domingo, 7 de março de 2010

Ah, padalada!

Ah, padalada!


Estava de volta da passarada, de cola, de papéis mais ou menos coloridos, quando me veio à memória um tempo longínquo e feliz, guardado bem no fundo do baú das recordações da minha infância.

À frente da casa da minha mãe, havia um terreno enorme, sempre a subir que culminava lá no alto com duas ou três casinhas típicas, outrora brancas com barras azuis e bem arranjadas, com um pequeno jardim à frente. Eu já só recordo a tinta desbotada e arrancada daquelas paredes acinzentadas e o jardim mal cuidado, mas cheio de flores de todos os tipos, encavalitadas umas nas outras num grande emaranhado de cores e perfumes. Como era sempre a subir, depois das casas ficava o céu azul salpicado de nuvens brancas como cordeirinhos. No meio do terreno fértil, estava um poço, à nora, enorme, e um macho, de olhos vendados, rodopiava para tirar a água, durante todo o dia. Junto do poço havia dois ou três tanques onde as mulheres lavavam a roupa que estendiam logo ali ao pé, como se desfraldassem bandeiras. O dono dos terrenos e das casas chamava-se Rato e a mulher Rata, nunca soube se era uma alcunha, mas acredito que sim. O senhor Rato tinha uma irmã deficiente, a Celeste, de idade imprecisa, que envergava umas roupas largas, de cor indefinida.

O grande terreno era todos os anos cavado e sachado e depois totalmente semeado de trigo. Havia sempre muita gente a trabalhar ali. Os pássaros, naqueles dias, não paravam, redemoinhavam loucamente, à cata, primeiro, das minhocas desprevenidas que ficavam no cimo da terra fofa acabada de arar e, depois, das sementes acabadas de lançar. Cheirava a terra, a erva recém-cortada. As mulheres cantavam, enquanto lavavam a roupa e os homens contavam anedotas e histórias e riam a bom rir.

E logo pela manhã, ouvíamos a Celeste a gritar “Ah, padalada” e a bater tambor numas latas velhas e ferrugentas. Ela tinha dificuldade em pronunciar algumas palavras, por exemplo, bania todos os erres dos vocábulos e trocava o g pelo d. Os homens e os rapazes gostavam de a ouvir falar e faziam-lhe perguntas:

- Ó Celeste, há bocado a sirene dos bombeiros tocou tanto, sabes o que foi?

- Sei, sei – respondia ela, feliz – foi um fodo. Um dande fodo!

Todos se riam e ela ria também ingenuamente, sem saber porquê. Todos gostavam dela e ela era louca por crianças, defendia-nos sempre. O irmão não gostava de miúdos e não queria que brincássemos perto da sementeira para não a pisarmos, daí que se punha lá de cima a gritar connosco. A Celeste, com aquela voz meiga e as palavras totalmente enrodilhadas de cuspo, porque queria falar muito depressa, defendia-nos:

- Deixa os meninos, deixa, estão só a bincá. Eles não estadam nada! Eu tomo conta!

E o Rato vociferava algo que não entendíamos nem queríamos entender e, num espalhafato de gargalhadas, fazíamos uma roda com a Celeste e cantávamos. Ela era uma criança grande!

A Celeste era o nosso despertador. Logo pela manhã, mal o dia despontava, acordávamos ao som dos batuques e da sua voz de criança “Ah, padalada!” e era bom…


Estes pássaros hão-de dar as boas-vindas à Primavera. Estamos todos atarefados na Biblioteca, vamos prepará-la para uma série de actividades de que vos falarei depois...

Esta é a caixa que os meninos e meninas do 1.º ciclo decoraram com flores para acolher os poemas escritos pelos alunos, na Semana da Poesia. Vamos fazer um concurso de poesia, todos os alunos podem concorrer, os autores dos melhores poemas receberão prémios.
Os meus alunos do 7.º ano já andam todos atarefados a escrever textos poéticos, pois querem colocá-los na caixinha já corrigidos, "É para termos mais hipóteses de ganhar, professora!". Estão a ver! Os espertinhos querem que eu corrija os textos e só depois os colocarão na urna!


A corrente tradicional da lírica camoniana


A esparsa


A esparsa é uma forma poética de cariz triste e melancólico generalizada na Península Ibérica a partir do século XV, que não é precedida nem de glosa nem de mote. Ela é constituída por uma única estrofe, de redondilha maior, com oito a dezasseis versos.



Ao desconcerto do Mundo


Os bons vi sempre passar

No Mundo graves tormentos;

E pera mais me espantar,

Os maus vi sempre nadar

Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim

O bem tão mal ordenado,

Fui mau, mas fui castigado.

