domingo, 11 de março de 2018

Meia Tigela

O restaurante “Meia Tigela” fica no edifício do Hotel Dona Leonor, no Hemiciclo João Paulo II, e funciona de Segunda a Sábado. O horário de almoço vai das 12h às 15h e o jantar é servido das 19h às 23h, de segunda a quinta, e até às 23h30, às sextas e sábados. 

Trata-se de um espaço em que se conjuga a gastronomia com a cerâmica. A decoração é muito original, com vários objectos vintage restaurados, móveis de madeira também renovados e algumas “estranhezas surpreendentes”, como é o caso da utilização de tachos e raladores como objectos decorativos e até como elementos de iluminação, numa mistura de ambiente rústico com moderno. Uma decoração muito original!
A ementa está pendurada junto de cada mesa.
Diariamente, o almoço fica bastante em conta, e pode ser partilhado (por exemplo, as tábuas chegam bem para duas pessoas, mas há outros pratos que podem ser repartidos). O menu diário não se repete na semana seguinte. Quem está a fazer dieta ou é vegetariano encontra neste restaurante várias opções que irão, com certeza, ao encontro do seu gosto / regime alimentar.
Os jantares são à carta e as propostas gastronómicas são um verdadeiro banquete para os sentidos, as várias e originais combinações de produtos gastronómicos que  casam muito bem entre si, o colorido, um verdadeiro festim para os olhos, os aromas e sabores variados... Tudo MUITO BOM!
O preço está de acordo com o que é servido, produtos frescos de alta qualidade, óptima confecção e admirável apresentação, muita simpatia e competência. 
Neste restaurante há peças de cerâmica à venda, podendo os comensais adquirir peças idênticas às postas na mesa, modelos originais que não se encontram à venda em mais lado nenhum.

Por tudo isto, recomendo vivamente, tanto pela qualidade como pela diversidade e originalidade. 






  



























 










quinta-feira, 8 de março de 2018

Dia Internacional da Mulher


Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo, 1910 

"Por um Mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
(Rosa Luxemburgo)

Dia Internacional da Mulher



A 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, de Nova Iorque, fizeram greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica e esta foi incendiada. 129 tecelãs morreram carbonizadas.  

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres assassinadas em 1857. Em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.  






Fotografia de algumas das operárias assassinadas



O Dia Internacional da Mulher é comemorado anualmente a 8 de Março.
A data surgiu pela primeira vez a 19 de Março de 1911 na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.
Desde esse ano, o dia tem vindo a ser comemorado em vários países do mundo, de forma a reconhecer a importância e contributo da mulher na sociedade.
Outro dos objectivos por detrás da origem do Dia Internacional da Mulher é recordar as conquistas das mulheres e a luta contra o preconceito, seja racial, sexual, político, cultural, linguístico ou económico.
Em 1975, as Nações Unidas promoveram o Ano Internacional da Mulher e em 1977 proclamaram o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Dá a Surpresa de Ser

Dá a surpresa de ser. 
É alta, de um louro escuro. 
Faz bem só pensar em ver 
Seu corpo meio maduro. 

Seus seios altos parecem 
(Se ela tivesse deitada) 
Dois montinhos que amanhecem 
Sem Ter que haver madrugada. 

E a mão do seu braço branco 
Assenta em palmo espalhado 
Sobre a saliência do flanco 
Do seu relevo tapado. 

Apetece como um barco. 
Tem qualquer coisa de gomo. 
Meu Deus, quando é que eu embarco? 
Ó fome, quando é que eu como ? 


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" 






A Mulher

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!
Florbela Espanca

sábado, 3 de março de 2018

Kabuki - cozinha tradicional japonesa










O restaurante Kabuki fica situado na  Rua Francisco Sá Carneiro (Bairro Azul), nas Caldas da Rainha,  e é o paraíso do sushi. 
Os apreciadores do bom sushi não podem mesmo deixar de visitar este espaço! 

O nome Kabuki advém de uma forma de teatro japonês, que envolve a dança, a música e a performance.  
A decoração deste espaço foi pensada ao pormenor, o ambiente é acolhedor e intimista.
Aqui aposta-se na cozinha tradicional japonesa, "juntamente com uma cozinha de fusão”. Os amantes de  sushi podem encontrar neste espaço vários combinados de alta qualidade e com uma boa apresentação. Aliás, o que salta logo à vista é a beleza das tábuas, a disposição dos vários tipos de sushi, o colorido, a mistura de sabores e de cores: um verdadeiro presente para os sentidos.
A qualidade começa logo na matéria-prima, pois o peixe utilizado é de mar e provém dos portos de Peniche e da Nazaré. Aqui o lema é “Quanto mais fresco melhor”. 

