segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Carta de Eça de Queirós

Mais uma foto tirada em Lisboa. Adoro os "amarelinhos"!





Carta de Eça de Queirós à Companhia das Águas



Ilus. e Ex.mo Senhor Carlos Pinto Coelho

digno director da Companhia das Águas e

digno membro do Partido Legitimista:


Dois factos igualmente graves e igualmente importantes, para mim, me levam a dirigir a V. Exa. estas humildes regras: o primeiro é a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças Carlistas sobre as tropas Republicanas, em Espanha: o segundo é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho.

Abundam os Carlistas e escassearam as águas, eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, como na de V. Exa., a responsabilidade da canalização e a do direito divino.

Se eu tiver fortuna de exacerbar até às lágrimas a justa comoção de V. Exa., que eu interponha o meu contador, Exmo. Senhor, que eu interponha nas relações de sensibilidade de V. Exa., com o Mundo externo; e que essas lágrimas benditas de industrial e de político caiam na minha bandeira!

E, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Exa. o permite, dos nossos contratos. Em virtude do meu escrito, devidamente firmado por V. Exa., e por mim, temos nós – um para com o outro – um certo número de direitos e encargos. Eu obriguei-me, para com V. Exa., a pagar a despesa de uma encanação, e aluguer de um contador e o preço da água que consumisse.

V. Exa. fornecia, eu pagava. Faltamos, evidentemente, à fé deste contrato; eu, se não pagar, V. Exa., se não fornecer.

Se eu não pagar, faz isto: corta-me a canalização.

Quando V. Exa. não fornecer, o que hei-de fazer, Exmo. Senhor? É evidente que para que o nosso contrato não seja inteiramente leonino, eu preciso, no análogo àquele em que V. Exa. me cortaria a canalização, de cortar alguma coisa a V. Exa.

Oh! E hei-de cortar-lha!…

Eu não peço indemnizações pela perda que estou sofrendo, eu não peço contas, eu não peço explicações, eu chego a nem sequer pedir água. Não quero pôr a Companhia em dificuldades, não quero causar-lhe desgostos nem prejuízos…

Quero apenas esta pequena desafronta, bem simples e bem razoável, perante o direito e a justiça distribuída: – quero cortar uma coisa a V. Exa.!

Rogo-lhe, Exmo. Senhor, a especial fineza de me dizer, imediatamente, peremptoriamente, sem evasivas nem tergiversações, qual é a coisa que, no mais santo uso do meu pleno direito, eu posso cortar a V. Exa.



Tenho a honra de ser

De V. Exa. com muita consideração

e com algumas tesouras



A coesão textual e discursiva

Conectores do discurso


Os conectores do discurso têm a importante missão de proporcionar o estabelecimento da coesão textual ou discursiva, pois garantem uma articulação lógica entre os elementos das orações, frases e parágrafos.


Eis aqui uma lista de alguns dos principais conectores do discurso.


1. Para articular ideias de contraste:


- mas, porém, todavia, contudo, no entanto, apesar de, ainda que, embora, mesmo que, por mais que, se bem que


2. Para adicionar e agrupar elementos e ideias:


- e, além disso, e ainda, não só...mas também /como ainda, por um lado...por outro lado, nem...nem (negativa)


3. Para concluir (a partir da ideia principal):


- pois, portanto, por conseguinte, assim, logo, enfim, concluindo, em conclusão


4. Para resumir, reafirmar:


- por outras palavras, ou seja, em resumo, em suma, melhor


5. Para exemplificar:


- por exemplo, isto é, ou seja, é o caso de, nomeadamente, em particular, a saber, entre outros


6. Para comparar:


- como, conforme, também, tanto...quanto, tal como, assim como, pela mesma razão


7. Para indicar uma consequência:


- por tudo isto, de modo que, de tal forma que, daí que, tanto...que, é por isso que, pela mesma razão, do mesmo modo que


8. Para exprimir uma opinião:


- na minha opinião, a meu ver, em meu entender, parece-me que


9. Para exprimir uma dúvida:


- talvez, provavelmente, é provável que, possivelmente, porventura


10. Para insistir nas ideias já expostas:

- com efeito, efectivamente, na verdade, de facto


11. Para esclarecer, explicar uma ideia:


- quer isto dizer, isto (não) significa que, por outras palavras, isto é


12. Para organizar as ideias por ordem sequencial (tempo ou espaço):


- em primeiro lugar, num primeiro momento, antes de, em seguida, seguidamente, depois de, após, até que, simultaneamente, enquanto, quando, por fim, finalmente, ao lado, à direita, em cima, no meio, naquele lugar


