terça-feira, 4 de março de 2008

O Gil e a Nina e...

Paninho para pôr no cestinho do pão, tudo feito pela minha mãe menos a rendinha à volta que foi feita por mim.




Uma caixinha para pôr bombons ou amêndoas.


Alfinete com flor em feltro com o olhinho em pérolas de vários tamanhos e cristais cor-de-rosa.

Agora vou apresentar-vos os meus bichanos: este é o Gil, é o cão mais dócil que conheço.
O Gil faz parte da família há já algum tempo. Nós encontrámo-lo, quando eu andava a fazer formação em fotografia. Saímos de casa de máquina em punho e fomos por aí fora à procura de motivos interessantes para fotografar: borboletas, flores, folhas, paisagens...
Parámos perto de um pinhal para tirar algumas fotos a plantas silvestres e eis que nos aparece um cãozinho, com cerca de dois meses, vindo do pinhal. Achei o bichinho tão bonito que lhe tirei uma série de fotografias. Os meus filhos começaram a brincar com ele e ficámos por ali durante algum tempo na brincadeira com o cachorro. Entretanto, chegou a hora de regressarmos a casa e o cãozito entrou também para dentro do carro. Mandámo-lo embora, mas ele abanava o rabo e lambia-nos. Decidimos sair do carro e procurar, por ali, o dono do bichinho. Não vimos ninguém. Levámo-lo no carro até à povoação mais próxima e aí perguntámos se sabiam a quem pertencia aquele boxer. Ninguém conhecia o cãozinho. Os meus filhotes já nos pediam que ficássemos com o animalzinho, porque ele não tinha ninguém, que não o podíamos deixar no pinhal, porque ele podia morrer de fome ou podia vir para a estrada e ser atropelado, e por isto, e por aquilo...
Deixámos o nosso contacto num café, poderia aparecer o dono e regressámos a casa com mais um elemento. Nunca apareceu ninguém a reclamar o bichinho e os meus filhos ainda hoje dizem que o Gil nos adoptou, nos escolheu para sermos da sua família.
Por altura do europeu, ele fugiu no dia do jogo Portugal - Inglaterra, saltou o muro, porque teve medo dos foguetes. Nós tínhamos saído para comemorar a grande vitória e quando chegámos, ele tinha desaparecido. Corremos toda a aldeia, perguntámos a toda a gente, vimos até dentro dos caixotes do lixo (podia ter sido atropelado e colocado aí). Nada. Tinha-se evaporado. A minha filha chorava, ela tinha um carinho especial pelo Gil, cresceu com ele. Coloquei fotos dele por todo o lado: nos cafés, na junta de freguesia, na escola... E Nada. Já estávamos a desanimar, quando nos disseram que um senhor tinha em sua casa um boxer e que andava desesperadamente à procura dos donos ou de alguém que o quisesse, porque não podia tê-lo junto com o seu, porque brigavam. Fomos logo a correr e quando lá chegámos, o senhor disse-nos que o tinha levado para o canil municipal e que se não aparecesse ninguém entretanto, seria abatido. A minha filha desatou a chorar, não podiam matar o Gil, ele não fez mal a ninguém, ele é meu amigo. O senhor prontificou-se a ir connosco ao canil e todos pedíamos a Deus fizesse com que não fosse tarde demais. Chegados ao canil, começámos a chamá-lo, era de noite, não se via nada, não se ouvia nada, ele não respondia. Começámos a temer o pior: abateram-no!
A minha filha começou a chorar e a gritar por ele, não queria ir para casa, queria o Gil. E foi aí que ele reconheceu o choro da Margarida e começou a ladrar e a raspar na rede do canil, queria sair e ladrava, ladrava, atirava-se contra a rede. Conseguimos abrir a porta, ele saiu, deitou-se aos pés da minha filha e lambeu-lhe as lágrimas todas. Chamámo-lo para dentro do carro, mas ele sabia que eu não gostava que ele fosse nos bancos, então fugia para trás do carro e sentava-se à espera que lhe abríssemos o porta-bagagens para ele saltar lá para dentro. A caixa estava cheia de ferramentas e ele podia magoar-se. Voltámos a chamá-lo e ele olhava-nos com aquela testa toda franzida e aquele olhar muito doce, parecia perguntar "Mas agora querem que entre para aí". Tivemos de pegar-lhe ao colo e levá-lo para dentro do automóvel, deitou a sua cabeça no colo da Margarida e ela fez-lhe muitas festinhas. Ele, de vez em quando, levantava a cabeça e olhava-me como que a perguntar "Hoje não ralhas por eu estar aqui?"

Esta é a Nina, uma cadela muito maluca com os seus filhotes.


