sexta-feira, 5 de março de 2010

A invasão

É assim todas as sextas-feiras, os alunos invadem a Biblioteca e não há mãos a medir. Nos outros dias há também muitos alunos, claro! Por vezes, temos dificuldade em dar-lhes toda a atenção e apoio que merecem. Eles querem ler, requisitar livros para levar para casa, ver filmes, jogar, ouvir histórias, contar histórias, desenhar, pintar, fazer colagens, trabalhar com feltro e EVA, fazer porta-chaves... conversar apenas...

Aqui procede-se à decoração da caixa onde serão colocados os poemas da Semana da Poesia (depois, dir-vos-ei mais qualquer coisa sobre esta iniciativa). Vejam com que empenho trabalham os petizes!

A bicha ia crescendo e o Telmo desdobrava-se para conseguir atender a criançada.

Lê-se, joga-se, escolhe-se o melhor livro, conversa-se baixinho...

Uma sala cheia de alegria.

Vamos ver um filme?

A Biblioteca é, na minha escola, um oásis. Os alunos abraçam qualquer projecto com entusiasmo. Um aluno escreveu "A Biblioteca é um livro gigante muito colorido, só com personagens boas". É uma linda metáfora!
A mim, o que me dá mais prazer na escola é o trabalho que desenvolvo com os alunos, é a relação que mantenho com todos eles, os das minhas turmas e os outros com quem trabalho nos vários projectos da Biblioteca. Hoje, uma garotinha do primeiro ciclo disse-me: Ó professora, este ano venho muitas vezes à Biblioteca, porque as senhoras são muito simpáticas e o Telmo é muito brincalhão e amigo. Eu ficava aqui todo o dia a fazer coisas, a ouvir histórias e nunca me fartava. Ri-me e ela atalhou: "Olhe que eu estou a falar a verdade, é que aqui as professoras não são só professoras, são também nossas amigas, conversam connosco, ouvem-nos!" Um rapazinho meio envergonhado que queria fazer uma Kitty para oferecer à mãe concordou com a colega e acrescentou "A Biblioteca é o lugar mais bonito da escola, até as pessoas aqui são mais bonitas, porque são boas e simpáticas."
Mas vou confidenciar-vos uma coisa, os miúdos, enquanto trabalham e, acreditando que eu estou também muito compenetrada no meu trabalho, vão conversando uns com os outros sobre nós, a equipa da Biblioteca! Eu finjo que não estou a ouvir, não levanto os olhos do que estou a fazer, embora me dê vontade de sorrir e até de rir com algumas das suas saídas. Não vou revelar tudo o que dizem, mas podem imaginar! Um dizia para a colega: "Esta professora tem jeito para ser professora de EVT, sabe fazer tantos trabalhos giros. A professora Clara é uma boa contadora de histórias. A professora Isabel podia fazer cinema e pôr música nos filmes. Aquela professora que tem um filho é muito acelerada, anda sempre a correr, tem muitas coisas para fazer. O Telmo é muito giro e brincalhão e simpático. A outra senhora é meiguinha..."


Sugestão da Rebeca


A corrente tradicional da lírica camoniana


o vilancete


Mote

Se Helena apartar
do campo seus olhos,
nascerão abrolhos.

Voltas

A verdura amena,
gados que pasceis,
sabei que a deveis
aos olhos d' Helena.
Os ventos serena,
faz flores d' abrolhos
o ar de seus olhos.
Faz serras floridas,
faz claras as fontes...
Se isto faz nos montes,
que fará nas vidas?

Trá-las suspendidas,
como ervas em molhos,
na luz de seus olhos.
Os corações prende
com graça inumana;
de cada pestana
uma alma lhe pende.
Amor se lhe rende
e, posto em giolhos,
pasma nos seus olhos.


Formalmente um vilancete é constituído por:

- 1 mote de 2 ou 3 versos (onde se expõe o assunto);

- um número variável de voltas ou glosas de 7 versos (onde se desenvolve o tema);

Cada volta é formada:

- pela cabeça (os 4 primeiros versos);

- pela cauda (os 3 últimos versos).

O último verso da cabeça rima com o 1º da cauda.

Os dois últimos da cauda rimam com os dois últimos do mote.



O sujeito poético descreve a magia dos olhos de Helena, os quais não só irradiam a sua beleza e suavidade sobre a natureza, mas também seduzem e prendem os corações dos homens.

