domingo, 23 de março de 2014

Discretamente sedutora



Discretamente sedutora,
de encanto armada na paz
e de fogo jurado na guerra,
és mulher de carne e osso
feita pra mim à medida
ou anjo de sol que me cega?

Do teu corpo,
desprendem-se auroras boreais
a incendiar a árvore
da floresta onde os deuses
me incentivaram a conceber-te
na crença de uma promessa.

Da tua pele,
nua com o desejo entranhado,
saem centelhas douradas
para que, das formas,
eu veja em ti a mestria
que Miguel Ângelo esculpiu.

E é tua a suprema virtude,
quando te despes,
que me transforme, sem véu,
em macho impudente, possessivo.
Mas, à contraluz do sentir reverente,
és só minha e eu só teu.


Nilson Barcelli 

1 comentário:

António Ribeiro disse...

Pq será q cada dia me surpreendes mais!