Um bom sushi  tem de ter todos os bagos de arroz encostados uns aos outros, sem estarem empapados e aqui o comensal vê cada bago de um branco imaculado que contrasta com os mais variados produtos, escolhidos a dedo, tendo em conta o sabor, a textura, a cor... 
É a arte ao serviço da gastronomia! O primeiro prazer é visual. Tudo é muito bonito aqui!

O preço dos combinados varia, pode ir desde 15,90 euros (combinado de 22 peças) ou 34,90 euros, com 50 peças. Um combinado típico japonês (arroz e peixe) custa 16,90 euros e existe a opção vegetariana ( a minha preferida!) com 22 peças por 15,90 euros. 
Para  acompanhar os pratos há cocktails, gins, sangrias, sumos naturais, vinhos e outras bebidas, tudo com uma apresentação cuidada e bonita.

Muito importante: As peças de sushi só começam a ser preparadas quando o pedido chega à bancada, para garantir a frescura dos pratos. O tempo de espera é o único senão, mas esta é a única forma de garantir a qualidade, frescura e, consequentemente, a boa apresentação dos pratos. Tudo tem de chegar à mesa fresco ou, se for o caso, quente,  estaladiço... 

O restaurante também disponibiliza takeway.

kabuki deriva do verbo kabuku, que significa aproximadamente "ser fora do comum". E aqui tudo é fora do comum, portanto não deixem de visitar este espaço. Ah, convém marcar!




























quinta-feira, 1 de março de 2018

Floriram por engano as rosas bravas





Floriram por engano as rosas bravas 


Floriram por engano as rosas bravas 
No inverno: veio o vento desfolhá-las... 
Em que cismas, meu bem? Porque me calas 
As vozes com que há pouco me enganavas? 

Castelos doidos! Tão cedo caístes!... 
Onde vamos, alheio o pensamento, 
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento 
Perscrutaram nos meus, como vão tristes! 

E sobre nós cai nupcial a neve, 
Surda, em triunfo, pétalas, de leve 
Juncando o chão, na acrópole de gelos... 

Em redor do teu vulto é como um véu! 
Quem as esparze _quanta flor! _do céu, 
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos? 

Camilo Pessanha, in 'Clepsidra' 

Tema: A condição humana é efémera, o amor é precário e ilusório ("Floriram por engano", "As vozes com que às vezes me enganavas", "castelos doidos!").
          
1 ‑ Idêntica organização das duas quadras: constatação de uma mudança, formulação de perguntas e de exclamações, através das quais se interpela enfaticamente o TU.
          
2 ‑ Duas imagens são aqui visualizadas: a Rosa, símbolo da máxima fragilidade, e os Castelos doidos, metáfora dos desejos tomados como realidades. Surge também outra expressão com dimensão simbólica: mãos dadas ‑ união que é negada pela expressão alheio o pensamento. Esta desunião, este mútuo alheamento, são confirmados pelo desencontro de olhares (brevidade da conjugação de olhares: um momento). Talvez por causa desse breve encontro tivessem florido as rosas, mas por engano... O vento desfolhou-as logo, isto é, a vida desfaz o que é frágil, o sonho, a ilusão.
          
3 ‑ Os tercetos, através da copulativa e , estabelecem uma relação cumulativa com as quadras. Neles, um sujeito plural ("E sobre nós", "sobre nós dois") suporia, passivamente, a inexorável passagem do tempo.
          
4 ‑ A expressão "Em triunfo" chama a atenção para a existência de uma força superior à vontade Humana.
          
5 ‑ "Nupcial", "é como um véu", "quanta flor!-do céu...sobre os nossos cabelos!"-Estas expressões remetem para o cerimonial do casamento, mas um casamento na "Acrópole de gelos", "na morte"?
          
6 ‑ As cores sugeridas ("rosas, "neve", "Inverno") são simbólicos: amor, castidade, tristeza/velhice. O ambiente parece pincelado à moda dos impressionistas: neve como pétalas caindo, "como um véu"‑ vento desfolhando rosas bravas numa paisagem de Inverno, véu que tudo desfoca, esbate e que torna impreciso os contornos...
          
Alda Pina Albuquerque, Dulce Pascoal, Elisa Azevedo, Luísa Pinto
          
A 1 de Março de 1926, morre em Macau, vítima de tuberculose pulmonar, a que não será estranho o uso excessivo de ópio, o advogado, professor e poeta Camilo Pessanha (1867-1926), autor do livro de poemas “Clepsidra” (1920), considerado o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa, apreciado por poetas como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Ana de Castro Osório.