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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vi flores nas nuvens


Aquela nuvem
parece um cavalo…

Ah! Se eu pudesse montá-lo!

Aquela?
Mas já não é um cavalo,
É uma barca à vela.

Não faz mal.
Queria embarcar nela.

Aquela?
Mas já não é um navio,
é uma torre amarela
a vogar no frio
onde encerraram uma donzela.

Não faz mal.
Quero ter asas
para a espreitar da janela.

Vá, lancem-me no mar
donde voam as nuvens
para ir numa delas
tomar mil formas
com sabor a sal
- Labirinto de sombras e de cisnes
No céu de água-sol-vento-luz
concreto e irreal…

José Gomes Ferreira

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

E se...





O Comunicado

O comunicado é um aviso ou informação de uma determinada entidade que deve ser afixado num local público ou divulgado através dos media.
O comunicado obedece a uma estrutura específica, deve começar por indicar o assunto a tratar, definir que se trata de um comunicado, identificar a entidade responsável, a data e o local. No corpo do texto faz-se a exposição do assunto de uma forma sucinta, utilizando uma linguagem objectiva e clara, daí a tendência para se apresentar este tipo de texto numa estrutura por tópicos.


O Protesto


Para se elaborar um protesto é necessário ter em conta uma série de passos: após a saudação, o texto deve apresentar uma introdução onde se expõe a denúncia ou queixa de uma determinada situação; em seguida, no desenvolvimento discursivo, colocam-se os argumentos que corroboram a denúncia, como por exemplo, as consequências da situação; por fim, em tom conclusivo, deixa-se um apelo de forma a que a situação se resolva, rematando com uma fórmula de despedida.


A Reclamação

A reclamação por escrito serve para apresentar uma queixa ou fazer um reparo de uma situação que não se considera correcta ou própria. Deve referir-se a factos concretos e ser desenvolvida de uma forma clara, objectiva, respeitando uma determinada ordem de formalidade. A forma de carta deve possuir a seguinte estrutura: fórmula de saudação, exposição do assunto, fundamentação dos factos reclamados, pedido de compensação, assinatura, data e local.



A Mena na cozinha

Batido de manga

1 manga
gelo
1 copo de leite
açúcar

Leve todos os ingredientes à máquina dos batidos e...

Delicie-se!



Trabalhinhos:



sábado, 17 de julho de 2010

Apetece-me dançar (na praia)



A Praia da Gralha fica a menos de 1 km de São Martinho do Porto. Esta praia tem um areal muito extenso em forma de concha, rodeada de arribas, o que lhe dá uma beleza natural ímpar. De mar revolto, não tem quaisquer infra-estruturas de apoio na areia, sendo escolhida por praticantes de parapente e de pesca desportiva.


José Gomes Ferreira

O sujeito poético inicia o poema com a forma verbal "Apetece-me". O seu desejo é "dançar ao som do luar". Este som só é audível para alguns homens: Mozart, Beethoven e o próprio sujeito poético. É um som único, especial, só podendo ser ouvido por excelentes compositores/criadores e por admiradores da Beleza/Perfeição.
O sujeito poético expande-se por vários espaços: céu ("ouço no céu"); terra ("danço na terra"); Ar (" Sou eu, pelo Ar"); lua ("Sou eu, o luar").
O sujeito poético dança com pés de cetim, na terra, na rua, ao som do luar. Este som é tão sublime, belo e perfeito que a dança do eu lírico é também delicada, perfeita e bela. Esta metáfora sugere que os passos de dança do sujeito poético são como os da bailarina, delicados e perfeitos. A dança é a poesia, os versos belos, perfeitos, delicados que o sujeito lírico escreve à luz inspiradora do luar como se lhe fossem ditados, transmitidos, daí o sujeito dizer "o som do luar".
De salientar o carácter repetitivo do poema: "Ouviu-o" (repetição) - destaque de grandes compositores; "Sou eu" (repetição) - centraliza toda a emoção na sua pessoa. Repetição de sons (c/s) na terceira estrofe: "sou", "ouço", " céu", "danço", "pés", "cetim" - aliteração.
A dança ao luar significa a alegria de viver, o luar é fonte de vida, gerador de beleza e perfeição. Os versos finais entre parênteses significam que o íntimo do sujeito poético é fonte de toda a emotividade do poema, a alegria de viver, o poder da criatividade, brotam do íntimo do eu lírico. O luar foi gerado pelo sujeito poético e foi atirado por ele para a lua. O luar é algo tão perfeito, belo e delicado que só pode ter sido gerado por poetas.






A Mena na cozinha

Salada de Verão

Massa (lacinhos)
alface
pimento vermelho
queijo
tomate
pepininhos em conserva
ovos
atum
sal
pimenta
azeite
vinagre

Coza a massa e os ovos. Corte a alface em juliana, o tomate e o queijo aos cubinhos, o pimento e os pepinos aos pedacinhos. Junte tudo com o atum e envolva. Tempere com sal, pimenta, azeite e vinagre e decore com os ovos, cortados aos gomos, folhas de alface e pepinos de conserva.
Se preferir, pode substituir o azeite e o vinagre por maionese.
Bom apetite!






Trabalhinhos:


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Adeus, avô!

Adeus Avô!


Estou triste, o meu avô partiu!

Flores para o meu avô

O dia está lindo, mas a minha alma só vê escuridão.

Poemas a condizer com o meu estado de espírito

"A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto".

A morte é a curva da estrada

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.


Fernando Pessoa



Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira



Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.

Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.

Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!

Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera... quebra-me o encanto!
Florbela Espanca


De suspirar em vão já fatigado,
Dando tréguas a meus males, eu dormia.
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado.

Curva fouce no punho descarnado
sustentava a cruel, e me dizia:
"Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado..."

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada.
Que armada de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:

"Emprega noutro objecto os teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores".
Bocage

A hora da partida

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner


Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Álvares de Azevedo

"Está morto: podemos elogiá-lo à vontade!"

Machado de Assis


"(…) Se a morte é a extinção de todo o sentimento e se parece com um daqueles sonos em que nada vemos, mesmo em sonho, morrer é então um maravilhoso lucro. (…) Se a morte, portanto, for qualquer coisa de semelhante, eu defendo que ela é um ganho, pois que a inteira sucessão dos tempos não parecerá mais do que uma só noite."

"Se alguma vez quisermos ter um puro conhecimento de qualquer coisa, é necessário alienarmos o nosso corpo e olhar apenas com a alma as coisas em si mesmas. Só alcançaremos, segundo parece, aquilo que desejamos e pretendemos amar, a sabedoria, depois da nossa morte (...), durante a nossa vida, nunca!" .
Platão

Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.

Macbeth, Acto 5, Cena 5