terça-feira, 3 de março de 2009

Discurso de Maria


A Formosíssima Maria

(continuação da análise)

Discurso de Maria (est.103 - 105)
(processos utilizados para
comover e convencer o pai)

A dignidade e a tristeza de Maria constitui um factor muito importante para o bom acolhimento do pai.
Todo o discurso de Maria está orientado para sensibilizar e impressionar o rei. Há em primeiro lugar o engrandecimento do povo invasor (os mouros), de terrível ferocidade: "Quantos povos a terra produziu / De África toda..." (hipérbole); "gente fera e estranha, / O grão rei de Marrocos conduziu / Para vir possuir a nobre Espanha" (nota a ênfase dada ao poderio do rei inimigo, grão rei, a expressividade do verbo possuir, que sugere mais o sucesso dos inimigos do que invadir, ou atacar, e a antítese entre essa gente fera e estranha e a nobre Espanha); "Trazem ferocidade e furor tanto / Que a vivos medo e a mortos faz espanto!" (repara no sentido hiperbólico da frase, realçado também pelo hipérbato, ou inversão da ordem das palavras, verificado no último verso, onde se nota ainda o zeugma, ou supressão da forma verbal faz da primeira oração).
Há, depois, o facto de ser o seu próprio marido, "Aquele que me deste por marido", que está sujeito "Ao duro golpe... da maura espada" (nota que há aqui a intenção, da parte da Maria, de corresponsabilizar o pai pelo seu casamento, pela sua felicidade como esposa, incutindo-lhe a obrigação moral de ir em auxílio do marido). Com essa intenção ela insiste na sua possível e iminente desventura: "Ver-me-às dele e do reino ser privada; / Viúva e triste posta em vida escura, / Sem marido, sem reino e sem ventura". Veja-se a expressividade do polissíndeto, repetição da conjunção e, e da repetição da preposição sem, acentuando os vários bens que ela perde e os males a que fica sujeita; nota ainda que o triplo uso de sem, dando ao verso o ritmo ternário, realça o facto de ela como esposa perder o rei, como rainha perder o reino e como pessoa individual perder a sua felicidade. De novo se verifica a antítese entre o pequeno poder do marido e o grande poderio dos mouros, "...duro golpe... da maura espada", e entre o pequeno poder do marido e a sua coragem ("oferecido /Ao duro golpe"). Maria procura depois tocar o pai ora apelando para a sua vaidade e desejo de glória: "... ó rei de quem com puro medo / O corrente Muluca se congela" (nota a hipérbole), ora despertando nele o seu amor de pai: "se esse gesto... / De pai o verdadeiro amor assela, / Acude e corre, pai, que, se não corres, / Pode ser que não aches quem socorres!" Nota a repetição da palavra pai (o pai era a única pessoa que lhe podia valer) e a repetição do verbo correr e dos imperativos rompe, acude e corre, tudo isto para sugerir a urgência da ajuda suplicada, porque, "...se não corres, / Pode ser que não aches quem socorres!" (qualquer demora tornará a ajuda inútil).
Repara ainda na expressividade do latinismo miseranda ("acude cedo /À miseranda gente de Castela") que significa necessidade, urgência em realizar a acção. Portanto a gente de Castela era digna de compaixão, o rei português devia apiedar-se dela.
O discurso de Maria foi organizado pelo poeta com a intenção de comover, impressionar o pai. Daí a predominância da função apelativa da linguagem ( vocativos, repetição de formas verbais imperativas, preocupação constante de justificar a intervenção do rei em favor do marido).




Breve síntese dos aspectos mais importantes do discurso de Maria:

a) Argumentação:

Apresentação do exército muçulmano para "possuir" a "nobre Espanha" - a ferocidade do inimigo / o medo de Maria de perder o marido, o reino, a felicidade.

As consequências para si e para o seu marido.

A responsabilidade do pai pelo seu destino: "me deste por marido".

Exaltação do poder do rei D. Afonso IV e do seu povo.

Apelo ao amor paternal.


b) Os objectivos:

- Impressionar pelo exagero descritivo da situação.
- Denunciar as consequências funestas e as responsabilidades.
- Comover pelo recurso à sua situação particular.
- Convencer através da lisonja e do apelo ao amor paterno.
- Convencer recorrendo às forças da razão - gravidade da situação; e às forças do sentimento: tensão emocional.


Conclusão do episódio (estrofe 106):

Comparação entre a sorte da "tímida Maria" e da "triste Vénus":

- a beleza e a atracção;
- a atitude feminina;
- as maifestações patético-sentimentais.


A resolução favorável do rei à semelhança de Júpiter:

- "tudo o clemente Padre lhe concede";
- considera ser pouco o que lhe é pedido.




