segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Adamastor e o Mostrengo

Óleo de Carlos Alberto Santos


O Adamastor e o Mostrengo


"Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,

A boca negra, os dentes amarelos.



"Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te, que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo:
Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo:
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.



O Mostrengo


O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»


«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»


Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»


O Mostrengo é o símbolo das histórias fantásticas que se contavam e que amedrontavam mesmo os mais corajosos.
O «Homem do leme» representa todo um povo que quer dominar os mares...
Esta poesia assenta, curiosamente, no simbolismo do número três: o Mostrengo voou três vezes, chiou três vezes e rodou três vezes em redor da nau.
O homem do leme ergueu as mãos três vezes, repreendeu-as três vezes, temeu três vezes e disse três vezes a expressão «El-Rei D. João II».
É de notar ainda que este poema é constituído por três estrofes, tendo cada uma nove versos (3 x 3 versos).
O número três representa uma ordem espiritual e intelectual, em Deus, no Universo e no Homem.


O poema simboliza o medo do desconhecido, do mar intransponível e perigoso que os navegadores portugueses tiveram de vencer para da lei da morte se libertarem. A coragem dos portugueses é, segundo Fernando Pessoa, ordem do rei D.João II. Segundo consta: quando Gil Eanes voltou de uma tentativa falhada de dobrar o Cabo Bojador, o Infante mandou-o voltar para tentar novamente e o navegador venceu o temor para não desagradar ao seu bondoso patrono. Mas com D.João II o trato era diferente, porque ele não admitia que aqueles em quem confiava falhassem. Assim, os comandantes preferiam enfrentar todos os dragões e monstros do mar à fúria do seu rei e senhor e, por isso, o poema encerra também uma ironia - a natureza da "vontade" que ata o homem do leme à rota é que o medo de desagradarem ao rei é maior do que o terror do mar ignoto!


Voltarei mais tarde a este poema de Fernando Pessoa, agora interessa mais pensar na intertextualidade entre este texto e o de Camões.


O Mostrengo, tal como o poeta da Mensagem o elaborou, não existiria, se não tivesse existido o Adamastor de Camões. Estes textos assemelham-se mais ao nível do conteúdo épico: n’Os Lusíadas, no episódio do Adamastor, surge a força invencível do mar e, em O Mostrengo, a vontade férrea de um marinheiro que representa a força de um povo que quer o mar. Ambos pretendem elevar os portugueses ao nível da heroicidade. Camões criou o Adamastor, como uma figura humana de proporções descomunais e de aspecto medonho, personificação dos perigos e dos medos do mar e Fernando Pessoa optou por imaginar o Mostrengo, fazendo-o símbolo do terror que o mar destila. A figura criada por Camões aterroriza sobretudo pelas proporções gigantescas e pela forma estranha; o símbolo criado por Pessoa atemoriza mais pelo aspecto repugnante do que pelo tamanho. Camões criou uma figura simbólica para personificar o terror do mar. Reparem, porém, na originalidade da réplica de Pessoa: enquanto Camões criou uma expressiva personificação que inspira sobretudo medo, Pessoa criou um símbolo que indica ao mesmo tempo medo e repugnância. Fernando Pessoa foi mais simbolista que Camões, o que não admira, já que os dois poetas se situam em épocas bem diferentes. Pela mesma razão, o texto de Pessoa é mais curto que o de Camões e, por isso mesmo, mais denso, mais simbolista, sendo nele mais importante o que se sugere do que o que se afirma mais claramente.

Há no texto de Pessoa mais verosimilhança ao colocar “o homem do leme” ao serviço de D. João II, pois sabemos que foi neste reinado que se ultrapassou o Cabo das Tormentas, símbolo do mar intransponível. Ao contrário no episódio do Adamastor, o interlocutor do Gigante é Vasco da Gama, ao serviço do rei D. Manuel I.

O poema de Fernando Pessoa é mais profundamente épico-dramático, porque centra a emoção sobretudo na pessoa do homem do leme que evoluciona do medo para a coragem e ousadia. A força épica do Adamastor dilui-se um pouco no lirismo da segunda parte do seu discurso, em que o Gigante, ao longo de uma impressionante história de amor, se considera um herói frustrado. A maior força épica do texto de Pessoa está também nisto: o terror e repugnância do monstro parecem esbater-se à medida que cresce a força e coragem do marinheiro, cuja determinação heróica, na sua última fala, faz esquecer as atitudes medonhas do mostrengo. Aqui é o monstro que é vencido pela coragem do marinheiro; no episódio do Adamastor, é ele que se declara um herói vencido pelos males de amor. No episódio de Camões a tensão dramática e a força épica diluem-se bastante na medida em que o poeta transpõe a tensão emocional do marinheiro para o gigante.

A nível lexical, o maior sinal de intertextualidade encontra-se nas expressões que caracterizam o gigante (horrendo e grosso) e do mostrengo (imundo e grosso). Os dois poetas usaram o adjectivo “grosso” para nos dar a ideia de “monstro feio”, mas Pessoa preferiu imundo a horrendo, ambos são, no entanto, dois latinismos bem expressivos.

