quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Saber Contornar As Vicissitudes




Quando estamos febris, tudo quanto provamos nos parece amargo e desagradável, mas, ao vermos outrem saborear as mesmas iguarias sem fazer cara feia, não mais culpamos a comida ou a bebida: culpamo-nos a nós mesmos e ao nosso destempero. De modo similar, desistimos de incriminar as circunstâncias e de com elas nos preocupar quando vemos outrem aceitando as mesmas circunstâncias plácida e alegremente. Quando as coisas não correm na medida dos nossos desejos, muito contribuirá para o nosso contentamento pensarmos nas coisas agradáveis e encantadoras que nos pertencem; na mistura, o melhor eclipsa o pior. Quando os nossos olhos são ofuscados pela claridade excessiva, nós acalmamo-los olhando para a verde relva e para as flores; todavia, mantemos a mente absorta com o que é penoso e forçamo-la a remoer sem trégua os vexames, desviando-a violentamente de pensamentos mais reconfortantes.

Plutarco


Tive umas "férias" desgraçadas, porque fui operada e não pude sair praticamente de casa. Tinha sido aconselhada pelo médico a apresentar atestado médico, na escola, interrompendo as férias. Gozaria as férias depois. Concordei e interrompi as férias. Faltavam-me gozar dezoito dias. Depois do atestado, já melhorzinha, as férias cairiam que nem ginjas. Lembrei-me, de enviar um email para a escola a perguntar se seria possível começar as minhas férias logo depois de terminar o atestado e a resposta foi "depois do dia 1 de Setembro as férias só poderão ser gozadas nas interrupções lectivas e até final de Dezembro". Nem foi preciso fazer contas, até ao final do ano civil só há uma interrupção lectiva que não tem, nem de longe nem de perto, dias suficientes para eu gozar os dias de férias que me faltam. Fiquei destroçada, estava cansada de estar de pernas no ar, de pôr gelo, das meias horrorosas, do sofá, de não poder sair, de..., de..., de... Precisava de desanuviar...
Perguntei a meio mundo se não tinha direito a gozar as minhas férias? As respostas foram "sim" de um lado, "depende" de outro, "tem a ver com a autonomia da escola", "se não te derem férias têm de te pagar os dias que não gozaste", "as férias são um direito de qualquer trabalhador", "se o director o entender"...
Conclusão: uma grande confusão e uns nervos desgraçados!
Decidi que não ia entrar já em conflito com este ou aquele lá na escola e, no que seria o último dia de férias, fui à escola e pedi os atestados médicos.
- Professora, faz muito bem em levantar os atestados, já viu, descontam-lhe no vencimento, no tempo de serviço, bla-bla-bla-bla... e depois, ainda por cima, não pode gozar as suas férias, é que depois de 1 de Setembro não há férias para ninguém, bla-bla-bla...
Ainda pensei argumentar e ainda me saiu um não é bem assim, mas acabei por sair dali o mais rapidamente que me foi possível com as minhas perninhas recém-operadas, com os atestados na mão, depois de assinar o retorno ao serviço.
Entretanto, foram-me chegando relatos de colegas que entraram de férias no dia 1 de Setembro, no dia 5 de Setembro, que entrarão dia 15, dia 20, dia 10 de Outubro...
Enfim, palavras para quê!
A verdade, é que me sinto cansada e sem ânimo para começar...
Sou uma pessoa muito positiva e raramente me vou abaixo, mas ultimamente dou comigo a chorar por tudo e por nada!
Claro que tem a ver com a falta de férias, do descanso merecido...
Ninguém sabe de coisa nenhuma, dizem e desdizem, é um salve-se quem puder... e coisas bem mais graves vão acontecendo, mas que não vou dizer aqui, porque " tem cuidado, o teu blogue (e outros) só não é lido pelos gatos, cães e animais afins porque ainda não sabem ler nem têm Internet", como diz uma amiga minha.
Ontem, estava na banheira a tomar um duche bem retemperador, apareceu-me a minha filha com o telemóvel na mão, que era da secretaria. Estavam fartos de procurar os meus atestados, não os viam em lado nenhum e, por isso, não sabiam em que dia terminava o período de doença para me poderem marcar, a partir daí, as férias.
- Lembrei-me agora, professora, que há mais Marias na terra, que é como quem diz, na escola, se calhar é outra professora com o mesmo nome que está de atestado.
- Era eu, sim, que estava de atestado, mas fui buscá-los.
- Pronto, pronto, professora, já me lembro, então não é preciso mais nada...
Parece brincadeira?
Pois, mas não é!
Não podia gozar as minhas férias, mas agora, depois de ter levantado os atestados e por estarem algumas pessoas a gozar e, muito bem, as férias a que têm direito (que afinal, ao contrário de mim, podem gozar férias depois de 1 de Setembro!) já mas queriam marcar.
Enfim! Há que contornar as vicissitudes e esperar que esta má onda vá enrolar noutras areias ou bater contra outros rochedos!


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