sábado, 27 de agosto de 2011

Anda tudo doido ou é impressão minha?


Abro os jornais e é o que se lê, ligo a televisão e é o que se ouve e vê, ligo o rádio e é o que se ouve... O mundo está todo destrambelhado, muito doente, mesmo, e parece-me que de uma qualquer doença crónica, uma qualquer epidemia que se alastra a olhos vistos...


A minha filha pediu-me para ir passar a tarde a casa de uns amigos. Perguntei-lhe quem estaria lá em casa, apontou-me o nome de vários amigos e amigas. Acedi.
Entretanto, encontrei-a a fazer um bolo. Que era para o lanche. Olhei para ela. Pensei, realmente, a tradição já não é o que era! Mas, eu continuo a dar lanche aos amigos dos meus filhos quando vêm cá a casa. Não disse nada e fui tratar das minhas coisas.
Como ela nunca mais saía da cozinha, fui lá ver o que se passava: tinha o saco grande, que me deram no supermercado para levar as compras, cheio.
- Então, não ias levar um bolo?
Aproximei-me e olhei para dentro do saco: salsichas, atum, bolachas, sandes, batatas fritas, leite, sumo...
- Mas, o que é que se passa?

Então, vejam lá:
A mãe do D e do F foi para a Suíça ou para a Bélgica ou para qualquer outro lugar da UE. Não se sabe ao certo! Não se despediu do emprego que tinha cá, não levou os filhos, deixou-os em casa ao Deus dará... Os garotos, um com 18 anos, outro com 8, lá foram vivendo com o que havia na despensa e com o pouco dinheiro que havia nos mealheiros.
Acabadas as provisões e o dinheiro, eram os amigos que lhes levavam alguma coisa para comer. Ambos estudam. Não trabalham, não têm, por isso, maneira de ganhar para se sustentarem.
Claro que essa situação não poderia durar muito e o garoto mais novo acabou por pedir "asilo" aos avós e mudou-se de armas e bagagens. O D ainda resistiu mais um pouco, tentou arranjar emprego, mas acabou foi por arranjar uma namorada. É que nos tempos que correm é mais fácil arranjar namorada ou namorado do que trabalho!
Os amigos foram deixando de levar provisões, porque a vida está má para todos, e o D acabou por pedir "asilo" à namorada. O pai desta não estava pelos ajustes, não achou graça nenhuma ao facto de ganhar mais um filho, assim de repente, mas acabou por ceder e o D lá foi morar com a família da A. Para ajudar nas despesas, o D passou a trabalhar na loja dos pais da namorada.
Da mãe dos garotos nada se sabe, deve ter ido em busca de vida melhor... Tudo bem! Não! Tudo mal! Então e os filhos! Será que são descartáveis?



Actualmente, vemos cada vez mais pais e mães a demitir-se das suas funções, a tratar os filhos como simples objectos que se mudam de lugar com toda a facilidade, que se ignoram, que se deixam para segundo, terceiro, quarto plano... Há sempre coisas mais importantes do que os filhos para fazer...
Já vi, na minha escola, crianças do primeiro ciclo ficarem esquecidas horas e horas... Já fiquei horas, depois de uma visita de estudo, com alunos, à espera dos pais que se esqueceram de os ir buscar, porque estavam numa festa...
Se ficasse aqui a contar situações destas, nunca mais terminaria este post...



Hoje, há poucas histórias como esta:

Um Pai Nunca Desiste


Havia um homem muito rico que possuía muitos bens, uma grande fazenda, muito gado e vários empregados. Tinha apenas um filho, que, ao contrário de si, não gostava de trabalho nem de compromissos.
O que ele mais gostava era de festas, de estar com os amigos e de ser adulado por eles.
O pai advertia-o sempre, dizendo-lhe que os amigos só estavam ao seu lado enquanto ele tivesse o que lhes oferecer, depois deixá-lo-iam só.
Os insistentes e sábios conselhos do pai entravam-lhe por um ouvido e logo saíam pelo outro rapidamente. O filho não ligava nenhuma e saía de casa sempre muito confiante. Afinal, que conhecia o pai da vida? Sempre a pensar em trabalho ou a trabalhar!
Um dia, o velho pai, já avançado na idade, pediu aos seus empregados que construíssem um pequeno celeiro e dentro do celeiro ele mesmo montou uma forca e, junto dela, colocou uma placa que dizia: " Para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai ".
Mais tarde chamou o filho, levou-o até o celeiro e disse:
- Meu filho, eu já estou velho e quando eu partir, tu tomarás conta de tudo o que é meu, e sei qual será o teu futuro. Tu vais deixar a fazenda nas mãos dos empregados e irás gastar todo o dinheiro com os teus amigos, irás vender os animais e os bens para te sustentares, e quando não tiveres mais dinheiro, os teus amigos vão-se afastar de ti, vão deixar-te sozinho.
E quando tu não tiveres mais nada, vais-te arrepender amargamente de não me teres dado ouvidos. Por isso, eu construí esta forca. Sim, ela é para ti, e quero que me prometas que se acontecer o que eu disse, tu te enforcarás nela.
O jovem riu, achou aquilo absurdo, mas, para não contrariar o pai, prometeu, achando que aquele disparate jamais iria ocorrer.
O tempo passou, o pai morreu e o filho tomou conta de tudo. Mas tal como o pai havia previsto, o jovem gastou tudo, vendeu os bens, perdeu os amigos e a sua própria dignidade.
Desesperado e aflito, começou a reflectir sobre a sua vida e viu que havia sido um tolo, lembrou-se do pai e começou a chorar e a dizer:
- Ah, meu pai, se eu tivesse ouvido os teus conselhos! Mas agora é tarde, é tarde demais.
Pesaroso, o jovem levantou os olhos e ao longe avistou o pequeno celeiro. Era a única coisa que lhe restava.
Lentamente, carregando o mundo nos ombros, dirigiu-se para lá e, entrando, viu a forca e a placa empoeirada e disse:
- Eu nunca segui as palavras do meu pai, não pude alegrá-lo quando estava vivo, mas pelo menos desta vez vou fazer-lhe a vontade, vou cumprir a minha promessa, não me resta mais nada.
Então, subiu os degraus e colocou a corda no pescoço, dizendo:
- Ah! Se eu tivesse uma nova oportunidade...
E pulou, sentiu por um instante a corda apertar a sua garganta, mas o braço da forca era oco e quebrou-se facilmente, o rapaz caiu no chão, e sobre ele caíram jóias, esmeraldas, pérolas, diamantes…
A forca estava cheia de pedras preciosas, e um bilhete que dizia:
- Essa é a tua nova oportunidade. Eu te Amo muito. Teu Pai




2 comentários:

mfc disse...

Há situações em que se não acredita... mas são bem reais!

Um beijão, Mena.

Mena disse...

Muito reais, infelizmente!