13. Para apresentar a intenção, o objectivo com que se produz o que é descrito anteriormente:


- com o intuito de, para (que), a fim de, com o objectivo de, de forma a


14. Para anunciar uma ideia de causa:


- Pois, pois que, visto que, já que, porque, dado que, uma vez que, por causa de


15. Para indicar uma hipótese ou condição:


- Se, caso, a menos que, salvo se, excepto se, a não ser que, desde que, supondo que


16. Para exprimir um facto dado como certo:


- com certeza, naturalmente, é evidente que, certamente, sem dúvida que


17. Para evidenciar ideias alternativas:


- Fosse...fosse, ou...(ou), ora...ora, quer...quer




Nestas frases da carta de Eça de Queirós à Companhia das Águas estão sublinhados os conectores do discurso:


“…o primeiro é a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças Carlistas sobre as tropas Republicanas, em Espanha: o segundo é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho.” (organização sequencial)


“…eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, como na de V. Exa., a responsabilidade da canalização e a do direito divino.” (uma comparação)


E, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Exa. o permite, dos nossos contratos.” (adição de novas ideias)


Em virtude do meu escrito, devidamente firmado por V. Exa., e por mim,” (uma causa)


“Faltamos, evidentemente, à fé deste contrato” (um dado como certo)


“…eu, se não pagar, V. Exa., se não fornecer.” (uma condição)


Quando V. Exa. não fornecer, o que hei-de fazer, Exmo. Senhor?” (organização sequencial)


É evidente que para que o nosso contrato não seja inteiramente leonino,” (um dado como certo)



Podemos substituir os conectores discursivos acima assinalados por outros de valor semelhante:


…num primeiro momento é a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças Carlistas sobre as tropas Republicanas, em Espanha: seguidamente é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho. (organização sequencial)


…eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, assim como na de V. Exa., a responsabilidade da canalização e a do direito divino. (uma comparação)


Além disso, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Exa. o permite, dos nossos contratos. (adição de novas ideias)


Por causa do meu escrito, devidamente firmado por V. Exa., e por mim, (uma causa)


Faltamos, naturalmente, à fé deste contrato (um dado como certo)


Com certeza que para que o nosso contrato não seja inteiramente leonino, (um dado como certo)




A Mena na cozinha


Bolinhos da M

100 g de bolacha torrada
80 g de margarina derretida
50 g de chocolate em pó
coco ralado

Triture as bolachas, junte a margarina e o chocolate e amasse bem. Faça bolinhas, passe-as pelo coco ralado e coloque-as dentro de forminhas de papel plissado.


Trabalhinho:

colar



Miminho

Este selinho veio daqui e aqui fica para todas as minhas amigas blogueiras.


Vale a pena ver!



6 comentários:

artes_romao disse...

boa tarde,td bem?
mais um post muito informativo.
então ker dizer que também andas no croche...heheh.
gostei muito do colar e claro dos bolinhos:P
fica bem,jinhos***

Mona Lisa disse...

Olá Mena

Gostei imenso de ler o post sobre Eça.
É dos meus escritores preferidos.

Adorei os bolinhos!Sou gulosa e chocolate?! A minha perdição!

Bjs.

Lisa

Brunette disse...

Olá Mena!
Deliciei-me e deleitei-me com este post! Desde as palavras irónicas do meu querido Eça, que tanto aprecio e tão boa disposição me traz, até à doçura dos bolinhos de chocolate! Adorei!
Deixo um convite: pega na tua perspicácia e imaginação e responde ao desafio do meu blogue.
Bjos e boa semana.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Mena querida,

É tão bom quando você gosta... sinto que é de coração mesmo, sabe? Sua alma é linda e transparente.

Beijo imenso, você mora no meu coração.

Rebeca

-

Sonia Facion disse...

Oi Mena!!!!

Acho que consegui uma receita que me deu água na boca e vou tentar fazer, hehehe......

Tô levando o selinho.

bjks e boa semana.

Sonia

Maria Cusca disse...

Olá amiga.
As lições e os petiscos que perdi...
E com as encomendas todas atrasadas, estou quase a chegar à conclusão que as férias só empatam...ihihih
Logo que as coisas estabilizem, vou voltar à minha normalidade.
Espero eu.
Jinhos amiga e uma óptima semana