sábado, 17 de janeiro de 2009

À barca, à barca, senhores!

Ontem, fomos ver o "Auto da Barca do Inferno", representado no Mosteiro dos Jerónimos. Os alunos adoraram e nós também. Já vi esta peça várias vezes e não me canso nunca.
O dia estava cinzento, o sol não deu um arzinho da sua graça, chovia torrencialmente, mas ninguém se importou, professores e alunos vibraram com a interpretação dos actores, alguns bem conhecidos (das novelas da TV). No fim, houve sessão de autógrafos e tiraram-se fotografias com os actores, o mais solicitado foi o Diabo, sempre bem-disposto, pousou com todos os alunos, com o ar mais diabólico que conseguiu pôr.
Depois, seguiu-se o almoço no McDonald's na companhia de alguns dos actores (alguns alunos preferiram ir almoçar ao CCB) e a sobremesa tomou-se logo ali ao lado: os famosos pastelinhos de Belém.

Depois de nos terem ido chamar à entrada do Mosteiro, os actores fizeram uma introdução, falando um pouco do "pai" do teatro português e do Auto que ia ser representado.

Logo surgiram o Anjo, o Diabo e o seu companheiro. O Diabo começou por mandar o companheiro arrumar e enfeitar a barca. Era preciso bastante espaço para os passageiros que viajariam para o Inferno.
O Anjo sorria apenas.

Apareceu o Fidalgo acompanhado do pajem, muito senhor do seu nariz, respirando importância por todos os poros. O pajem, muito sofrido, carregava uma cadeira (aqui representado por um escadote) para o seu senhor se sentar. As barcas eram também escadotes maiores. Como a representação é feita como acontecia no séc. XVI, sem palco, os espectadores ao mesmo nível dos actores, os escadotes faziam com que as personagens principais estivessem num plano mais alto para que todos os vissem e ouvissem bem.

Depois do Fidalgo, chegou o Onzeneiro com o seu bolsão.

O Parvo apareceu a seguir, simples e engraçado. Pouco depois veio o sapateiro, carregado de formas.

Seguidamente, surgiu o Frade acompanhado da moça Florença, convencido que escaparia às penas do Inferno. Coitado!

Ele bem tentou convencer o Diabo que o seu hábito e as orações por si rezadas o livrariam do castigo infernal.

A Alcoviteira, Brízida Vaz, acompanhada das suas moças, pôs o ar mais angélico que conseguiu e tentou seduzir o Anjo com palavras bonitas e sedutoras.

O Judeu apareceu com o bode às costas e quis subornar o Diabo para que lhe passasse o "cabrão". O Diabo não o queria deixar entrar na barca, mas, no fim, permitiu que o Judeu e o bode se deslocassem a reboque da barca, “ireis à toa”.

Os alunos, muito atentos e interessados, seguiram toda a peça e confessaram-me, no fim, que sabiam as falas das personagens todas.

Eis o Corregedor e o Procurador, "homens dos breviairos" que queriam que um "meirinho do mar" os julgasse. Pensavam que se salvariam se fossem julgados por colegas de profissão.
O Enforcado, ingénuo e sem opinião própria, defendeu-se como pôde, mas também ele não escapou do fogo do Inferno.

Por fim, passaram cantando, diante da Barca do Inferno, quatro Cavaleiros. O Diabo chamou-os para a barca. Um deles respondeu-lhe que “quem morreu por Jesus Cristo não vai em tal barca como essa!” Dirigiram-se, então, à Barca do Paraíso, onde foram bem recebidos pelo Anjo que os aguardava para partir.

Salvaram-se o Parvo e os quatro Cavaleiros. O primeiro porque não errou por maldade, porque, segundo o Sermão da Montanha, são “bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles
é o reino dos céus.” Os Cavaleiros, porque morreram em defesa da fé cristã.



Para o ano lá estaremos de novo com outros alunos!

12 comentários:

Chocolate disse...

ai pasteis de belém!!! que bons!!! e q saudadinhas!!! macdonalds pessoalmente dispenso e recuso mesmo a comer!
vim de desejar bom fim de semana, aqui está neve! beijinhos

Sabrith disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mellanie Evelyn disse...

Bom Dia! Bom Sábado!
Tem um prêmio para você no meu blog.
Psse por lá para pegar.
Meu marido fez teatro por mais de 10 anos e eu era produtora local para espetáculos de fora da cidade, assim nos conhecemos.
Talvez por isso eu goste tanto de dramaturgia.
Bjokas!

Lau disse...

Oi flor, obrigada pelo miminho, assim que der eu posto, prometo!
Bjinhus, bom fim de semana!

Brunette disse...

Olá!
Aqui está uma visita de estudo que ficará gravada durante muito, muito tempo, na memória dos alunos!
Bjos e continuação de bom fim-de-semana.

Brunette disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
linita disse...

Olá!lindo,as visitas de estudo são importantes,e divertidas,tens um troféu no meu blog dos miminhos bjokas

∂αиι тαναяєѕ =') disse...

Oi Mena!!

Eu também fui ver a peça, mas ao Porto, não me lembro a que teatro...

Foi muito engraçada, mas essa parece-me ainda mais, até porque pelo que vejo nas fotos parece ter sido realizada assim ao ar-livre, sem palco, de uma maneira diferente!!

Que giro! :)

Olha, tenho um prémio para ti no meu blog!! É uma oração linda! Pega nela e posta-a por aqui, depois passa aos teus amigos blogueiros!! Vamos criar uma corrente com esta oração?

Beijinho *

mfc disse...

Continua com as tuas iniciativas que os alunos precisam delas como de pão para a boca!

Maria Bettencourt Lemos disse...

Esta interpretação e representação é fantástica , os alunos transparecem uma enorme simpatia e bem estar mas isso também tem a ver com a excelente professora que os acompanha...não é Srª Profª???
Um abraço,
Maria Lemos

Meus Netos...Minha Fortuna!!! disse...

Olá querida mena

Obrigada por estes momentos de cultura , de prazer...tão intensos!

Ah...a receita, óptima como sempre.

Os trabalhihos, são feitos por ti...está tudo dito...!


Obrigada pelas visitas, és uma querida

Beijinhos com muita amizade e carinho
Cassilda

Mellanie Evelyn disse...

Estou levando o mimo... e também com água na boca de imaginar a Mena na Cozinha... hummmmmmm
Beijus