quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Gigante Adamastor

O Gigante Adamastor


Episódio narrado por Vasco da Gama ao rei de Melinde na 1.ª pessoa


Passaram-se cinco dias de navegação calma quando, de repente, numa noite, uma nuvem escura nos aparece. Vinha tão carregada, que ficámos cheios de medo. Tanto, que pedi ajuda a Deus. Mal começara a rezar, quando se nos apre­senta a nossos olhos uma figura enorme, gigantesca e horrenda. Tinha o rosto carregado, a barba esquálida, os olhos encovados, a cor terrena e pálida; toda a postura era medonha e má. Tinha os cabelos cheios de terra e crespos; os den­tes eram amarelos e a boca negra. Além disso, falou-nos em tom de voz horrendo e grosso/que pareceu sair do mar profundo. Por isso ficámos, eu e todos, arrepiados.

E disse em tom irado:

- Ó gente ousada, já que, ultrapassando os limites proibidos, ousas navegar nos meus mares, que nunca foram sulcados por nenhum humano, e vens ver os segredos escondidos da natureza e do mar, o que é vedado aos humanos, ouve os castigos que reservo para o vosso atrevimento. Sabe que, daqui para a frente, todas as naus que fizerem esta viagem me terão como inimigo e eu farei com que haja naufrágios, perdições de toda a sorte/que o menor mal de todos seja a morte.

Será o caso da primeira armada que por aqui passar depois da vossa frota (a armada de Pedro Álvares Cabral). Hei-de vingar-me de Bartolomeu Dias, que foi quem primeiro me descobriu, fazendo-o naufragar aqui mesmo. O mesmo vai suceder a Dom Francisco de Almeida, primeiro vice-rei da Índia, que aqui morrerá, no seu regresso à pátria. E será o caso de Manuel de Sousa Sepúlveda, que naufragará por estes sítios, com sua mulher amantís­sima e com os filhos. Antes de morrerem abraçados, verão morrer com grande sofrimento os seus filhos, gerados de tanto amor, e serão sujeitos a maus-tratos pelos negros indígenas.

Mais ia a dizer o monstro horrendo, quando, de pé, o interpelei, perguntando, sem mostrar receio:

- Quem és tu? que esse estupendo corpo, certo me tem maravilhado!

E então algo de estranho se passou. Dando um espantoso e grande brado, respon­deu-me, com voz amarga, como se a pergunta o tivesse magoado:

- Eu sou o Cabo que vós chamais de Tormentório ou das Tormentas, desco­nhecido dos grandes geógrafos antigos. Aqui termino toda a costa africana. Fui um dos Gigantes que defrontaram os deuses do Olimpo, em guerra san­grenta. O meu nome é Adamastor e andei na luta contra o meu deus: Júpiter e, depois tornei-me capitão do mar. No entanto, apaixonei-me por Tétis, a princesa das águas, e por ela des­prezei todas as restantes deusas. Aconteceu um dia em que a vi nua na praia, acompanhada das Nereidas. A partir daí senti-me irremediavelmente preso. Tendo consciência de que seria difícil alcançá-la, dado que sou muito feio, decidi tomá-la pela força das armas e fiz saber isto a Dóris, sua mãe, para que ela pudesse convencê-la a aceitar-me. Dóris foi então falar com ela e ela res­pondeu-lhe: - Qual será o amor bastante de ninfa, que sustente o de um Gigante? No entanto, eu vou encontrar uma maneira de evitar a guerra, sem ficar prejudicada ou desonrada.

Fiquei convencido e, ingenuamente, desisti da guerra. Numa noite, prometida por Dóris, aparece-me o gesto lindo da branca Tétis, única, despida. Corro como louco para ela, procurando abraçar aquela que era vida deste corpo e beijando-lhe as faces e os cabelos.

Mas, eu nem sei como contá-lo, achei-me abraçado, não à minha amada, mas a um duro monte, frente a um penedo, e eu próprio transformado em penedo!

- Ó Ninfa, a mais formosa do Oceano,/já que minha presença não te agrada,/que te custava ter-me neste engano,/ou fosse monte, nuvem, sonho, ou nada?

Por esta altura já todos os meus irmãos tinham sido vencidos e transformados em montes e também eu comecei a sentir que me transformava neste Cabo.

Mas o que mais me dói ainda é que, por mais dobradas mágoas, /me anda Tétis cer­cando destas águas.

Assim contava o Gigante e, chorando, afastou-se de nós. Eu então fiz uma prece a Deus, pedindo-lhe que as profecias do Adamastor se não viessem a verificar.


Amélia Pinto Pais



Divisão em partes e síntese



1.ª parte (est. 37 – 38)



Vasco da Gama narra ao rei de Melinde que, depois de ver uma nuvem escura e carregada de tal forma que causava terror, perguntara a Deus que ameaça ou que segredo seria aquele.


2.ª parte (est. 39 – 41)


Não tinha terminado as suas exclamações, quando já uma figura gigantesca se erguia. O aspecto era medonho e temível, era tão gigantesco que poderia ser um segundo colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo. Os navegadores arrepiaram-se de medo só de o ouvir e ver.


3.ª parte (est. 41 - 48)


O Adamastor inicia o seu discurso dirigido aos navegadores portugueses. Começa por designar os portugueses de “gente ousada”, mais audaz do que qualquer outro povo.