Para concluir, a sombra de Camões projecta-se claramente neste poema, não quer dizer que haja falta de originalidade no poema de Pessoa, considerado superior ao nosso poeta épico em densidade épico-dramática. As diferenças explicam-se pelas diferentes épocas em que os dois poetas escreveram.


A Mena na cozinha

Massa com atum e alcaparras

1 cebola

1 dente de alho

3 latas de atum

1 frasco de alcaparras

Molho bechamel

Sal

Pimenta

Tomilho

Azeite


Num tacho aloure em azeite a cebola e o dente de alho picados.

Junte o atum escorrido,

as alcaparras e um pouco de molho béchamel e envolva bem. Tempere com sal, tomilho e pimenta.

Misture neste molho a massa cozida (esparguete, fitas ou outra) e sirva bem quente.

Bom apetite!



Trabalhinho e desafio:


Este é o trabalho que tenho entre mãos e venho propor-vos um desafio: O que é que vai sair daqui? Este bordado é para quê? Quem adivinhar receberá um presente mym. Que tal? Aceitam ou não?
Podem passar o desafio, assim haverá mais gente a tentar acertar! O presente vale mesmo a pena!

15 comentários:

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Mena,

Vem aqui, vem... me dá aquele abraço? Ah, sinto tanto carinho por vc e acho seu jeito tão acolhedor, que não tem por onde não se encantar com sua pessoa. Muito obrigada pelas palavras no dia do meu aniversário. Receber os amigos de braços abertos é ser feliz.

Desafio? Ai Jesus... posso pensar?

É o retrato de alguém querido?

Ai Mena, dá mais pista, vai...rs

Beijo enorme, menina linda.

Rebeca

-

Maria Cusca disse...

Olá minha querida.
Obrigada pela visita e pelo carinho.
Vou aceitar o desafio e vou postar no meu blog, mimos e desafios.
Hoje venho com alguma pressa,amanhã vou tentar, voltar com mais tempo.
Jinhos grandes até amanhã.

Sabrith disse...

Mena
Esse desafio me deixou intrigada, mas neste momento não ainda nenhum palpite...
depois eu volto para dizer o que acho que será.
Bjokas:D

Mona Lisa disse...

Olá Mena

Mais um post instrutivo.
Gosto de os ler.

Depois soube-me bem cear.
Gosto de massas.

Quanto ao desafio, fiquei baralhada.
Amanhã volto, para ver bem!

Bjs.

Lisa

olharapus disse...

olá Mena! gostei do desafio!...será que posso ir adivinhando cada vez que aqui entrar!... bem o meu primeiro palpite vai para uma mala de praia, tipo alcofa com asas...até que não ficava mal!
estou curiosa só para saber o que será!!! ;P

olharapus disse...

ah com tanta curiosidade esqueci de enviar muitos beijinhos e gostei da receitinha!

Mona Lisa disse...

Olá Mena

Voltei a olhar para o desenho.
Acho que é para uma almofada.

O desenho, parece de uma mulher, mas tb pode ser o esboço do Adamastor!
Volto com novos palpites.

Estou baralhadíssima!
Bjs.

Maria Bettencourt Lemos disse...

Minha querida Mena,
Em primeirissimo lugar um grande abraço para si e um obrigada especial pelas palavras muito simpáticas que me deixou.
Em segundo os meus parabéns pelas fantásticas publicações aqui no MYM!
Uma optima semana
Maria Lemos

Sonia Facion disse...

Mena, oi!!!

Pensei, pensei e acredito que vá sair um bolsa, tipo sacola, eco bag.

Mas... tbm fico intrigada, me parece que pode ser um panô com a caricatura de alguém.

Pois bem essa são os meus dois palpites.

Bjks

Sonia

artes_romao disse...

boa tarde,dt bem?
agradeço o convite...
o k me parece k vai resultar daki...
é mais um risco p a tua mamã bordar...
parece Fernando Pessoa,lol.
gostei imenso das restantes novidades.
fika bem,jinhos***

APO (Bem-Trapilho) disse...

olá amiga! fico sempre intrigada com estes desafios. acho que é uma mala ou uma almofada. :)
bjokas doces!

olharapus disse...

oi mena! volto com um novo palpite! será que posso? bem vou arriscar... o meu segundo palpite vai para um lenço para colocar na cabeça será?
beijinhos e bons feriados!

Eunice Martins disse...

OLA AMIGA ESTOU DE VOLTA, E VENDO AS NOVIDADES,BEIJOS.

M. Céu Fernandes disse...

Olá querida.
Tenho estado doente, por isso não dá muito para fazer visitas.
Mas passei apenas para te agradecer a visita e deixar um beijinho.
M. Céu

Cristina disse...

Olá Mena obrigada pela visita e pelo comentario adoro o teu blog pois tem muita variedade de trabalhos
bjs