segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ó glória de mandar, ó vã cobiça

O Velho do Restelo (Canto IV, 94/104)


“La vos digo que ha fadigas,

Tantas mortes, tantas brigas,

E perigos descompassados,

Que assi vimos destroçados,

Pelados como formigas.”

Gil Vicente – Auto da Índia


1. Caracterização do Velho:


a) Física

“velho”

“aspeito venerando”

“a voz pesada”


b) Psicológica

“descontente”

“c’um saber só de experiências feito”


2. Circunstâncias que acompanharam o seu discurso:


Estrofe 94:

a) “(que) ficava nas praias entre a gente”

b) “postos em nós os olhos”

c) “meneando três vezes a cabeça, descontente”

d) “a voz pesada um pouco alevantando”



2.1.O sentido das circunstâncias

a) Os portugueses que discordavam da viagem.

b) Atitude para convencer.

c) 3 – o número da perfeição; a sabedoria.

d) A repreensão.


3. A estrutura do episódio:


1.ª parte – est. 94 – Introdução ao discurso do velho.

2.ª parte – est. 95/104 – Discurso (directo) organizado em três fases:

1 – est. 95/97

- Reflexão sobre os perigos a que a “vaidade, a quem chamamos Fama”, a “glória de mandar” e a “honra” conduzem o ser humano. (Frases do tipo exclamativo).

- Enumeração de algumas consequências dessa ambição.

- Interrogação sobre quais teriam sido as promessas que levaram os Portugueses a tal aventura. (Frases do tipo interrogativo).

2 – est. 98/101

- Apelo à “geração daquele insano” para que, se tanto enleva “a leve fantasia”, combata os Mouros (que estão perto e onde pode ganhar fama e glória) em vez de partir em busca do “incerto e incógnito perigo”.

3 – est. 102/104

- Incapaz de conter a sua amargura, o Velho maldiz aquele que inventou a caravela e recorda outros que, por ambição, também foram castigados.


4. O Velho como símbolo: O Velho, se por um lado representa a voz do bom senso, não deixa de ser também um símbolo do tradicional medo do desconhecido e da habitual hesitação perante a novidade.




Este episódio insere-se na narrativa feita por Vasco da Gama ao rei de Melinde. No momento em que a armada do Gama está prestes a largar de Lisboa para a grande viagem, uma figura destaca-se da multidão e levanta a voz, para condenar a expedição.

O texto é constituído por duas partes: a apresentação da personagem feita pelo narrador (est. 94) e o discurso do Velho do Restelo (est. 95 a 104).

A caracterização destaca a idade (“velho”), o aspecto respeitável (“aspeito venerando”), a atitude de descontentamento (“meneando / Três vezes a cabeça, descontente”), a voz solene e audível (“A voz pesada um pouco alevantando”), e a sabedoria resultante da experiência de vida (“Cum saber só de experiências feito”; “experto peito”).

A figura do Velho do Restelo revela uma autoridade, uma respeitabilidade, que lhe permite falar e ser ouvido sem contestação. As suas palavras têm o peso da idade e da experiência que daí resulta. E a autoridade provém exactamente dessa vivida e longa experiência.

O seu discurso pode dividir-se em três partes.

Na primeira (est. 95-97), condena o envolvimento do país na aventura dos descobrimentos, a que se refere de forma claramente negativa (“vã cobiça”, “vaidade”, “fraudulento gosto”, “dina de infames vitupérios”). Denuncia de forma inequívoca o carácter ilusório das justificações de carácter heróico que eram apresentadas para esse empreendimento (“Fama”, “honra”, “Chamam-te ilustre, chamam-te subida”, “Chamam-te Fama e Glória soberana”), sendo certo que tudo isso são apenas “nomes com quem se o povo néscio engana”. E apresenta um rol extenso de consequências negativas dessa aventura: mortes, perigos tormentas, crueldades, desamparo das famílias, adultérios, empobrecimento material e destruição. Esta primeira parte é introduzida por uma série de apóstrofes (“Ó glória de mandar”, “ó vã cobiça”. “Ó fraudulento gosto”), com as quais revela que o que ele condena é de facto a ambição desmedida do ser humano, neste caso materializada na expansão ultramarina. O sentimento de exaltada indignação manifesta-se, sobretudo, pela utilização insistente de exclamações e interrogações retóricas.

