu também era pequenita e dava muito mais trabalho do que o meu irmãozito.
Entretanto, a minha mãe voltou à costura. O berço do meu irmão era colocado encostado à parede, ali, perto de todos. A minha avó regressou a casa. Eu brincava perto da mesa e ia, de vez em quando, dar uma espreitadela ao bebé. Punha-lhe a chucha. Mexia-lhe nas mãozinhas. Dava-lhe beijinhos. Remexia-lhe os caracóis. Depois, fartava-me e voltava para a manta ou para o colo do meu pai.
Estava frio. Não havia aquecimento. O meu pai punha uma braseira no meio da sala para aquecer o ambiente e estarmos todos muito mais confortáveis.
A Fernanda, a bruxa má, aparecia de vez em quando, só para me pôr a chorar. Depois ia-se embora a rir com aquele riso horrível de bruxa má. Acho que ela até tinha cabelo, nariz e queixo  de bruxa com verrugas pretas e tudo! Às tantas, até vinha de vassoura!
Tudo decorria normalmente, o meu mano era o bebé mais bonito e fofinho que existia! Ria, quando me via. Chorava, quando lhe voltava costas. Dormia muito, mas eu também!
Um dia, a bruxa má chegou. Entrou porta adentro e começou logo a encaminhar-se para o berço onde dormia o meu irmão. Eu estava entre eles, virada de frente para a bruxa má e de costas para o bebé. No meio, entre mim e o berço, estava a braseira. Comecei a recuar com os braços abertos a querer proteger o meu mano. E... caí, sentada, dentro da braseira! A bruxa má queria tirar-me das brasas onde eu já estava a assar...  Eu gritava desesperada... não sei... se por causa das dores... se com medo que a bruxa má levasse o meu irmãozinho. O meu pai surgiu a correr e levou-me para o hospital.
Esta foi a segunda vez que caí na braseira! Os médicos fizeram tudo para que não ficasse com cicatrizes e não fiquei. O meu avô é que pagou, pela segunda vez, todos os tratamentos. Aquelas compressas, usadas no exército, vinham do estrangeiro e eram caríssimas. O hospital não podia arcar com aquela despesa... O meu avô queria que eu fosse tratada como devia ser, custasse o que custasse! Tudo correu bem! A bruxa má ganhou uma inimiga para a vida. Os meus pais tiveram de lhe dizer que era melhor não aparecer lá em casa, quando eu estava acordada. Só de a ver, eu desatava num berreiro gigantesco, extraordinário... Soluçava tão desconsoladamente, era tamanha a minha aflição... Os meus pais viam-se e desejavam-se para me acalmarem... Quase sempre adormecia de cansaço, mas tremia e soluçava ainda por muito tempo...





sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Eu bem vos disse, eu bem vos disse!


A janela estava entreaberta, a cortina oscilava levemente, e as pálpebras pesavam, pesavam... O sol penetrava puído através daquele véu translúcido, e os olhos teimavam em fechar-se brandamente... Sorria e abria a custo os olhos, uma e outra vez... A luta com o sono terminava finalmente, mas a teia transparente continuava a deixar passar uma luz difusa. Lá fora, o barulho da miudagem ia-se afastando, caminhava para longe... para muito longe... A porta, fechada, filtrava o barulho da máquina, e a voz dos meus pais ia-se diluindo... De repente, nada... Silêncio absoluto! Sonhos cor-de-rosa! Um lugar distante!
A minha avó não tardaria a chegar, não demoraria a espreitar pela porta... Parece um anjinho!
- Não vos disse já mil vezes que devem fechar a janela, enquanto a menina está a dormir? Se alguém entrar, não dão por nada... com o barulho da máquina...
A minha avó tinha um medo louco que me pudessem roubar. Passavam por ali ciganos e, pelos vistos, ela não morria de amores por aquela gente. A verdade é que a ouvi dizer várias vezes que os ciganos me podiam roubar...
- Que disparate, mãe! Eles têm muitos filhos, não precisam de mais!
- Há uma cigana que quando me encontra na rua com a menina, lhe afaga sempre a cabeça, lhe remexe os caracóis louros, e é tão bonita a sua menina, e tem uns olhos tão grandes e bonitos e que boquinha mais perfeitinha... Eu bem puxo a menina para mim... A mulher mete-me medo! Parece que fica hipnotizada a olhar para a tua filha!...
- Ó mãe, mas que embirração é essa com os ciganos? Eles nunca fizeram ou disseram nada de mal. Passam, olham, vão-se...
- Olham de mais... não gosto deles... não confio neles... Custa-vos muito fechar a janela, enquanto a menina dorme?
- Ela gosta de adormecer a olhar para a cortina a abanar...
E a minha avó chegou e espreitou pela porta e perguntou por mim. O meu pai respondeu-lhe, está a dormir. Onde? Na nossa cama, claro! Não está na cama nem no berço nem na alcofa. A minha mãe levantou a cabeça da bainha que estava a fazer. O meu pai disse que a minha avó tinha de pôr os óculos e de parar de brincar com coisas sérias! A minha avó pediu que acabassem com a brincadeira e que lhe dissessem onde estava eu, afinal, a dormir! O meu pai largou as calças que estava a chulear. A minha mãe atirou o vestido para cima da mesa. A minha avó escancarou a porta. Todos se precipitaram para dentro do quarto. A cortina agitava-se timidamente. Os garotos da rua jogavam à bola e gritavam. Lá longe, chiava um carro de bois ou uma carroça. Os meus pais olharam-se aflitos e correram para a janela. A minha avó correu para a porta da rua e perguntou aos miúdos se os ciganos tinham passado por ali. Os rapazes assentiram.  Tinham passado numa carroça. A rapaziada continuou o jogo e a algazarra. A minha avó travou um garoto e questionou-o quase com a cara dela encostada à dele. A menina? Viste a minha neta? Não, não tinha visto. Os ciganos pararam? Não, seguiram na carroça.
- Como sabes? Estavas na brincadeira! Estavam todos... Viram lá alguma coisa!
A minha avó regressou a casa. Os meus pais não queriam acreditar... mas... eu não estava mesmo ali! A minha avó começou a barafustar, eu bem vos disse, eu bem vos disse...
- Temos de chamar a polícia. Ó homem de Deus, faça alguma coisa. – gritou ela, completamente desatinada.