Este é filho da Nina e do Gil

Este miminho foi-me enviado pela Nile

Agora, vou contar uma história que ouvi há já bastante tempo e que nessa altura me fez reflectir muito e analisar o comportamento e atitudes de certos pais que chegam a esquecer-se dos filhos (alguns com apenas 6 anos) na escola, fazendo com que professores e funcionários tenham de lhes telefonar, porque a escola vai fechar e as crianças, por vezes, aflitas e a chorar, não podem ficar ali à porta. Pois é! Vinha a sair de uma reunião, eram dezanove horas, e encontrei um rapazinho com seis anos a chorar desesperadamente ao portão da escola. A funcionária da portaria já não sabia o que fazer, já tinha tentado telefonar à mãe, ao pai e até à avó. Ninguém atendeu. Perguntei ao garotinho se sabia a sua morada? Se soubesse, eu levá-lo-ia a casa. Apontava-me o caminho e dizia "é para ali." Para ali? É aqui perto? Costumas ir a pé com a mãe? Que não, que ia de carro, mas que era por ali. Ali ficámos a tentar saber onde morava o garoto. Eram quase oito horas. Não havia ninguém na escola, só nós (eu, a Ana, a presidente do CE, a funcionária e o guarda). Chega um carro, pára na passadeira e sai uma senhora espavorida, tinha-se esquecido do filho. Tinha ido lanchar com uma amiga que fazia anos e atrasou-se, depois fora ao supermercado e só quando chegou a casa é que viu que não tinha ido buscar o filho. Pegou na criança, meteu-a no carro e foi-se embora assim como chegou, sem pedir desculpa pelo incómodo causado e sem agradecer pelo facto de terem ficado com o filho, ali, das dezasseis horas até perto das vinte.
Aqui fica então a história. Talvez a conheçam, vou contá-la à minha maneira, porque "Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto".

Gostaria de ser uma televisão


A professora pediu aos alunos que fizessem uma redacção. Deveriam começar o texto por “ Gostaria de ser…”, ou seja, poderiam pedir a Deus que os transformassem durante algum tempo num objecto e contar o que gostariam que Deus fizesse por eles.
Quando chegou a casa, a professora pegou nas composições para corrigir. Viu redacções com títulos, do género: “Gostaria de ser um limão”, “Gostaria de ser um papo-seco”, “gostaria de ser uma flor”, “Gostaria de ser um pião”… Os alunos tinham realmente imaginação e sentido de humor. Alguns textos foram até escritos em verso. Mas, de repente, ela reparou numa composição com uma letra tão certinha, tão bonita e até com algumas ilustrações e leu o título: “Gostaria de ser uma televisão”. Começou a ler e ficou de tal forma emocionada que lhe corriam as lágrimas pela cara.

O marido, que acabava de chegar, ficou alarmado por ver a mulher a chorar e perguntou-lhe porque chorava.
A mulher tentou enxugar as lágrimas e pediu:
- Lê esta redacção.
Ele pegou na folha, viu que era um texto escrito por um menino e leu.


_"Senhor, esta noite, eu quero pedir-te uma coisa muito especial: transforma-me num televisor. Eu gostaria de ser uma televisão. Quero ocupar o seu lugar na sala de minha casa e viver como a TV de minha casa. Quero ter um lugar especial para mim, e reunir toda a minha família à minha volta. Quero que me oiçam, quando falo, ser o centro das atenções e quero também ser escutado sem interrupções nem interrogações.

Quero receber o mesmo cuidado especial que a minha televisão recebe, quando não funciona. E ter a companhia e a atenção do meu pai, quando ele chega a casa, mesmo que venha cansado.
E que a minha mãe me chame para perto de si, quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. E, ainda, que os meus irmãos" briguem"para estar comigo.
Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, que eu possa diverti-los a todos. Senhor, não te peço muito...Só quero viver o que vive qualquer televisor".

- Meu Deus! Coitado deste menino. Que família horrível! Já percebi porque estavas a chorar! - Disse o marido muito comovido.
E a professora olhou-o, pegou no texto e disse com voz trémula:
- Esta redacção é do nosso filho!


É assim que muitas vezes os nossos filhos se sentem. Quantas vezes ignoramos aqueles que amamos, porque temos de assistir à novela, ao jogo de futebol, temos de ver e-mails, fazer várias coisas que, no fundo, não são assim tão importantes.

Pois é!… Quantas vezes nos esquecemos de dizer aos nossos o quanto gostamos deles, o quanto são importantes para nós?

É importante declararmos o nosso amor aos nossos filhos, ao nosso marido, aos nossos pais, aos nossos familiares, aos nossos amigos…

- Já fizeste isso hoje? Não! Pois ainda estás a tempo. Corre para eles, abraça-os, beija-os, diz-lhes que os amas muito. Faz isto todos os dias, fá-los felizes. O tempo passa a correr, não podemos deixar escapar estes momentos preciosos. É destes momentos de amor e ternura, das palavras carinhosas saídas do fundo do coração, dos sorrisos e dos olhares cúmplices que se alimenta uma família feliz e estes momentos ficam para sempre esculpidos na vida dos que amamos e dos que nos querem bem.