Na segunda parte (est. 98-101 começa com uma nova apóstrofe, desta vez dirigida, não a um sentimento, mas aos próprios seres humanos (“ó tu, geração daquele insano”). Se na primeira parte manifestou a sua oposição às aventuras insensatas que lançam o ser humano na inquietação e no sofrimento, agora propõe uma alternativa menos má, sugerindo que a ambição seja canalizada para um objectivo mais próximo — o Norte de África. A estância 99 é toda ela preenchida com orações subordinadas concessivas, anaforicamente introduzidas por “já que”, antecedendo a sua proposta de forma reiterada e cobrindo todas as variantes dessa ambição: religiosa (“Se tu pola [Lei] de Cristo só pelejas?”), material (“Se terras e riquezas mais desejas?”), militar (“Se queres por vitórias ser louvado?”). E aproveita para apresentar novas consequências maléficas da expansão marítima: fortalecimento do inimigo tradicional (“Deixas criar às portas o inimigo”), despovoamento e enfraquecimento do reino. E mais uma vez recorre às interrogações retóricas como recurso estilístico dominante.

Na terceira parte (est. 102-104), o poeta recorda figuras míticas do passado, que, de certo modo, representam casos paradigmáticos de ambição, com consequências dramáticas. Começa por condenar o inventor da navegação à vela — “o primeiro que, no mundo, / Nas ondas vela pôs em seco lenho!”. Faz depois referência a Prometeu, que, segundo a mitologia grega, teria criado a espécie humana, dando assim origem a todas as desgraças consequentes — “Fogo que o mundo em armas acendeu, / Em mortes, em desonras (grande engano!”. Logo a seguir, narra os casos de Faetonte e Ícaro, que, pela sua ambição, foram punidos. E os quatro versos finais da fala do Velho do Restelo sintetizam bem esse desejo desmedido de ultrapassar os limites:

Nenhum cometimento alto e nefando

Por fogo, ferro, água, calma e frio,

Deixa intentado a humana geração.

Mísera sorte! Estranha condição!



Simbologia do episódio do “Velho do Restelo”


Naturalmente, o “Velho do Restelo” não é uma personagem histórica, mas uma criação de Camões com um profundo significado simbólico.

Por um lado, representa aquela corrente de opinião que via com desagrado o envolvimento de Portugal nos Descobrimentos, considerando que a tentativa de criação de um império colonial no Oriente era demasiado custosa e de resultados duvidosos. Preferiam que a expansão do país se fizesse pela ampliação das conquistas militares no Norte de África.

Por outro lado, se ignorarmos o contexto histórico em que o episódio é situado, podemos ver na figura do Velho o símbolo daqueles que, em nome do bom senso, recusam as aventuras incertas, defendendo que é preferível a tranquilidade duma vida mediana à promessa de riquezas que, geralmente, se traduzem em desgraças. Encontramos aqui um eco de uma ideia cara aos humanistas: a nostalgia da idade de ouro, tempo de paz e tranquilidade, de que o homem se viu afastado e a que pode voltar, reduzindo as suas ambições a uma sábia mediania (“aurea mediocritas”, na expressão dos latinos), já que foi a desmedida ambição que lançou o ser humano na idade de ferro, em que agora vive (est. 98). Neste sentido o episódio pode ser entendido como a manifestação do espírito humanista, favorável à paz e tranquilidade, contrário ao espírito guerreiro da Idade Média.

Assim, o episódio do “Velho do Restelo” está de certo modo em contradição com aquilo mesmo que Os Lusíadas, no seu conjunto, procuram exaltar — o esforço guerreiro e expansionista dos portugueses. Essa contradição é real e traduz, de forma talvez inconsciente, as contradições da sociedade portuguesa da época e do próprio poeta. De facto, Camões soube interpretar, melhor que ninguém, o sentimento de orgulho nacional resultante da consciência de que durante algum tempo Portugal foi capaz de se destacar das demais nações europeias. Mas Camões era também um homem de sólida formação cultural, atento aos valores estéticos do classicismo literário e imbuído de ideais humanistas. Se, ao cantar os feitos dos portugueses, ele dá voz a esse orgulho nacional, que sentia também como seu, na fala do “Velho do Restelo” e em outras intervenções disseminadas ao longo do poema, exprime as suas ideias de humanista.



A Mena na cozinha

Pudim de maracujá


100 g de polpa de maracujá
2 dl de natas
1 saqueta de gelatina de maracujá
2,5 dl de água

Misture bem a polpa com as natas. Na água a ferver, dissolva a gelatina. Adicione à gelatina a mistura das natas com a polpa e mexa bem. Leve ao frigorífico para solidificar dentro de uma forma.
Desenforme e decore a gosto.


Miminho


Deixo-vos este miminho que veio daqui. Obrigada, meninos!


Trabalhinho:
Brinco

14 comentários:

Sonia Facion disse...

Oi Mena!!!

Linda essa peça, é em fimo?

Obrigada pelo selinho e boa semana.

Sonia

Maria Filomena disse...

