segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Este inferno de amar

As minhas férias terminaram da melhor maneira com um concerto dos Blasted Mechanism na Foz do Arelho. Foi um espectáculo de luz e de cor difícil de esquecer.



Os Blasted Mechanism nasceram em 1995, por ideia de Valdjiu e Karkov, como uma banda diferente no espectro musical português. Auto-definem-se como um projecto artístico de música tocada por seres de outro mundo. Sobressaem-se do panorama musical pela sua imagem forte e bastante extravagante e por uma música caracterizada pela fusão de músicas do mundo, incorporando elementos tradicionais de vários países do mundo, como por exemplo, na música We do álbum Sound in Light, onde é possível ouvir guitarra portuguesa tocada por António Chainho, com música rock electrónica. São conhecidos também por inventarem e construírem alguns dos instrumentos que utilizam como a Kalachakra que vai buscar alguma inspiração à cultura oriental.




Este inferno de amar

Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é vida – e que a vida destrói.
Como é que se veio atear,
Quando – ai se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… foi um sonho.
Em que a paz tão serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele olhar…
Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei;
Mas nessa hora a viver comecei…

Almeida Garrett


O assunto do poema - como nasceu o grande amor que ao mesmo tempo dava vida e torturava o sujeito poético - desenvolve-se em três partes. Na primeira parte (primeira estrofe), o sujeito poético pergunta e torna a perguntar a si próprio como foi possível surgir em si esse fatal amor, que, a um tempo, o consome e lhe dá vida. Na segunda parte (segunda estrofe), o sujeito lírico recorda-se com saudade da vida serena e sonhadora (referência decerto a um amor mais espiritualizado) que dantes vivera, perguntando quem o veio tirar desse doce sonhar. Finalmente, na terceira parte (terceira estrofe), o sujeito poético, continuando o seu monólogo interior, parece encontrar uma causa da irrupção do fatal amor (" E os meus olhos em seus olhos ardentes os pus") que veio transformar a sua vida.
Concluímos que o sujeito lírico se considera agora possuído de um amor fatal de tonalidades trágicas ("Este inferno de amar", "esta chama que... consome", "que a vida destrói"). É também evidente a saudade com que o sujeito poético recorda a tranquilidade da vida passada, onde o amor teria sido "um doce sonhar". O apreço por esta vida tranquila do passado e o repúdio pelo amor fatalístico do presente torna-se ainda mais patente se pusermos em confronto esta nostalgia do passado com esta pergunta do sujeito lírico: "Esta chama (amor fatal)... quando, ai quando se há-de ela apagar?".
A oposição amor carnal/amor espiritual corresponde à oposição presente/passado. Basta olharmos para os tempos verbais. O sujeito poético emprega o presente, quando se refere ao amor carnal: "Este inferno de amar - como eu amo!". Emprega, ao contrário, o passado, quando recorda o amor espiritual: "Era um sonho talvez... - foi um sonho..."



A Mena na cozinha

Pimentos com alhinho

pimentos assados em conserva
dentes de alho
pimenta
sal
vinagre
azeite

Corte os pimentos às tirinhas. Pique os dentes de alho e misture bem. Tempere com sal, pimenta, vinagre e azeite. É uma óptima entrada.




Trabalhinho: colar





6 comentários:

Cor de Mel disse...

Olá Mena,
Mais um magnífico "post", cheio de informação e ideias geniais e de muita utilidade. adorei as imagens do concerto, pois dá para ter uma ideia do quanto esta banda tem de maravilhoso em termos de espectáculo e, para mim, que sou uma amante de fusões, acho a sugestão do melhor!
Mais uma dica culinária fantástica e um poema lindo de Almeida Garrett, cuja análise me deliciou. Acho que os seus alunos têm razão e já está mesmo com saudades de dar aulas!! Obrigada por partilhar connosco as suas análise, pois acho-as fabulosas.
O colar, como sempre, lindo e de incrível harmonia e elegância.
Beijinhos e boa semana,
Lia.

artes_romao disse...

Boa tarde,td bem?
a tua sempre kerida visita, obrigado...
gostei muito deste post também...
mas este colar ficou estupendo,parabens.
deve ter dado imenso trabalho a elaborar...
fika bem,jinhos***

Chocolate disse...

olá Mena!
adorei o post, fantastico como sempre!
beijinhos!

mundo azul disse...

Tudo muito bonito!

O poema é lindo...A receita deve ser deliciosa... O artesanato é belo e caprichado! Parabéns!!!


Beijos de luz e o meu carinho!


ps. sim, quando quiser pode escolher o poema, será um prazer, para mim.

APO (Bem-Trapilho) disse...

eu tb já vi os blasted ao vivo há muito tempo, mas eram os mesmos malucos que agora! :)
adorei as tuas criaçoes.
bjinhos grandes :)

Bah disse...

Oi Mena!!!

A entrada de pimentos deve ficar deliciosa!! Gostei da idéia!

O colar está lindo, com muita personalidade! A sua cara! rs

Bjinhos e tenha uma ótima semana!
;D