quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Crianças e jovens mais ansiosos



De acordo com um estudo a que o Algarve Primeiro teve acesso, as crianças precisam de mais tempo para serem livres e para poderem realizar as suas aprendizagens, situação que as coloca sujeitas a estados de stress desde a tenra idade e que as compromete na vida adulta.

Tendo por base este apontamento, verifica-se que não se tem respeitado o tempo ideal para a aprendizagem nem sequer o necessário para que a mesma se efective com qualidade.

A importância dos jogos e das brincadeiras entre pares e com os pais que são um suporte essencial para um desenvolvimento saudável, são também muitas vezes descurados e banalizados e pela exigência de oferecer responsabilidades aos mais pequenos.

No entanto, é fundamental anotar que, as crianças precisam de tempo para descansar, para pensar e para sentir, que um dos momentos do dia menos adequado para esse desenvolvimento é precisamente a hora do almoço em que se deve reservar um tempo para o descanso e aproveitar melhor o tempo seguinte.

O mesmo se passa com uma criança que se sente insegura em casa e que terá mais dificuldades na aprendizagem e que vai precisar de mais tempo e de atenção para colmatar essa lacuna.

No mesmo contexto, a criança precisa de brincar, de aprender a conceber a vida e de ter menos sobrecarga horária em actividades que os pais acabam por lhe oferecer para a manter ocupada enquanto trabalha.

Mas este princípio tem-se mostrado pouco correcto e as alterações comportamentais dignas de estudos e de inquietações por parte dos especialistas que são quem estão mais atentos a estas problemáticas.

Crianças mais seguras são mesmo aquelas que vivem relações estáveis com os pais, com os seus pares e que são capazes de seleccionar e de decidir aquilo de que mais gostam.

De acordo com os especialistas em psicologia, as crianças precisam de tempo para brincar, para conviver, para estar com os pais, com os amigos e para aprender, o que deve ser bem ajustado nos planos diários, sob pena dos mais pequenos passarem a sofrer de ansiedade e de pânico desde cedo.

A necessidade de deixar que as crianças corram e que se apercebam da vida à sua maneira faz pensar acerca do que se está a praticar actualmente, uma vez que as crianças são obrigadas a estar em momentos de aprendizagem longos períodos diários o que lhes dá pouco tempo para se descobrirem.

Sem esquecer que é imperioso aprender e dedicar algum tempo substancial à escola e ás actividades de enriquecimento curricular, é fundamental ter em conta que, o excesso de actividades está a fazer com que as crianças cresçam demasiado sozinhas, sem apoio dos pais e sem um contacto com a sua própria realidade pessoal, o que mais cedo ou mais tarde se pode traduzir em ansiedade, pânico, depressão e cenários de baixa auto-estima provocados pela falta de tempo, de afecto, de compreensão face à vida e ás suas escolhas.

Para os entendidos, os pais devem ter em conta que, no máximo, as crianças não devem acumular mais do que duas actividades, sendo que uma é a escola e a outra um espaço alternativo à aprendizagem formal em que possa aprender mais, de uma forma lúdica e descontraída, sob pena de, na fase seguinte se perceberem problemas já mais graves de identidade.

Alguns exemplos destes problemas reflectem-se na adolescência quando os jovens começam a manifestar ataques de pânico, muitas vezes resultantes de mudanças face ás rotinas e um reflexo do medo de ter de cumprir outras responsabilidades sem que saibam muito bem se fizeram a escolha certa ou se é realmente o que desejam.

É comum que a passagem para a idade adulta mostre precisamente estes receios jovens que cresceram muito distantes dos pais e entregues e a si mesmas; que passaram muito tempo entre pares e que pouco contactaram com a realidade familiar.

Eis um motivo pelo qual é preciso estar atento neste início de ano lectivo, reforçando a ideia de que os pais assumem um papel decisivo na educação e formação dos filhos e que a sua presença activa pode fazer uma enorme diferença entre um jovem feliz e um deprimido.

Para o psicoterapeuta Nuno Sousa, “esta é uma geração ansiosa que não foi estimulada a pensar e a sentir, cresceu num período de ter e de consumo.

Agora vive um momento em que o futuro é desconhecido, tanto para eles que são jovens, como para os cuidadores, para o Estado, para as instituições." Neste sentido, saber lidar com a mudança, aprendizagem normal nesta faixa etária, é por isso mais difícil. "Os modelos de vida que eram conhecidos, por exemplo para alguém com 18 anos, estão em risco e há dificuldade em reconhecer alternativas.

" A solução passa por saber usar a dificuldade. "Na consulta digo que catástrofe em grego significa mudança brusca, mas não tem de ser para pior."

Tendo por base esta constatação desenvolvida por vários especialistas, importa reajustar a forma como estamos a deixar as crianças e jovens entregues a si mesmos, sabendo que nunca é tarde para mudar e que, em tempos de crise, são os laços afectivos que marcam toda a diferença nos relacionamentos, o que sugere uma grandiosa oportunidade.

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4 comentários:

mfc disse...

As cargas horárias de hoje são insuportáveis!!
Nada comparado às que t´nhamos!!

Mona Lisa disse...

Olá Mena

As crianças quase não têm tempo para o serem!

Bjs.

Mena disse...

Tens toda a razão mfc!

Mena disse...

Infelizmente assim é, Elisa!