quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Jantar da confraria

Foi na quinta-feira que os professores da confraria se reuniram para um jantarinho-convívio.
Estava tudo bem-disposto, sorridente...

Conversámos, cavaqueámos... rimos, sorrimos... debicámos, petiscámos, comemos... bebericámos, decilitrámos, bebemos...

Que carinhas sérias! (Eu disse que rimos e sorrimos, tristezas não pagam dívidas nem o jantarinho, por isso toca a mudar de semblante, amigos!)

Hum, esta azeitoninha tem cá um sabor!

Estou à procura do telemóvel, não estou a guardar nenhuma azeitoninha na mala.

Se queres saber o que estamos a lambiscar, vem até cá! Se queres saber quem veio ao jantar, vem até aqui!

Deixa-me pôr em pose! Assim... mais descontraída... assim, como quem não quer a coisa...

Só fico bem, quando me apanham desprevenida!

Com um sorriso de orelha a orelha! Com um brilhozinho nos olhos! Com um sorriso mais contido!

Houve quem chegasse corado (por causa do frio, claro!) e quem saísse corado (devido ao calor, evidentemente!)

Eis as iguarias: Bacalhau com espinafres...

Choquinhos...

Favas com entrecosto

Pescadinhas de rabo na boca com arroz de tomate

Bife...

Que gulosa! Reparem na carinha de inocente da Lina, parece que nem é ela que vai comer este docinho!

Não sei se ria se chore! Lá se vai a linha!

E este pudinzinho de maçã?

Não, não é professor! Mas... também, hoje em dia, quem quer ser?
Tens toda a razão, amigo, nos tempos que correm...



Encontrei este texto aqui e não pude deixar de o trazer!


Os patos preferem a escola


"O TEMPO em que os animais falavam, os bichos constataram que o meio em que viviam começava a tornar-se cada vez mais complexo e havia que impor novas hierarquias, estabelecer novos parâmetros de comportamento, uma vez que já não chegavam os seus instintos inatos para enfrentar as modificações do meio. Esta necessidade deu lugar à ideia de ESCOLA: uma estrutura social, que os habilitaria, A TODOS, para enfrentar as crescentes modificações a que assistiam. Foram escolhidos os melhores animais para a docência, isto é, os reconhecidos como mais experientes, alta profissionalização nos seus domínios específicos, grandes títulos em competições. O reconhecimento destas qualificações envaideceu-os, naturalmente, e a maioria esqueceu, desde logo, a razão por que estava ali. Com muitas reuniões gerais de professores, muitas reuniões de grupo, reuniões de conselho pedagógico, de departamento, de secções, reuniões de conselho executivo, etc.… escolheram o seguinte currículo: Nadar, Correr, Voar, Galgar montes e Saltar obstáculos.
Os primeiros alunos foram o Cisne, o Pato, o Coelho e o Gato.
Começadas as aulas, cada professor, altamente preocupado com a sua disciplina, preparava e dava primorosamente a matéria, sem perder tempo, procurando cumprir o programa e a planificação do mesmo. Faziam, assim jus aos seus títulos e competências. Mas os alunos iam-se desencantando com a tão sonhada escola. Vejam o caso particular de cada aluno:

· O Cisne, nas aulas de correr, voar e galgar montes era um péssimo aluno. E mesmo quando se esforçava, ao ponto de ficar com as patas ensanguentadas das corridas e calos nas asas, adquiridos na ânsia de voar, tinha notas más. O pior era que, com o esforço e desgaste psicológico despendido nessas disciplinas, estava a enfraquecer na natação, em que era o máximo.

· O Coelho, por sua vez padecia nas matérias de nadar e voar. Como poderia voar se não tinha asas? Em se tratando de nadar, a coisa também não era fácil não tinha nascido para aquilo. Em contrapartida, ninguém melhor do que ele, corria e galgava montes.

· O Gato tinha problemas idênticos aos do coelho, nas disciplinas de natação e voo. Ele bem insistia com o professor que, se o deixasse voar de cima para baixo, ainda poderia ter êxito. Só que o professor não aceitava essa ideia louca: não estava contemplada no programa aprovado e o critério de selecção era igual para todos.

· O Pato, finalmente, voava um pouquinho, corria mais ou menos, nadava bem mas muito pior do que o cisne, e desastradamente, embora com algum desembaraço, até conseguia subir montes e saltar obstáculos. Não tinha reprovações a nenhuma disciplina, como os seus restantes colegas o que o fazia sumamente brilhante nas pautas finais.

Os professores consideraram-no o aluno mais equilibrado, deram-lhe a possibilidade de prosseguir estudos e, com tantos “atributos”, até fomentaram nele a esperança de um dia, poder vir a ser professor.
Os restantes alunos estavam inconformados. Nada tinham contra o pato, gostavam dele, compreendiam o seu grau mínimo de suficiência a todas as disciplinas, mas, perguntavam-se: a espantosa capacidade do Coelho em saltar obstáculos, correr e galgar montes não poderia ser aproveitada para enfrentar as tais novas situações sociais, que os levaram a ter a ideia de ESCOLA? E o Gato? De nada lhe serviria correr e saltar melhor do que o Pato? E que utilidade teria, para o Cisne, nadar como nenhum outro? Cada um tinha, de facto, a sua queixa justificada. A escola, pensavam eles, era o local onde aperfeiçoariam as capacidades que tinham, de modo a pô-las ao serviço da sociedade. Se as coisas já estavam difíceis, que fazer agora com a tremenda frustração de não servirem para nada? Foram falar com os professores. As limitações de cada um eram um facto, eles sabiam que jamais seriam polivalentes, de modo a terem grandes escolhas. Contudo, se reprovassem no ano seguinte estariam exactamente na mesma situação.
Os professores lamentaram muito. Havia um programa, superiormente estabelecido e a questão era só esta: ninguém tinha média igual à do Pato e, por isso, na sua mediocridade, ele era, estatisticamente superior a todos.
Os outros alunos abandonaram a escola. Desde então por razões óbvias a escola atrai mais os patos e, na sociedade, são eles que dominam."


in Noesis, nº20


Trabalhinhos:

Porta-chaves

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

É grave, muito grave mesmo!

Na Biblioteca, continuam os preparativos para se comemorar o dia de São Valentim. Eis os postalinhos criados para o efeito.


Uma amiga minha enviou-me este artigo por email e eu, que contava apenas publicar algo amanhã, não pude deixar de vos dar a conhecer isto, hoje. É assustador (escreveu a minha amiga), e ela tem razão, porque é realmente assustador que, num país dito democrático, as pessoas não possam expressar-se livremente. É grave, muito grave!

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=161455

O Jornal de Notícias não publica hoje (01/02/10) a habitual crónica de Mário Crespo. O texto de opinião aborda um encontro, onde Crespo foi referido por membros do Governo como um «problema» que tinha de ter «solução».


O Fim da Linha

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.

O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.

Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.

Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.

Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.

Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.

Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.

Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.

O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.

O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.

O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.

Foi-se o “problema” que era o Director do Público.

Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro-ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.

Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.


Mário Crespo

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.



Trabalhito:

Porta-chaves


A Mena na cozinha

Arroz de alecrim

arroz
sal
azeite
um raminho de alecrim
1 caldo para arroz

Leve água temperada com sal ao lume. Junte um raminho de alecrim, azeite e o caldo para arroz. Quando estiver a água a ferver, retire o ramo de alecrim e junte o arroz necessário para a água que colocou no tacho. Deixe cozinhar.

Sirva com bifes, pastéis, peixe frito...
Bom apetite!

Não deixes de ver isto!