"As mulheres (...) devem procurar tornar-se atraentes quanto o permitirem a natureza e o bom gosto. Depois da guerra elas deverão vestir-se como mulheres e ter uma atitude feminina..."
Olga Michakova, 1944



A Mena na cozinha

Carne de porco com cenoura e alho francês

400 g de carne de porco limpa
sal
azeite
1 cebola
2 dentes de alho
1 folha de louro
0,5dl de vinho branco
água
200 g de cenoura
200 g de alho francês (parte branca)
200 g de tomate
1 raminho de hortelã

Arroz

200 g de arroz
1 cebola picada
2 dentes de alho
sal
1 folha de louro
2 colheres de sopa de azeite

Leve a carne, cortada em cubos e temperada com sal, a alourar em azeite. Adicione a cebola e os alhos picados juntamente com o louro. Deixe estufar uns minutos e refresque com vinho branco. Junte um pouco de água e deixe estufar lentamente.
Entretanto aloure outra cebola em azeite aromatizado com o alho picado e o louro. Junte o arroz e envolva bem. Adicione água a ferver (o dobro da medida do arroz), tempere com sal e deixe levantar fervura. Reduza o lume para o mínimo, mexa e deixe cozinhar em tacho tapado durante 8 minutos. Desligue o fogão e deixe repousar mais 10 minutos, mantendo o tacho tapado.

Quando a carne estiver quase pronta, junte a cenoura em cubos. Passados 5 minutos, junte o alho francês em lâminas compridas. Adicione o tomate em cubos e deixe estufar mais um pouco, Para finalizar, junte o raminho de hortelã. Envolva tudo e rectifique os temperos.

Sirva a carne com os legumes e acompanhe com o arroz e salada mista.
Este prato também fica óptimo confeccionado com carne de vitela.
Bom apetite!




Trabalhito: mais uma flor sem fim à vista, pelo menos por agora!













Desafio

Recebi esse desafio desta menina.


Repasso para as cinco primeiras pessoas que comentarem neste post.


signo: Virgem (leio às vezes, mas não acredito muito!)
uma pessoa: o meu marido
um nome: Ana
um lugar: aqui no meu sofá
um pecado: a preguiça
um programa: ver um filme em família

um verbo: amar
uma música: Intervalo (Perfume e Rui Veloso)
uma roupa: top
uma bebida: sumo de laranja
um doce: maçã reineta assada
uma paixão: livros
um vicio: chocolate amargo (por vezes)
sonho de consumo: construir uma piscina no meu quintal
um sonho: continuar a ser feliz e a ter saúde
não vivo: sem minha família
na minha bolsa não pode faltar: a carteira com os cartões e os documentos
não gosto: de mentiras
gostaria: de continuar a ter motivos para sorrir
frase preferida: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” (Fernando Pessoa)
pior hábito: criticar tudo e todos
razões para sorrir: tenho sempre razões para sorrir, graças a Deus!

doce ou salgado: depende
bolo ou torta: torta
diamantes ou pérolas: pérolas
café ou chá: chá
coca cola ou guaraná: guaraná
telefone ou internet: internet
cheiro favorito: jasmim

roupa que está vestindo agora: calças castanhas de ganga, camisola bege, botas castanhas.

lua de mel: não tive, estava a estudar na Faculdade, não faltei às aulas…
uma viajem inesquecível: todas são inesquecíveis
eu sou: teimosa, perfeccionista, amiga, leal...
deveria ser: menos teimosa
uma mensagem: cada dia é um presente que a vida nos dá e merece ser vivido da melhor maneira, intensamente.


Continuem a brincadeira!...



7 comentários:

Mary disse...

Mena, que excelente refeição!
Muito completa e colorida!
Obrigada pelo desafio, vou levá-lo. Publico-o logo que possível (é um pouco extenso e ainda agora publiquei um longo), mas fá-lo-ei muito em breve! :)
Bjókas e obg****

M. Céu Fernandes disse...

Olá. Já me estás a fazer crescer água na boca...
Bjs e continuação de boa semana!
M. Céu

Sonia Facion disse...

Obrigada Mena!!!

Tô levando.

Pelo que li, parece interessante essa questão que vc escreveu.

Quem é Olga Michakova?

Achei interessante o que ela disse.

Bjks

Sonia

caloca disse...

Olá Mena. Hum, parece que ja cheira bem...
Achei o desafio interessante, vou levá-lo comigo, bigada.
~Jinhos
Armanda

Maria Bettencourt Lemos disse...

Olá Mena,

A espectacularidade continua bem viva aqui!!!
Na Educação...na Culinária e nas Artes Decorativas!!!
Muitos parabens!
Um grande abraço,
Maria Lemos

artes_romao disse...

boa noite,td bem?
este post está lindissimo.
esta comida, parece ser delicioso.
a flor esta um mimo,parabens.
fika bem,jinhos***

Sabrith disse...

Não teve lua de mel? nem depois que acabaram as aulas?
Ainda há tempo de fazer sua lua de mel...
Mena, deixei o desafio PANDORFIMO no meu blog, vc aceitou?
Bom final de semana
Bjokas