As três voltas do vilancete podem dividir-se em duas partes lógicas. A primeira parte é constituída pela primeira estrofe e pelos dois primeiros versos da segunda, em que o “eu” lírico refere a projecção dos olhos de Helena sobre a Natureza, operando nela uma verdadeira transformação: a verdura dos campos, a serenidade dos ventos, a transformação dos abrolhos em flores, o florescimento das serras e a claridade das fontes; a segunda parte está contida nos cinco últimos versos da segunda estrofe e na última estrofe, em que o poeta realça a acção cativante de Helena sobre os corações humanos: “Se isto faz nos montes / que fará nas vidas?” – referindo-se os efeitos dos olhos de Helena em todos os que a vêem: trazem as suas vidas suspensas e os corações presos (“de cada pestana /uma alma lhe pende”) e o próprio Amor (Cupido) se ajoelha, rendido, perante a magia do seu olhar.

Para exaltar a beleza de Helena, o sujeito poético utiliza uma sinédoque (implícita), pois começa por referir os efeitos dos olhos de Helena sobre a Natureza campestre; mas logo a seguir, continuando a enumerar tais efeitos sobre a Natureza e sobre os homens, afirma: os ventos serena, faz serras floridas, os corações prende. Como o sujeito destas frases não pode ser os olhos, pois o verbo está no singular, é evidente que o sujeito é Helena. De reparar ainda que, na última estrofe, o sujeito poético, voltando aos olhos, afirma: de cada pestana uma alma lhe pende. Conclui-se, portanto, que os efeitos sobre a Natureza e sobre os homens são atribuídos ora a Helena, ora aos seus olhos. Os olhos, portanto, de Helena são a própria Helena (sinédoque). Esta identificação deliberada entre os olhos de Helena e a mesma Helena está ligada a uma concepção platónica e petrarquista da mulher e do amor. A mulher é vista como um ser mais espiritual do que corporal. Os olhos, embora órgãos do corpo, são as janelas da alma, podendo-se, pois, considerar um traço de união entre o físico e o espiritual.

A beleza de Helena é sobretudo realçada pela expressividade do adjectivo (a verdura amena) e do verbo quer no presente, insinuando a presença actuante dos olhos de Helena (os ventos serena, faz serras floridas), quer no tempo futuro, sugerindo um estado de vida (que fará nas vidas?). o emprego da hipérbole (de cada pestana uma alma lhe pende) é também uma bela forma de realçar a sedução exercida sobre os homens. De salientar ainda a comparação “como ervas em molhos”, realçando a abundância de vidas conquistadas e a personificação no fim do poema, em que o próprio amor é considerado um vassalo de joelhos, frente à suserana Helena (Amor se lhe rende, / e posto em geolhos, / pasma nos seus olhos). O verbo pasmar, contido neste último, é um verbo expressivo (aspecto durativo).

A beleza e a sedução de Helena é vista sobretudo através do seu olhar, como vimos. É portanto a sua beleza espiritual que é posta em evidência. Trata-se então daquele tipo de mulher idealizadamente espiritual (objecto do amor platónico) que vem já da poesia provençal (cantares de amigo) e da poesia palaciana.

Este vilancete é constituído por um mote de três versos, glosados em voltas de sete versos. Não se dá, no final das estrofes, a repetição do último verso do mote, mas verifica-se o essencial do vilancete: desenvolvimento do mote (de dois ou três versos) em estrofes de sete versos. Os versos têm cinco sílabas métricas (redondilha menor). A rima é interpolada e emparelhada, segundo o esquema rimático: ABB / CDDCCBB.




A Mena na cozinha

Arroz de bacalhau

1 cebola
1 dente de alho
1 posta de bacalhau
sal
azeite
vinho branco
1 caldo para arroz
arroz

Desfie o bacalhau. Pique a cebola e o dente de alho e leve a alourar com azeite. Junte o bacalhau e tempere com sal. Refresque com duas colheres de sopa de vinho branco e deixe cozinhar. Acrescente água e um cubo de caldo para arroz. Junte o arroz.

Sirva simples ou a acompanhar peixe frito, por exemplo.
Bom apetite!


Trabalhinho:

Um colar para a Manuela.

3 comentários:

Mona Lisa disse...

Olá Mena

São estas pequenas/grandes vivências que nos dão força para continuar, que mostram que vale a pena ENSINAR!

Bjs.

Sonia Facion disse...

Oi Mena!!!!

Swmpre é bom vir aqui!!!

que festa nessa biblioteca hem?!!!!
amei esse colar!!!!

Deixei um selinho prá vc no blog de mimos.

bjks

Sonia

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Essa biblioteca é mais movimentada que praia em dia de calor.

Ainda bem que essas crianças têm a vontade de fazer as tarefas com empenho.

até mais.

Jota Cê