O Adamastor ameaça ter preparado grandes males para castigar o atrevimento dos portugueses e afirma que todas as naus que ali chegarem serão castigadas. O gigante refere que irá vingar-se do primeiro que o descobriu – Bartolomeu Dias – mas que não ficará por aí, que todos os anos causará naufrágios, perdições de toda a espécie de forma que o menor mal será ainda o da morte.

Adamastor continua a profetizar, mencionando que D. Francisco de Almeida morrerá e o seu corpo jazerá no seu espaço territorial, que Manuel de Sousa Sepúlveda e sua família sobreviverão a um naufrágio para sofrerem até à morte em terra maus-tratos dos indígenas.


4.ª parte (est. 49)


O Adamastor continua a vaticinar o destino dos navegadores, quando Vasco da Gama o interrompe e lhe pergunta quem é.

Ele retorceu os olhos, deu um espantoso brado como se a pergunta lhe tivesse doído, e respondeu.


5.ª parte (est. 50 - 59)


O Adamastor responde ao Gama que é aquele oculto e grande cabo a quem chamam das Tormentas e que se sente muito ofendido com a ousadia dos portugueses.

Ele conta que foi filho da Terra como outros gigantes revoltados, andou na guerra contra Júpiter e contra Neptuno e que foi o seu amor por Tétis, esposa de Peleu, que o levou a ser quem é.

Como era muito feio, resolveu conquistar Tétis à força e expor o assunto à mãe dela – Dóris. Com medo, Dóris transmite a mensagem à sua filha que manda responder a Adamastor que o amor de uma ninfa não satisfará o de um gigante mas, para evitar a guerra e respeitando a sua honra, irá arranjar forma de evitar danos. Assim, Adamastor, cego de amor, fica cheio de esperanças.

Certa noite, Adamastor foi ao encontro de Tétis, como tinha sido prometido por ela e, ao ver o seu vulto, corre como louco e beija-a. Na realidade, não era Tétis mas um duro monte. Ele próprio se sentiu pedra. Cheio de vergonha e desgosto, fugiu em busca de um lugar onde ninguém o conhecesse.

Seus irmãos gigantes, filhos da Terra, já tinham sido vencidos e sepultados em vários montes e, como contra a vontade divina, os homens nada podem, Adamastor começou a sentir o castigo pelos seus atrevimentos, transformando-se no cabo das Tormentas, rodeado por Tétis nas águas.


6.ª parte (est. 60)


E, dizendo isto, com um medonho choro o Adamastor desapareceu diante dos olhos dos marinheiros. Desfez-se a nuvem negra e o mar soou lá longe. Vasco da Gama pediu a Deus que removesse as trágicas profecias do Adamastor.

Trabalhinho:

Monograma: desenhado por mim e bordado pela minha mãe.


A Mena na cozinha

Codornizes à Algarvia

4 codornizes

1,5 dl azeite

1 folha de louro

1 colher de sopa de farinha de trigo

2 dl de caldo de galinha

Tomilho

4 dentes de alho

Sal

pimenta preta moída

1 dl de Vinho branco


Tempere as codornizes com sal e pimenta.

Coloque uma caçarola sobre o lume, e coloque dentro o azeite e os dentes de alho pisados, deixe aquecer bem e frite aí as codornizes, junte o louro e o tomilho.

Assim que as codornizes se apresentarem lourinhas salpique-as com a farinha e regue-as com caldo de galinha. Tape a caçarola e deixe estufar em lume brando.

Acompanhe as codornizes com batatinhas fritas e uma boa salada.


Miminho

Aqui ficam estas margaridas para enfeitarem o vosso cantinho. Levam-nas!

6 comentários:

olharapus disse...

Adorei o Bordado! está lindo! tens umas mãos de fada! adoro codernizes estufadas e estas deviam estar um pitéu!
adorei o miminho! vou levás-lo
beijinhos

Noah disse...

Obrigada
Estou levando
tenha um ótimo dia amanhã.

Mona Lisa disse...

Olá Mena

Obrigada pelo miminho. Vou colocá-lo no vìdeo dos miminhos.

O post está fabuloso. Adorei o video.
O monograma está lindo, muito fino.
Desta vez não jantei, pois não aprecio codornizes...fazem´-me impressão!

bjs.

Lisa

Maria Cusca disse...

Olá amiga.
Desta vez, saio daqui com fome.
Codornizes e passarinhos, não sei se gosto porque não sou capaz de comer.
Terei que esperar o próximo prato.
Um dia de dieta também não deve fazer muito mal.
O lençol está lindo.
E a lenda do Adamastor, é fabulosa.
Vou levar o miminho, só não sei quando consigo postar.
Obrigada jinhos e bom fim de semana

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Mena,

Amo flores, amo! Suas margaridas estão enfeitando o nosso cantinho...olha lá:

http://selospremiosmimos.blogspot.com/

Um beijo imenso, nesse seu coração lindo.

Rebeca
-

Sabrith disse...

Que lindas margaridas... estou levando! Obrigada!!!
e essas cordinizas...hummmmmmmmm será que tem como mandar via sedex? kkkkkkkk deu água na boca!!!!!!!
Ainda vou ao restaurante da Mena, o que vc acha???
Bjokas:D