Deus há-de abrir os nossos olhos para vermos aquilo que realmente importa, há-de abrir o nosso coração e enchê-lo de amor para distribuirmos por todos os que amamos.

Vai! Eles estão à tua espera! Semeia o amor, rega-o com beijos e colherás sorrisos! Enche a vida dos que amas com a tua presença, fá-los felizes e tu sentir-te-ás também muito mais feliz.

Tenham uma óptima semana!

17 comentários:

nile santos disse...

Olá Queria amiga.Seus trabalhos estão lindos.A redação do menino orfã de carinho serve de exemplos.Os animais muito bonitos.bjin.nile.

graciela disse...

Hola Mena! qué bonitas cosas qué has hecho!!! Los perritos divinos, me encantan. Te mando besos y abrazos de oso desde Argentina.

Maria Lemos disse...

Olá Filomena!
Grande em tamanho e em conteúdo este post, parabens!
Quanto á caixa e restantes trabalhos acho-os lindissimos!
A História do Gil, acho-a incrivel e percebo perfeitamente a aflição da tua filha e vossa, pois tb eu tenho cães sendo q um deles cresceu coma minha filha Rita (12 anos)e não imagino sequer como ela ia reagir ao saber que ele estava no canil para ser abatido...nem imagino o desespero...mas teve um final feliz para o bem de todos.
Quanto á criança esquecida á porta da escola...enfim há coisas que nem imaginamos quanto mais comentá-las!
Um beijinho para ti
Maria Lemos

els@ disse...

não posso deixar de dizer que esta pequena grande história do Gil emocionou-me! ainda existem grandes seres humanos! um muito obrigadapor existires! beijinhos da elsa

ShinningMoon disse...

Olá!
Hoje sou eu quem te convida a ir até ao meu blog e participar no desafio que preparei.
Bjitos.

Joanita disse...

A pregadeira está linda, é a minha cor preferida.

A caixinha também está muito bonita e super trabalhada.

Quanto ao paninho, estou a ver que temos 2 artistas =)

*Beijinho e continuação de boa semana,
Joanita

pandolet disse...

ola =)

que lindão que é o gil!! e que sorte que ele tem...=)

VovoBaisa disse...

Oi Mena!
Que linda história a da Televisão!
que lindos trabalhos!
Parabéns por suas mãos de fada;
Bj. Baísa

Carla Maria disse...

Mena

Adorei sues trabalhos, parabéns! Seu blog é lindo.

bjs

Lucinda disse...

olá linda, tenho um miminho para ti no meu blog. jinhos

Anónimo disse...

Olá!
Duas histórias e que histórias!
A história do Gil emocionou-me, ainda bem que ele encontrou uma família linda que gosta dele.
A do menino que queria ser TV é triste, mas retrata a realidade de algumas famílias em que os filhos são postos quase em último lugar.
É uma lição! Tem uma moral, primeiro as pessoas depois os objectos...
A. C.

ShinningMoon disse...

Olá Mena!
Obrigada pela tua participação no meu desafio.
Bom fim de semana.
Bjitos.

Meus Netos Minha Fortuna disse...

Pois querida... os trabalhos que publicaste estão lindissimos!
Parabens!
Um excelente fim de semana
Um beijinho!
Muito mas muito amiga:::
Cassilda

graciela disse...

Hola Mena! Cómo estás? Pasaba a desearte un buen fin de semana. Y qué pases un muy lindo DIA INTERNACIONAL DE LA MUJER. Besos y abrazos de oso desde Argentina Amiga.

disse...

Olá, Mena!
O seu blog é tudo de bom. Aqui vc tem postados trabalhos lindíssimos e histórias que nos fazem refletir.
Tenho dois cães que adoro: o Cyollo que é um poodle-toy e o Bob que é um cão que apareceu em minha casa qdo pequeno. É deles a maior parte das atenções e demonstrações de carinho que recebo.
Pensando bem, sabe que eu tb gostaria de ser uma televisão?
Feliz dia das mulheres.
Paz e luz no seu coração.
Tenha um ótimo e maravilhoso final de semana.
Bjs.
Dô.

Clara y Pepe (los Chuquis) disse...

¡Hermosas artesanías!, me encantan tus mascotas,¿cúantos perritos tenés?, parece que muchos.
¡Nos seguimos visitando!

Atelier da Casaleira disse...

Olá:) boas tardes:) feliz dia da mulher...ontem,hoje e sempre:) os teus cães são lindos, adoro animais e, é bom saber que existe sempre alguém que os trata com amor:) beijinho