segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Momento de poesia

Estava a arrumar alguns livros, quando me deparei com algumas obras deste grande poeta: David Mourão Ferreira.

David Mourão Ferreira foi meu professor na Faculdade de Letras. Era um homem com muita classe, dono de uma voz única, doce, cativante. Quando começava a aula, ficávamos todos suspensos nas suas palavras, parecia magia, bebíamo-las como se fosse o doce licor dos deuses, quedávamos de tal modo inebriados que nem dávamos pelo tempo passar.

Aqui vos deixo um pouco da sua poesia!


PELE

Quem foi que à tua pele
conferiu esse papel

de mais que tua pele
ser pele da minha pele


Segredo

Nem o Tempo tem tempo
para sondar as trevas

deste rio correndo
entre a pele e a pele

Nem o Tempo tem tempo
nem as trevas dão tréguas

Não descubro o segredo
que o teu corpo segrega


A Secreta Viagem

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!

Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde-mar se escoa...

Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? - Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!

Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
- Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!


E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos


Primavera


Todo o amor que nos prendera
como se fora de cera
se quebrava e desfazia
ai funesta primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia


E condenaram-me a tanto
viver comigo meu pranto
viver, viver e sem ti
vivendo sem no entanto
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi


Pão duro da solidão
é somente o que nos dão
o que nos dão a comer
que importa que o coração
diga que sim ou que não
se continua a viver


Todo o amor que nos prendera
se quebrara e desfizera
em pavor se convertia
ninguém fale em primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia



Carne de porco à Ribatejana

1 kg de carne de porco
2 colheres de sopa de massa de pimentão
3 dentes de alho
sal
pimenta
1,5 dl de vinho branco
1 folha de louro
1,5 kg de batatas novas
1 kg de amêijoas
1 ramo de coentros
1 limão
piripiri
80 g de banha

Corte a carne em pedacinhos pequenos e tempere-a com a massa de pimentão, alho laminado, sal, pimenta, o vinho branco e umas gotas de sumo de limão. Deixe ficar neste tempero algumas horas ou de um dia para o outro.

Descasque as batatas e corte-as em pedaços pequenos, lave-as e conserve-as em água fria.

No momento de fritar a carne (meia-hora antes da refeição) escorra a carne, aproveitando a marinada. Escorra também as batatas. Num tacho largo, leve a banha ao lume. Quando estiver bem quente junte-lhe a carne escorrida. Mexa de vez em quando com uma colher de pau e deixe-a fritar por igual. Ponha um pouco de piripiri.

Frite as batatas.

Tempere-as com sal depois de fritas e escorridas.

Retire a carne com a escumadeira, depois de bem frita e guarde-a à parte. Ao molho que ficou no tacho, junte-lhe a marinada que serviu para temperar a carne. Lave as amêijoas, escorra-as e deite-as no molho do tacho. Tape e deixe que abram, sacudindo de vez em quando o tacho.

Logo que estejam todas abertas,

junte-lhes a carne e deixe cozinhar um pouco.

Numa travessa coloque as batatinhas no fundo e disponha a mistura da carne com as amêijoas por cima. Enfeite com raminhos de coentros ou de salsa, gomos de limão e beterraba, azeitonas, pickles, tirinhas de pimentos morrones... Sirva quente.



Trabalhinho: chinelinhos


De chinelinha no pé e unhas a condizer... A manicura esteve a cargo da Krystel, do Atelier do Cabelo. Ah! Já agora, ficam a saber que é lá que estão expostas algumas das criações Mym. Passem por lá e dêem uma espreitadela!






13 comentários:

Carolina disse...

Hola! feliz lunes! pase a dejarte muchisimos besotes!

caloca disse...

Olá Mena, bom dia. Que bom, uma receita do Ribatejo... o meu marido é Ribatejano, mas mora cá em baixo desde novinho, mas aprecia muito a gastronomia da terra natal, um destes dias vou fazer este prato, vamos la ver se o consigo surpreender pela positiva, uma vez que nao sou muito boa na cozinha... no entanto, confio plenamente na autora da receita, pois seus pratos parecem-me todos divinais.
Os chinelinhos estão cada vez mais bonitos.
Jinhos
Armanda

Habiba disse...

Mais umas lindas sandalias! A tua carne de porco a ribatejana fez-me lembrar a minha carne de porco a alentejana, eheh! beijinhos

sweetie Mafalda disse...

Olá amiga,

os poemas são muito bonitos sem dúvida.
Adorei as chinelas, estão muito lindas para o verão!!
A receita deixou-me com vontade de ir almoçar :):):):):)
Tens uns prémios no meu blog, quando puderes passa por lá.
Beijocas
Mafalda

Ideias da Taninha disse...

Vim ver os teus chinelos novos, estão lindos, muito alegres!Beijokinhas da Taninha

caloca disse...

Cá estou eu outra vez. Tenho um prémio para ti no meu blog.
jinhos
Armanda

artes_romao disse...

Boa tarde,td bem?
k belas chinelas, andas com umas criaçoes fantásticas...
ker dizer, para n variar,lol...
essa receita tambem, ai...ai...
fika bem,jinhos***

Dulce disse...

Olá Mena,
Que chinelinhos lindos e as unhas perfeitas (as minhas são feias, coitadas, não se pode ter tudo).
Bom deixei-te um prémio para o trazeres para aqui.

beijinhos

Sonia Facion disse...

Oi Mena!!!

Lindas as sandálias.
Gosto muito de poesias.
Apreciei por demais E POR VEZES.
Bjks

Sonia

Sylvana disse...

Hola Mena tanto tiempo sin dejar comentario (siempre te visito igual)
Me encantaron ess chinelas (sandalias) muy lindo los apliques.
Y esa receta creo que voy a tener que guardarla necesito mejillones pero se por estos lados se consiguen facil
un beso grande
SYl

APO (Bem-Trapilho) disse...

olá olá!!!
que lindas as chinelas!!! adorei! :) e a Mariza... divina como sempre! :)
bjokas amiga!

Daniela Veiga disse...

Olá Mena!
Quando puder passa lá, tem um prémio á sua espera!
Bjinhos

Feltro em casa disse...

Oi Mena, passei por aqui e amei as poesias...é um ótimo aperitivo para começar o dia!!!Beijo, Malú