Assim que, só pera mim,

Anda o Mundo concertado.


Luís de Camões



Esta esparsa com versos de sete sílabas (redondilha maior), ritmo e rimas regulares traduz o queixume do sujeito poético que se julga perseguido pela má sorte. Ao colocar em evidência o contraste entre o bem e o mal, a sorte e o infortúnio, o castigo e o prémio, o sujeito lírico lastima-se, porque verifica que os maus triunfam sempre, sofrendo os bons os infortúnios deste mundo, e desespera com o seu próprio destino cruel, pois ao esforçar-se por ser mau não alcança a felicidade, continuando assim o seu sofrimento. Conclui, então, o sujeito poético que só para si o mundo está concertado.
Este poema retoma um tema recorrente na lírica camoniana, o desconcerto do mundo.

Se o mundo fosse como o “eu” lírico deseja, os bons seriam felizes e bem sucedidos e os maus sofreriam os infortúnios, a má sorte. O sujeito poético era bom, puro e humano, mas não conseguia livrar-se da má sorte, da tristeza, da infelicidade. Decide então ser mau para alcançar a felicidade sonhada, mas não consegue, é castigado. O “Eu” lírico não consegue praticar o mal de forma natural, porque ele não consegue ser aquilo que não é: mau. Ele será sempre bom e puro e qualquer maldade que pratique será por si condenada, porque para ele os bons devem ser recompensados e os maus castigados.





A Mena na cozinha

Peru estufado com alecrim

1 peito de peru e 1 perna
1 cebola
2 dentes de alho
1 ramo de alecrim
4 tomates maduros
vinho branco
azeite
sal
pimenta
1/2 malagueta grande
caldo de galinha

Corte a cebola grosseiramente e a malagueta e os alhos às rodelas e coloque tudo no tacho. Por cima desta cama, disponha o peru. Corte os tomates aos pedaços, lave o alecrim e espalhe por cima do peru. Tempere com sal e pimenta. Regue com azeite, vinho branco e o caldo de galinha. Deixe cozinhar tapado, virando o peru de vez em quando.

Sirva com puré de batata e salada.
Bom apetite!


Trabalhitos:

Porta-chaves

Colar e respectiva embalagem

7 comentários:

Mona Lisa disse...

Olá Mena

Recordar é viver!

Mais uma vez fizeste-me recordar os meus alunos...a preparação para a chegada da Primavera.

Volto para jantar.

Bjs.

Maria Cusca disse...

Que lindo texto!
E não há dúvida, como diz a Lisa, recordar é viver.
Gostei do trabalhinho.
E o menu parece-me óptimo.
Feliz dia da mulher.
Jinhos grandes.

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Mena,

Como admiro esse seu talento...

Beijo imenso, menina linda.

Rebeca

-

Magia da Inês disse...

Olá, amiga!
Desejo para você...
"...um mundo mais feminino, mais rosado e sensibilizado...
mais equilibrado e perfumado..."
Feliz Dia das Mulheres!...
Beijinhos.
Itabira - Brasil

artes_romao disse...

boa noite,td bem?
adorei as novidades...
mas a tua história de infância...um encanto.
fica bem,jinhos****

Marilú disse...

Mulher...
Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis
Que divide sua alma em duas
Para carregar tamanha sensibilidade e força
Que ganha o mundo com sua coragem
Que traz paixão no olhar
Mulher,
Que luta pelos seus ideais,
Que dá a vida pela sua família
Mulher
Que ama incondicionalmente
Que se arruma, se perfuma
Que vence o cansaço
Mulher,
Que chora e que ri
Mulher que sonha...
Tantas Mulheres, belezas únicas, vivas,
Cheias de mistérios e encanto!
Mulheres que deveriam ser lembradas,
amadas, admiradas todos os dias...

Para você, Mulher tão especial...
Feliz Dia Internacional da Mulher!
(Anônimo)
Como é bom recordar...
Bjssssssss
Marilú

Marilú disse...

Mulher...
Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis
Que divide sua alma em duas
Para carregar tamanha sensibilidade e força
Que ganha o mundo com sua coragem
Que traz paixão no olhar
Mulher,
Que luta pelos seus ideais,
Que dá a vida pela sua família
Mulher
Que ama incondicionalmente
Que se arruma, se perfuma
Que vence o cansaço
Mulher,
Que chora e que ri
Mulher que sonha...
Tantas Mulheres, belezas únicas, vivas,
Cheias de mistérios e encanto!
Mulheres que deveriam ser lembradas,
amadas, admiradas todos os dias...

Para você, Mulher tão especial...
Feliz Dia Internacional da Mulher!
(Anônimo)
Como é bom recordar...
Bjssssssss
Marilú