quarta-feira, 14 de abril de 2010

A minha praia


Praia


Na luz oscilam os múltiplos navios

Caminho ao longo dos oceanos frios


As ondas desenrolam os seus braços

E brancas tombam de bruços


A praia é lisa e longa sob o vento

Saturada de espaços e maresia


E para trás fica o murmúrio

Das ondas enroladas como búzios.


Sophia de Mello Breyner






A lírica camoniana

Perdigão perdeu a pena


Segundo alguns biógrafos, este poema parece estar relacionado com um amor, não correspondido, pela infanta D. Maria, última filha do rei D. Manuel, uma das mulheres mais cultas, ricas e belas do seu tempo, que dificilmente estaria ao alcance de qualquer "perdigão ousado".


CANTIGA ALHEIA

Perdigão perdeu a pena,
não há mal que lhe não venha.


VOLTAS

Perdigão, que o pensamento
subiu em alto lugar,
perde a pena do voar,
ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
asas com que se sustenha:
não há mal que lhe não venha.

Quis voar a ũa alta torre,
mas achou-se desasado;
e, vendo-se depenado,
de puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
lança no fogo mais lenha:
não há mal que lhe não venha.

Luís de Camões

Os versos destacados justificam a frase em itálico na introdução acima apresentada.


Perdigão perdeu a pena - o mito de Ícaro

A perdiz, fêmea do perdigão, representa em muitas culturas o apelo ao amor e é símbolo da beleza feminina. No entanto, na tradição cristã, ela é símbolo da tentação e da perdição.
Perdigão, ave personificada, também pode simbolizar o homem cuja ambição foi desmedida. Este ‘ensinamento’ foi muitas vezes reproduzido e reinventado ao longo da nossa história e literatura, salientando-se o mito de Ícaro como um dos mais significativos.


Dédalo era um ilustre artista ateniense tão habilidoso e perfeito que fazia estátuas dotadas de movimento. O seu sobrinho Talo era também um talentoso artista que todos admiravam. Dédalo, receando que o jovem Talo o viesse a ultrapassar em habilidade e em renome, matou-o e, por isso, teve de se refugiar em Creta com o seu filho Ícaro. Em Creta, Dédalo foi acolhido com amizade pelo rei Minos que o incumbiu de construir um labirinto para guardar o terrível Minotauro. Minotauro, filho da mulher de Minos e de um touro, era um monstro metade homem e metade touro que se alimentava de carne humana. Entretanto o rei Minos, querendo castigar os atenienses por terem assassinado o seu filho Androgeu, impôs à cidade de Atenas o tributo anual de sete rapazes e sete raparigas para alimentar o Minotauro. Mas, ao fim do terceiro tributo, Teseu, filho do rei de Atenas, ofereceu-se como uma das vítimas, a fim de salvar a sua pátria do flagelo que a atingia. Lutando valentemente, Teseu conseguiu matar o Minotauro e com a ajuda de Dédalo, que dera ao jovem um novelo de fio, conseguiu sair do labirinto. Dédalo ajudara este jovem a pedido de Ariadne, uma filha do rei Minos, que se apaixonara por Teseu. O rei Minos ficou furioso com a atitude de Dédalo e mandou encarcerá-lo juntamente com Ícaro no próprio labirinto que ele construíra. Era quase impossível sair daquele labirinto e, no entanto, o engenhoso Dédalo conseguiu encontrar uma solução. Fabricou umas asas com penas de aves e colou-as no seu corpo e no do seu filho com cera. Antes de partirem, Dédalo recomendou ao seu filho que não voasse demasiado baixo nem demasiado alto. Todavia, quando se apanhou no ar, Ícaro quis voar tão alto quanto pudesse para gozar a liberdade que tinha acabado de reconquistar. Ao voar assim tão alto, aproximou-se do sol cujo calor derreteu a cera das asas, desfazendo-as. Vítima da sua ambição desmedida, Ícaro precipitou-se no mar Egeu junto de uma ilha que passou a chamar-se Icária.


O poema "Perdigão perdeu a pena" assenta nas virtualidades da palavra pena, que é usada em diferentes acepções estabelecendo uma contraposição entre o sonho e a realidade.