A minha mãe desatou a chorar e... Ó meu Deus, ó meu Deus... E... eu despertei, remexi-me e comecei a choramingar. O meu pai espreitou, levantou o folho da colcha, e lá estava eu debaixo da cama. Tinha caído e, envolta na roupa, deslizara para debaixo da cama e fizera um grande e abençoado sono.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

É só uma linha de alinhavar!


Quando comecei a gatinhar, foi um Deus nos acuda, nada me fazia parar. Havia tanto para explorar, para descobrir! Os armários eram revirados e, se eu não coubesse lá, juntamente, com os tachos e panelas... tudo isso era colocado fora com um grande estardalhaço. Os armários passaram a ser fechados a sete chaves para eu não os despejar vezes sem conta e a minha mãe não os arrumar outras tantas vezes.
A porta de casa estava sempre aberta, pois os meus pais trabalhavam em casa. O meu pai era alfaiate e tratava também dos assuntos da Junta de Freguesia. A nossa casa era uma espécie de repartição pública e uma alfaiataria, uma casa de moda... A minha mãe era costureira, bordadeira, modista e ajudante de alfaiate. Para além disto, os meus pais eram, isso mesmo, meus pais!
A casa depressa perdeu o interesse, tudo era já conhecido! E, com os armários trancados, pouco havia onde me enfiar. A máquina de costura era algo que me atraía, mas os meus pais aperceberam-se logo da forte atracção e do perigo e, enquanto um estava a coser, o outro tomava conta da menina traquina. Não era viável um trabalhar e o outro ficar de olho na criança e os meus pais passaram a usar a máquina, unicamente, quando eu estava a dormir. Mas a máquina era convidativa e eu não descansei enquanto não a fui inspeccionar: aquilo tinha mais graça, quando o meu pai ou a minha mãe lá estavam; a roda girava a toda a velocidade; o pedal subia e descia... Eu mexi e remexi e, por fim, consegui fazer a roda girar e pôr o pedal a mexer e tirar a corrente da roda e entalar-me e desatar numa gritaria infernal e ficar com uma unha minúscula negra. A máquina passou, desde então,  a ter um mecanismo de segurança contra abelhudas! Sem armários, sem máquina e com os cantos da casa mais do que analisados... 
Que fazer depois da sesta? 
Ah! A porta entreaberta, os dois degraus que era necessário subir para atingir um mundo novo... O sol que espreitava, as pessoas que passavam e que saudavam os meus pais, a garotada que brincava na rua, o padre que acenava com a mão...
A porta começou a ser o grande objectivo a atingir! E as minhas deambulações faziam-se agora para o lado contrário. Os armários, a máquina, o quarto, a cozinha... tudo deixou de ter importância. Estava, agora, muito mais interessada no que ficava para lá da porta do sol! E os ensaios começaram! A primeira vez, foram buscar-me quase ao pé do primeiro degrau; a segunda vez, apanharam-me a trepar o degrau; a terceira vez, encontraram-me sentada no segundo degrau, muito quietinha e atenta, a olhar lá para fora... Todas as vezes me davam um raspanete: a menina não vai para ali, a menina fica aqui sentadinha, na manta, a brincar... E eu olhava o meu pai e sorria e ele pespegava-me um beijo na bochecha cor-de-rosa.
Durante uns dias, esqueci a porta e brinquei com os carrinhos de linhas e com as linhas todas emaranhadas e com as bonecas que a minha mãe me fizera e com os meus parcos brinquedos...
Mas o sol espreitou e chamou-me tão insistentemente que eu, nesse dia, não gatinhei, voei... E o voo foi tal, que o meu pai só deu pela minha falta, quando o padre entrou comigo ao colo e...
           Olhem só o que encontrei lá fora...
A minha mãe ia morrendo de susto, o meu pai ficou branco como a cal... E para piorar a situação, chegou a minha avó, nesse exacto momento.
 - Um dia, os ciganos levam a menina. Já não basta deixarem a janela do quarto aberta, enquanto a criança está a dormir!? Agora, deixam-na ir para a rua... Só me faltava mais esta!
O meu pai pegou-me ao colo e ficou a falar com o padre. A minha mãe foi arrumar as coisas que a minha avó lhe trouxera. A minha avó seguiu-a. O padre saiu, O meu pai foi buscar uma linha de alinhavar e prendeu-me com ela à perna da mesa. A minha avó entrou na sala e desatou a ralhar com o meu pai, parece impossível, agora prende-me a menina como se fosse um cão. A minha mãe ocorreu e disse:
         Ó mãe, por amor de Deus, é só uma linha de alinhavar. É só um puxão e a linha parte-se...
      Uma linha de alinhavar que simboliza uma corrente. Está presa a minha netinha como se fosse um animal...
Eu, muito sossegadinha, a brincar com um boneco de trapos, olhava para eles, com uns olhos enormes, e sorria.
A minha mãe voltou ao trabalho, o meu pai voltou à escrita, a minha avó continuava a resmungar entre dentes e... eu fiquei presa, uma tarde inteira, com uma linha de alinhavar, à mesa.