Mena, grata pela visita....
pergunto: o mimo de que falastes na mensagem deixada no meu blog é o desta postagem???
De qualquer forma, agradeço-te antecipadamente..
Se for este coloco-o no meu blog...
espero resposta...
Ia me esquecendo--- fiz a tua receita do arroz selvagem... alterei algumas coisinhas, pois, por exemplo, a azedinha, eu não tinha... Coloquei espinafre em substituição....
Depois mostro a foto...
beijos de Maria Filomena

Sonia Facion disse...

Mena!!!

olha eu aqui outra vez, hehehe...

Deixei um meme prá vc no blog de mimos.

Sonia

artes_romao disse...

boa noite,td bem?
agradeço mais este miminho.
ai um pudim de maracujá...
gosto imenso deste fruto,heheh.
o brinco tb está um mimo...tens uns parecidos c estas plumas,lol...
sao mt fofos.
fika bem,jinhos***

Marilú disse...

Olá Mena!!!
Vim dar uma espiadinha nas novidades e te desejar uma ótima semana.Hummmmmmm...esse pudim deu água na boca.
Bjsssss
Marilú

Maria Cusca disse...

Mais uma vez o grande Camões.
O Velho do Restelo, a sua figura mítica, para simbolizar o receio e por vezes o bom senso.
Talvez nos tempos que correm, nos fizesse falta um Velho do Restelo.... por vezes o bom senso deveria andar a par com a evolução.
Talvez não se cometessem tantos disparates...
Mudando para coisas doces, o pudim está com um aspecto delicioso.
O trabalhinho está amoroso.
Também levo o selinho (vai para a fila de espera)
Logo que tenha tempo posto.
Jinhos grandes e uma óptima semana.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Mena,

Esse selo que ganhamos foi tão bem acolhido, ficamos tão felizes com a iniciativa... amo receber carinho, quem não gosta, né?

O selo do Néctar ficou lindo aqui,lindo...rs

Beijo com cheiro de mouse de maracujá, menina linda.

Amo!

Rebeca

-

Sabrith disse...

Ola Mena
Lindo o brinco, muito fashion.
E a receita nova que experimentou? Como ficou?
Eu fico sempre com água na boca vendo seus pratos hummmmm
Pode escrever aí... ainda vou provar essas delícias que vc faz!
Boa Semana:D
Bjokas

olharapus disse...

o brinco está perfeitamente lindo! beijinhos e agradeço o miminho! e já agora posso dar uma dentadinha no pudim!

patchocolate disse...

olá!
gostei mt do trabalhinho! beijinhos

Eunice Martins disse...

ola minha querida muito obrigada pelo selinho já o levo comigo,adorei a receitinha e os trabalhos,beijos.

Mary disse...

Ainda não fiz nada com maracujá (não sei porquê, já adoro comê-los), mas esta receita é tão simples que não há desculpa para não fazer! Quer dizer, nunca vi gelatina de maracujá à venda...tenho que investigar! hehehe:)

Meus Netos...Minha Fortuna!!! disse...

Olá querida amiga Mena

Não vou pedir desculpa, embora o devesse fazer, pois acho que não tenho perdão!!!

Eu não me esqueço de ti, querida amiga, simplesmente, e isto com muita sinceridade, o teu blog, não sei se é por aselhice minha, não me dá as tuas postagens( tenho mais dois assim e passa-se o mesmo que contigo, acabo por não visitar!)

É que vão parar ao fundo da lista, e muito francamente depois passa-me de ir espreitar!

Como o meu tempo é pouco, tenho por hábito vir ver os posts três vezes ao dia( para não juntar muitos) no fim do pequeno almoço, do almoço e do jantar.

Deixo as minhas palavrinhas e lá parto para a minha "aventura" com os netos.

Nesta altura, tenho dois.

A Matilde que vai para o Colégio em Setembro, se Deus quizer, e o Nenuco, que irei criar, com a ajuda de Deus, como criei os outros até aos três anos.
Está lindo...muito risonho, sempre bem disposto, é um querido!

Os mais velhinhos, uns verdadeiros amores, ele fez 6 anos no dia 28 e ela fez três, ontem, por isso hoje, se Deus quizer há a festinha para a familia e no próximo sábado é para os amiguinhos.

E tu, amiga, como vais?
Por vezes vejo-te no messenger, dá-me uma vontade de entrar...mas sei que não posso prosseguir a conversa...pois um deles interrompe-me!...

Agradeço todos os miminhos e visitas que me tens feito, és uma querida, e tu sabes que gosto muito de ti.

Os miminhos, já pedi desculpa a todas, pois muito embora tenha criado um blog para eles o que é certo é que há meses que não consigo postar nada lá.

Tenho de estabelecer prioridades...!!!

Bem amiga, uma vez mais, peço a tua compreensão, e deixo-te a minha amizade de sempre e um xi-coração muito apertado.
Gosto muito de ti.
Cassilda

Sdias disse...

Adoro a mala da sua filha
Beijinhos

Sara Dias