Sonho
pena (parte do corpo da ave que remete para o campo semântico de voar)
"E, vendo-se depenado,"
"Mas achou-se desasado;"

Realidade
pena (sentimento de tormento)
"De puro penado morre."

São palavras homónimas aquelas que se escrevem e pronunciam da mesma maneira, mas que têm significados diferentes. Por exemplo, no poema acima, a palavra pena tem significados distintos: "perde a pena de voar" (órgão cutâneo das aves) / "Ganha a pena do tormento" (sofrimento doloroso). Para além disso, estas constituem diferentes entradas no dicionário, pois, para além de pertencerem a campos semânticos diferentes, resultam da evolução histórica de palavras provenientes de étimos latinos diferentes. As palavras polissémicas são aquelas que se escrevem e pronunciam da mesma maneira e têm significados diferentes, mas que resultam da evolução histórica de palavras provenientes do mesmo étimo latino. Estas constituem acepções diferentes da mesma entrada no dicionário.


Processos que possibilitam a exploração de jogos de palavras, um dos encantos deste poema:

A homonímia constitui-se como a relação existente entre duas palavras que possuem a mesma forma gráfica e fonética, mas pertencem a campos semânticos completamente distintos. As palavras homónimas têm, portanto, origens e significados diferentes.

A polissemia corresponde às várias acepções de uma mesma palavra de acordo com o contexto em que se insere. Ao conjunto destas várias acepções que toma uma determinada palavra dá-se o nome de campo semântico.

O campo associativo corresponde ao conjunto de palavras relacionadas com um determinado tema ou ideia, pertencendo a categorias gramaticais diferentes.

A derivação é um processo morfológico de ligação do radical da palavra a prefixos (ex.: depena), a sufixos (ex.: penado) ou a ambos os afixos, designando-se este processo por derivação parassintética (ex.: desasado).
Assim, a partir da derivação podemos formar novas palavras a partir de outras já existentes, embora formalmente relacionadas, podendo ou não haver alteração da categoria gramatical de base.



Trabalhito:


Caixinhas





A Mena na cozinha

Morangos escondidos

morangos
1 embalagem de gelatina de morango
4 dl + 2,5 dl de água
2 iogurtes naturais

Prepare uma saqueta de gelatina com 4 dl de água a ferver. Coloque uma camada fina de gelatina no fundo da forma e reserve no frigorífico, enquanto lava e corta os morangos ao meio.
Disponha os morangos sobre a camada fina de gelatina e vá deitando cuidadosamente o resto de gelatina sobre os morangos. Não deixe os frutos a boiar.
Leve ao frigorífico.

Prepare a outra saqueta de gelatina com 2,5 dl de água. Bata os iogurtes, numa tigela, com esta gelatina. Este preparado fica com um aspecto marmoreado.

Deite-o por cima da gelatina com os morangos e leve ao frio.

Desenforme, decore a gosto e...
delicie-se!





5 comentários:

Maria Bettencourt Lemos disse...

Cara Mena, olá!

Mais cultural..seria dificil, como tal os meus parabéns pelo que escreve e aqui publica!
Eu já dei o seu link á minha filha Rita pois este seu blog é um excelente manual de preparação para o exame de Português...fabuloso!!!
As Criações e as Doçarias...um must!
Um grande abraço e um optimo fim de semana,
Maria Lemos

Mona Lisa disse...

Olá Mena

Uma praia bem ornamentada!

Hoje servi-me da sobremesa.
Não resisto a doces!

As caixinhas estão lindas.

Bjs.

Lisa

artes_romao disse...

boa tarde,td bem?
hummmm...tantas novidades;)
adorei tudo.
e parabéns pelas excelentes criações.
fica bem,jinhos***

Sonia Facion disse...

Linda a sua praia!!!

O poema tbm gostei!!!!!

Queros esses morangos, hummmm...deviam estar uma delícia!!!

bjks

Sonia

Tânia Vale & Liliana Vale disse...

Olá Mena! =) Tudo bem?

Só coisas lindas neste blog!

Deixei um selinho no meu!

Beijinhos *